Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Vá para fora cá dentro

A aproximação de um fim-de-semana representa, para a grande maioria, a possibilidade de libertação das correntes do tempo. O ritmo é abrandado pela cadência dos despertadores desligados, pela isenção de horários nas refeições, pela pausa na correria matinal. E, depois, paradoxalmente, o descanso transforma-se, para muitos, numa causa mais do moderníssimo stress... Porque soa a anormalidade quebrar o desenfreado ritmo adquirido ao longo de cinco consecutivos dias. Mas também existem os estranhos seres cuja primeira sinalética das benesses de fim-de-semana é o lento e prolongado espreguiçar sem o despótico alerta do despertador. E uma volta mais no aconchego dos lençóis... Ou a manutenção em traje nocturno até à hora tardia do almoço... Alternativamente, a manhã também pode ser ocupada por outros afazeres que não a suave preguiça... Como, por exemplo, temperar a mente com um pouco de especiarias histórico-culturais. Que tal uma incursão ao (ainda) novíssimo Museu de Arte Sacra? Começando por, previamente, efectuar um reposição de cafeína numa das pastelarias que existem nas suas imediações. Como o Museu abre ás 10h, nem se torna necessário madrugar, dando tempo para um pequeno-almoço desprovido de pressas e para, aos que a tiverem, preparar a descendência sem o fantasma dos atrasos matinais. Vale a pena a visita. Não só pelo recheio do Museu. A envolvência de um solar do séc. XVIII permite um contacto com o que deveria ter pautado as políticas urbanísticas ao longo do último século. Penetra-se num mundo distinto, onde não têm lugar aberrações arquitectónicas em formato paralelipípedo e no qual se respira uma atmosfera de viagem a encantos passados em boa hora renovados no presente. A subida da curta escadaria indicia a entrada num universo alheio às enfermidades do betão, num regresso a um tempo não muito distante em que o quotidiano político era marcado pela discussão de outros valores e no qual o nosso vizinho ainda era nosso amigo. Desencantos dos tempos modernos... A recepção deixa antever um ambiente acolhedor, seja pelo espaço, seja pelas pessoas que nos recebem. E depois é só transpor a porta e aceder à exposição de um espólio que nos remete para uma viagem à ritualização do sagrado. O esplendor dos Missais, dos séc. XVI ao XIX, as cruzes processionais, os cálices e demais adereços litúrgicos, as telas, geram um tal encanto que se chega a suspeitar se as navetas e os turíbulos deixam escapar os aromas da resina perfumada até aos nossos receptores sensoriais. Sendo religioso ou laico, o percurso pelo interior do Museu de Arte Sacra faz-nos mergulhar num pequeno oceano da ancestralidade sagrada que foi povoando o concelho macedense. E, porque não, deixa-nos uma surpreendente e profunda sensação de alívio pela preservação de um pouco do nosso orgulho macedense. Para lá desta sugestão, a freguesia de Talhinhas, mais concretamente em Gralhós, poderá assistir, neste fim-de-semana, a uma demonstração da perseverança na manutenção da etnografia macedense, através de um espectáculo levado a cabo pelo Grupo Cultural e Recreativo da Casa do Povo, no Sábado, pelas 21horas. Ainda no mesmo dia, em Macedo, ocorre a Gala do 5º aniversário da AJAM, pelas 21h30. Já no Domingo, pelas 16 horas, Bagueixe poderá assistir a uma actuação da Banda 25 de Março, enquanto que Meles poderá deixar-se encantar pelo Grupo Coral Macedense, pelas 18 horas. Ficam as sugestões para um fim-de-semana diferente, a provar que a vitalidade de um concelho do interior transmontano não se pode aferir apenas por parâmetros de betão e asfalto. E há mais, muito mais para descobrir, indo para fora cá dentro... Caso esteja em Macedo, aproveite. Caso não esteja, pode incluí-lo num próximo roteiro de fim-de-semana. Há "montes" de coisas para descobrir... NOTA: os registos do interior do Museu de Arte Sacra foram retirados da página electrónica da C. M. Macedo de Cavaleiros (se for processado pela usurpação, deixo de fazer publicidade turística...............)

Sem comentários: