Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Hipocrisias solidárias

De repente, surgiu do nada, qual Fénix renascida, uma entidade que suga a Trás-os-Montes 55% da produção eléctrica nacional, sem lhe dar nada em troca... Minto! Com os dentes todos! Afinal, a dita entidade tem 100 mil euros para distribuir pelos 10 concelhos abrangidos pelas futuras hidroeléctricas do Tua e do Sabor, ao abrigo de candidaturas, convenientemente com o prazo de um mês, para projectos solidários. Contas de merceeiro feitas, se cada concelho tiver a capacidade para apresentar um projecto, o meu fica com direito à fantástica verba de 10 mil euros. Algo semelhante àquilo que a dita entidade deve estar a facturar no tempo em que demorei a escrever 7 ou 8 linhas... Um preço justíssimo para o atentado paisagístico e histórico a que a província transmontana vai ser sujeita. Como transmontano no qual corre (mesmo) sangue transmontano (porque, infelizmente, há os que, após transfusões efectuadas com água do Tejo, dão azo a processos adulterados de hematopoiese da qual saem eritrócitos que renegam a genética) sinto-me enganado, injuriado, ludibriado, e mais uma panóplia de "ados" aliado a outra de "idos" que não podem ser transpostos para a Língua Camoniana, ainda que, transmontanamente falando, sejam perfeitamente aceitáveis, ao abrigo dos "contra e racontra"... Está bem... Qual é o problema? Só vão submergir uma jóia transmontana, não se trata de nenhuma hidroeléctrica no Tejo que envolva o desaparecimento das heranças manuelinas. Vai-se, apenas um marco de D. Luis I. Gostaria de ver idêntico tratamento a outro dos ícones "luisinos"... Caía o Carmo e a Trindade com um "terramoto da Invicta"... E o que faz o meu povo transmontano? Amanhã andará, feliz e contente, a circular no Energy Bus que a dita entidade que nos suga em duplicado porá à disposição das populações para que utilizem racionalmente a energia que produzem no seu território. Como dizia o medieval poeta francês, François Villon, "a necessidade leva as pessoas ao engano e a fome os lobos a sair do arvoredo"... Será ignorância? Será ingenuidade? Será resignação? Alguma coisa há-de ser, porque continuamos a "ser comidos de cebolada" e parece que gostamos... Até posso ser ignorante e ingénuo, mas não me resigno... Nem quando olho para a última listagem do ranking das escolas secundárias... A melhor posicionada do distrito de Bragança é a de Miranda do Douro. Segue-se-lhe a de Carrazeda de Ansiães, ficando a de Macedo de Cavaleiros no terceiro lugar do pódio. Relativizando, não parece má a atribuição do bronze. O reverso da medalha surge quando Miranda ocupa, a nível nacional, o lugar 243... Ou quando Macedo se fica pelo lugar 308, sensivelmente a meio da tabela, que inclui 608 escolas... Quererá isto dizer que os estudantes do distrito são menos capazes para as "letras"? Definitivamente, não! Basta-me pensar nas inúmeras personalidades para as ditas dotadas... Excluindo certos universos, como o da política, um campo sempre minado, recordo-me, rapidamente, de Guerra Junqueiro, Trindade Coelho ou Pires Cabral. Sem necessidade de recorrer ao vizinho distrito e ao autor que mais imortalizou o "reino maravilhoso", Miguel Torga... Por tal, excluo os factores genéticos... Será uma responsabilidade do pessoal docente? Não creio. Tenho gratas recordações do contributo que recebi na minha formação macedense. É um problema sociológico? Talvez... Mas parece-me mais um recuo a um velho tempo, no qual não vivi, em que a manutenção da iliteracia era garantia de submissão... Calem a gente que a gente não falará... Desertifiquem o território que uivos de lobo e bramas de veado podem silenciar-se de formas alternativas... E alcateias e manadas não votam... Eu não falo, grito, ainda que seja numa ridícula forma de desespero. Por paixão, jamais Trás-os-Montes será silenciado. Ainda que o xisto vá caindo...

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