Na fugacidade dos dias, renovadas apetências para albardar o costado com merenda e demais apetrechos, máquina fotográfica a adornar pescoços ávidos por aliviar o peso de matinais geadas.
Bem Vindo às Cousas
Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
O Alustro num reino de esquecimento... (Sendas-Vale da Porca)
Na fugacidade dos dias, renovadas apetências para albardar o costado com merenda e demais apetrechos, máquina fotográfica a adornar pescoços ávidos por aliviar o peso de matinais geadas.
domingo, 2 de janeiro de 2011
A Linha é Tua...
... as saudades são Minhas, o poder é Deles, a asnice é Nossa. E, bem elaborada a teia de pensamentos, o património enquadramento deveria ter também no que Nosso é. Porém, atente-se numa qualquer verbal forma de pretérito mais que recente, e iluminar-se-á o gramatical hemisfério da Nossa tolice com um pretérito mais que imperfeito. Num presente do conjuntivo no qual, se não não me sentisse tratado como sandeu, não recearia por uma enterite da alma num qualquer futuro condicional, apenas porque me sinto condicionado por quem, por derivações de universais sufrágios, me vai compulsivamente tentando convencer que a minha massa encefálica sofreu um revés, com directas conexões ao intestino grosso. Será por isso que sou acossado por estes flatos do espírito? Talvez ainda não esteja definitivamente convencido, apenas pela consciência da presença deste paradoxo de sofrer de flatulência espiritual na ausência de gás sulfídrico. Convenço-me, tão só, da permanência destas eructações da mente, de cuja etiologia tenho perfeita noção, enquanto não me inoculam definitivamente com "stupidus vírus". Valha-me o remanso do original significado de "stupidu"... E valha-me o conforto de não me sentir um asceta nesta estranha forma de arrotar inconveniências em relação àqueles a quem dou significativa contribuição para a sua eutrofia. Não resisto a coçar esta micose da alma, pruridos tantos por ver os poucos que engordam à custa dos muitos que definham. E porquê toda esta verborreia? Coisa simples, coisa pouca, apenas uma elaborada campanha publicitária da CP, que me fustigou a sesta dos meus pacatos neurónios, e me trincou os ossos até à medula, tal foi o arrepio, que até os pêlos do peito que não tenho ficaram eriçados. Nada que tenha ocorrido em Macedo de Cavaleiros, ou Mirandela, ou Bragança. Mas, a crer nas boas novas, a prima capital do distrito vizinho, vilipendiada de idênticas formas, amputada que vai sendo de férreas vias, por andar morfinizada a nossa férrea vontade, viu as suas artérias serem adornadas por um "outdoor" onde se lê, a garrafais letras: «MUDE A SUA VIDA, VÁ DE COMBOIO»... "Bô, mas atão já tchiguemos adonde, ou que caralhitchas é esta mangação? Atão, racosim-nos o quimboio, é ua stragação botar as bistas nas stações ó Deus dará, tratum-nos cmu se fossemos uns tchibos de segunda, amoutchemus-nos e ós depeis inda querim que bamos de quimboio?"... Que vão gozar com o CQOR (abreviatura vernácula, aqui decorada a eufemismo: que vão gozar com um Quercus Que Os Racosa!)...quinta-feira, 16 de abril de 2009
Cousas de manipulação jornalística

Mesmo a mais incauta e distraída das mentes se apercebe da paixão que nutro por (quase) tudo o que tem a sua génese (ou o seu desenvolvimento) no Reino Maravilhoso. Dentro desse universo, uma das paixões que ocupa um lugar de destaque é a Linha do Tua. Talvez já tudo tenha sido dito, escrito e mostrado sobre esse património único, ainda que esteja destinado ao afogamento e à posterior colocação na galeria das recordações. Parece-me inglória a luta tenaz desenvolvida por todos os que, seja através de petições, de páginas electrónicas ou de blogs, persistem na esperança da revitalização de uma jóia condenada. Ainda assim, protestarei até que a "voz me doa" (ou até que os "tentáculos eléctricos" transformem os carris, os túneis e pontes da Linha do Tua numa versão ferroviária da Aldeia da Luz ou de Vilarinho das Furnas).
Os protestos adensam-se sempre que assisto à hipocrisia dos governantes que prometem aquilo que sabem não poder cumprir ou quando, por influência cuja proveniência é duvidosa, saem notícias desenhadas por uma (inocente?) deturpação de factos com uma marcada pretensão de alienar a consciência até aos mais atentos. «A linha ferroviária do Tua registou, ao longo das últimas décadas, acidentes com consequências maiores que os dos dois últimos anos, diz um histórico da Protecção Civil». Acrescenta a dita notícia que afinal, «desabamento de terras e pedras, descarrilamentos, uma explosão, viaturas e pessoas colhidas pelo comboio fizeram, ao longo do século XX, pelo menos 16 mortos e vários feridos». Fico perplexo ao verificar que, para nenhuma das mortes, tenha sido apontada como causa o descarrilamento de qualquer composição.
A minha perplexidade aumenta quando tomo conhecimento que o mais grave acidente ocorrido se deveu à incúria de um fogueteiro meu conterrâneo que provocou a explosão de uma carruagem no longínquo ano de 1943, tendo sido contabilizados 9 mortos (56% do total de mortes no séc. XX!!!). Se lhe acrescentarmos mais 5 derivados da distracção de camionistas que foram colhidos pelo comboio em passagens de nível, nas décadas de 50 e 60, a percentagem sobe para uns incríveis 87,5%! Dos 2 restantes, nenhum envolveu descarrilamentos, mas pessoas que foram colhidas, uma na década de 60 e outra no início do século. Esta última, a primeira vítima, teve o infeliz destino de ter o término da sua vida pelo sonho que ajudou a construir. Tudo somado e analisado, chega-se à "dificílima" conclusão que as anteriores 16 mortes causadas pela Linha do Tua ao longo de 120 anos de história se deveram a distracções e nunca a descarrilamentos. O que pretendem os jornalistas, ou a Protecção Civil, ao tentarem atirar com areia para os olhos? Justificar o injustificável? Tentar apagar da memória a negligência da qual resultaram, infelizmente, as 4 mortes do séc. XXI? Ou pretendem mesmo apagar a memória de um percurso emblemático, único e insubstituível? Não conseguem, por muito esforço que coloquem no alcançar desse objectivo. 


Há coisas lindas, não há???...
domingo, 22 de março de 2009
Sorefamonostalgia II
A história deste país jamais se afundará, mas vai-se afundando ele mesmo. Já há muitas vítimas do naufrágio deste "Titanic" à beira-mar plantado. Uma delas é a saudosa SOREFAME (e já lá vão uns cinco anos desde que foi "bombardierada"). E porque a trago aqui se, em boa verdade, as suas marcas são poucas ou nulas na mais mítica (para mim, claro está) linha do Tua? Precisamente porque, para chegar às "napolitanas" do comboio do Tua, fazia um longo percurso nas bem portuguesas "sorefames". A começar em S. João do Estoril, na linha de Cascais. Artilhado de mochila às costas, munido do passe social e do "cartão jovem CP", saía pouco após o jantar para dar início a uma maratona ferroviária superior a meio dia. No Cais do Sodré, apinhado de militares que se aprestavam para idêntica maratona em direcção à terrinha, era um "ver se te avias" para conseguir um dos "fogareiros". " - É p'a Sant'Ápolónia, se fachavor!"
O Inter Regional (mais conhecido por Comboio-Correio) com destino a Porto-Campanhã saía à meia-noite e vinte. Antes de saber a plataforma da qual partiria, atestava o alforge com umas bifanas ou com umas "sandes de omelete". Invariavelmente, nos primeiros tempos fazia sempre a viagem apoiado nos membros inferiores. A ingenuidade desapareceu quando uns magalas macedenses me ensinaram a arte de conseguir lugar no dito "Correio". Bastava questionar as pessoas certas e as ditas informavam-nos, antecipadamente, onde se encontravam estacionadas as carruagens antes de serem rebocadas em direcção à plataforma.
Um dia, descobri que as carruagens de 1ª Classe possuíam compartimentos, dotadas de uns bancos bastante confortáveis nos quais me poderia estender, dormindo até chegar a Campanhã. Como era detentor do "Cartão Jovem CP", até que não ficava muito dispendioso o bilhete até Macedo. Como a experiência já me tinha tornado um especialista nas manhas de viajar com algum conforto, entrava na dita carruagem, seleccionava um compartimento vazio e ocupava três dos seis lugares disponíveis (um com a mochila, outro com um jornal e o seguinte com um casaco). Deambulava pelo corredor ou pela própria estação, estando sempre de olho no "meu" compartimento. Alguém tão manhoso quanto eu haveria de ocupar os restantes três lugares (isso estava estipulado na Constituição da República Ferroviária...).
Quando, finalmente, a composição partia, era só ocupar o assento da janela, ler o jornal e substituí-lo no seu lugar pela mochila. Normalmente, passado o "Braço de Prata" e a sequência de "abre e fecha" a porta do compartimento, podia refastelar-me, enquanto devorava, ao bom estilo romano, a primeira bifana, acompanhada de uma "cervejola". Com a última invasão no Entroncamento, era hora de saborear a conquista. Ajeitada uma almofada improvisada, ficava na companhia de Morfeu até à paragem em Gaia. Curiosamente, despertava sempre com o alvoroço das Devesas. Tomava o meu pequeno-almoço, já sentado, aguardando pelo ranger da ponte D. Maria Pia.
Como nunca fui um grande adepto das alturas, só suspirava de alívio quando terminava a lenta marcha com que se atravessava a ponte. Mas fazia-o sempre debruçado na janela, procurando abstrair-me da ideia de me transformar em Ícaro, recorrendo ao ansiolítico representado por um cigarro. Depois vinha a barafunda de Campanhã e mais uma "marosca". Apanhava-se o primeiro comboio com destino a S. Bento com o intuito de conseguir um lugar no Regional que haveria de me levar ao Tua. Essa pequena viagem de ida (e depois de volta) era sempre feita de forma clandestina, fugindo, caso fosse necessário, do revisor que andava sempre de olho nos magalas chico-espertos. Como eu não era magala, safei-me sempre... O Regional partia às 07h45 de S. Bento.
Marcado o lugar, ainda dava tempo para estender um pouco as pernas, passar um pouco de água pela cara e "colgate" pela dentadura. E para me reabastecer de mantimentos, que ainda faltavam mais de 6 horas até Macedo.
A linha do Tua é uma das minhas paixões, mas, justiça seja feita, a homóloga do Douro não lhe fica atrás. A parte inicial do seu percurso nada tem de transcendente, mas a partir do momento em que o rio passa a fazer-nos companhia, atravessa-se uma região de paisagens deslumbrantes.
Entre o serpentear ao lado de um rio que já foi selvagem e que foi dominado por mão humana, repunham-se as energias com mais uma bifana, enquanto se colocava a leitura em dia. Depois, chegava finalmente a estação do Tua.
Chegava também a azáfama da mudança para a via estreita, para as "napolitanas" e para as histórias que por aqui já fui contando.
Mas o que me trouxe aqui foram as "sorefames"... E o que me dói é assistir à hipoteca deste país. A SOREFAME não teve um funeral digno de uma empresa que chegou a fornecer o Metro de Los Angeles, o de Chicago ou o de Lisboa. Acabou como acabam muitas outras instituições deste país. Para mim, jamais acabará. Porque as recordações nunca morrem...
E a memória dos homens também não. A viagem continua, mas fica sempre uma marca no sítio por onde se passou...
Sorefamonostalgia
"I confidently predict the collapse of capitalism and the beginning of history. Something will go wrong in the machinery that converts money into money, the banking system will collapse totally, and we will be left having to barter to stay alive."
Margaret Drabble (Escritora Britânica)
Guardian (London, Jan. 2, 1993)
Previsões para o ano de 1993
Para ser honesto, desconhecia a existência da autora desta premonição com 16 anos. Para complementar a minha confissão, nunca me atrevi, sequer, a ler qualquer livro da sua vasta obra. Algures, numa das suas novelas poderá estar a revelação sobre o remédio para esta afamada crise, colheita de 2008... Ou colheita de anos anteriores...
Nesses mesmos onde se deu o colapso de ícones do sistema financeiro português, ainda que o mesmo tenha tido a sua génese nas aquisições e contra-aquisições, OPA's e afins, de míticas instituições que a todos (ou à grande maioria) serviram de fiéis depositárias das suas economias.
Quem não se lembra do Banco Pinto de Magalhães? Ou do Banco da Agricultura?
E dos Borges & Irmão, Fonsecas & Burnay, Totta & Açores ou Pinto & Sotto Mayor? E de um Nacional Ultramarino, Português do Atlântico ou Crédito Predial Português?
Podiam funcionar na base de um certo arcaísmo bancário mas, mal ou bem, funcionavam. Valha-nos (?) a Caixa Geral de Depósitos, não só como digno representante dos "dinossauros", mas também como garantia (alguma...) que as espécies de "mamíferos" do género BPN não nos "mamam" as economias todas... Talvez tenha sido este tipo de parasitismo que sugou as entranhas a estandartes como a CUF ou, mais recentemente, a SOREFAME... Da primeira, lembro-me vagamente dos adubos... Da segunda, lembro-me das carruagens que me serviram de pernoita em muitas das minhas longas viagens... Vem aí "Sorefamonostalgia"... "Mai logo"...
Margaret Drabble (Escritora Britânica)
Guardian (London, Jan. 2, 1993)
Previsões para o ano de 1993
Para ser honesto, desconhecia a existência da autora desta premonição com 16 anos. Para complementar a minha confissão, nunca me atrevi, sequer, a ler qualquer livro da sua vasta obra. Algures, numa das suas novelas poderá estar a revelação sobre o remédio para esta afamada crise, colheita de 2008... Ou colheita de anos anteriores...
Nesses mesmos onde se deu o colapso de ícones do sistema financeiro português, ainda que o mesmo tenha tido a sua génese nas aquisições e contra-aquisições, OPA's e afins, de míticas instituições que a todos (ou à grande maioria) serviram de fiéis depositárias das suas economias.
Quem não se lembra do Banco Pinto de Magalhães? Ou do Banco da Agricultura?
E dos Borges & Irmão, Fonsecas & Burnay, Totta & Açores ou Pinto & Sotto Mayor? E de um Nacional Ultramarino, Português do Atlântico ou Crédito Predial Português?
Podiam funcionar na base de um certo arcaísmo bancário mas, mal ou bem, funcionavam. Valha-nos (?) a Caixa Geral de Depósitos, não só como digno representante dos "dinossauros", mas também como garantia (alguma...) que as espécies de "mamíferos" do género BPN não nos "mamam" as economias todas... Talvez tenha sido este tipo de parasitismo que sugou as entranhas a estandartes como a CUF ou, mais recentemente, a SOREFAME... Da primeira, lembro-me vagamente dos adubos... Da segunda, lembro-me das carruagens que me serviram de pernoita em muitas das minhas longas viagens... Vem aí "Sorefamonostalgia"... "Mai logo"...
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
sábado, 24 de janeiro de 2009
Outra vez as cousas da Linha do Tua


A nostalgia ataca de novo... Recebi, recentemente, um mail a propósito da "malfadada" Linha do Tua e, particularmente, relativo às potenciais causas do último acidente nela ocorrido no Verão passado. Segundo o relatório dele constante, existe, na realidade, incúria e desleixo. Para os interessados, podem consultar o dito relatório e as fotografias que induzem na existência das graves anomalias que deram a sua contribuição para a ocorrência dos mediáticos acidentes em:
http://static.publico.clix.pt/docs/local/tuareportagem.pdf
Para lá desta triste realidade, jamais esquecerei os tempos que me provocaram tamanha paixão pelo Tua. Apesar de irrepetíveis, a minha memória guarda carinhosamente todos os momentos e sensações que a subida até Macedo proporcionava. De forma muito particular (e curiosamente) a meia-hora, ou talvez mais, que durava a viagem entre Mirandela e Macedo. É verdade que era nesse percurso abandonada a montanha-russa do sinuoso percurso com o rio por companhia. Mas é verdade, também, que esse troço representava o aproximar da "terrinha".
Atravessar a cidade de Mirandela, passando por S. Sebastião e Carvalhais, assemelhava-se ao transpor da última fronteira, após uma viagem que já durava há mais de 12 horas (!).
Entrava-se, de seguida, numa quase terra de ninguém, passando por Vilar de Ledra e Avantos, atravessando uma paisagem que, apesar de povoada por sobreiros, sempre me fez, estranhamente, lembrar uma cerrada floresta tropical. A adrenalina subia um pouco com a entrada na ponte do Romeu. A uma velocidade ainda mais reduzida que a reduzida velocidade a que já circulávamos, o atravessar da ponte metálica estava sempre associado ao ritual de abrir uma porta e, enquanto se nutriam os alvéolos pulmonares com mais umas baforadas de nicotina, olhava-se para o vazio de alguns metros de altura, acompanhados pelo ranger da dita ponte.
Passada a estação do Romeu, o pensamento era assaltado pela ideia fixa do "já falta pouco". Em breves instantes, estar-se-ia no concelho de Macedo, com as boas-vindas a serem dadas pelos Cortiços. Grijó vinha logo de seguida e, com esta derradeira paragem, ultimavam-se os pormenores gerados pela ânsia de chegar.

Retirava-se a mochila do local onde repousava de uma viagem extenuante e fazia-se uma nova incursão à porta, local de onde melhor se podia apreciar o aparecimento das primeiras casas macedenses. Estes breves minutos até à estação de Macedo pareciam nunca mais ter fim. Era uma eternidade até à entrada na recta que lhe dava acesso. Mas, como repetidas vezes acontecia, o momento de saltar da carruagem para receber o abraço do "ourinho sobre azul" chegava, invariavelmente. Sabia bem o percurso a pé até chegar a casa, onde eram repostas as conversas e renovadas as declarações de saudades. Depois... Depois, o fim-de-semana passava de tal forma rápido que já estava a fazer o percurso inverso e a detectar sensações opostas, à medida que ia passando por Grijó, Cortiços, Romeu... E já nem saltava do banco quando o comboio atravessava a ponte...
domingo, 24 de agosto de 2008
Outra vez as Cousas da Linha do Tua
É verdade que já não circulo na dita linha desde que a encerraram a partir de Mirandela. Tudo o que possa adiantar sobre o actual estado da mesma seria pura especulação e, porque não, irresponsabilidade. Contudo, o recente acidente despertou-me as entranhas. Como tal, não me contive e decidi contrariar a vontade de não mais escrevinhar sobre uma morte mais que anunciada. É indesmentível a beleza única da paisagem que faz companhia ao também único percurso que se faz entre o Tua e Mirandela. É, de igual forma, indesmentível a dificuldade em manter a Linha do Tua funcional. Indesmentíveis são muitas outras coisas... Entre as quais, os números, particularmente os que respeitam aos acidentes ocorridos no último ano e meio. E os mesmos números correspondentes a 120 anos de história da linha, que começou no séc. XIX, fruto da intrepidez de visionários que não recearam a montanha-russa que representam as escarpas do Rio Tua. Confesso que, nas muitas viagens que fiz, fui assaltado por alguns pensamentos pessimistas, especialmente quando olhava para o vazio e imaginava o que poderia suceder na eventualidade de um descarrilamento. A verdade é que esses receios nunca se concretizaram. Talvez porque ninguém pensava em barragens na altura... Ou porque não havia planos de TGV... Ou talvez porque tudo era feito em regime de quase amadorismo, sem LNEC's e restantes entidades veladoras da nossa (in)segurança...
Sinto invadir-me por uma sensação de resignação. Já li em vários jornais a expressão "máfia hidráulica". Não deixo de me arrepiar ao pensar que tal seja possível. Porque, até à data, os acidentes já representaram a perda de vidas humanas. Reconheço que, haja crime ou não, o melhor é não arriscar... Façam lá a barragem e, se possível, devolvam o território às Astúrias, que foi onde os Romanos o colocaram inicialmente quando por cá estiveram. De uma coisa tenho a certeza: não seríamos mais vilipendiados do que aquilo que já somos...
Sinto invadir-me por uma sensação de resignação. Já li em vários jornais a expressão "máfia hidráulica". Não deixo de me arrepiar ao pensar que tal seja possível. Porque, até à data, os acidentes já representaram a perda de vidas humanas. Reconheço que, haja crime ou não, o melhor é não arriscar... Façam lá a barragem e, se possível, devolvam o território às Astúrias, que foi onde os Romanos o colocaram inicialmente quando por cá estiveram. De uma coisa tenho a certeza: não seríamos mais vilipendiados do que aquilo que já somos...
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Mas se afogarem mesmo...
...fica a recordação para a posteridade de uma viagem única, fantástica, indescritível. De arrepiar os sentidos...
terça-feira, 15 de abril de 2008
Mais Linha do Tua - Cousas de Escárnio e Maldizer

Copyright Ricardo Taveira
Não tencionava escrevinhar mais sobre este tema. Não que o dito tenha deixado de me dizer respeito. Pelo contrário: sou um dos quase 3.000 signatários da petição Tua Viva e, para além disso, vou consultando, diariamente, a evolução do "contador". Todavia, no decorrer dos serviços noticiosos da estação televisiva que todos (ainda) pagamos, surgiu, estranhamente, a notícia sobre a dita petição. Sendo a estação pública, haverá algo na manga do género "complot anti-pretensões da EDP"?...
No desenvolvimento desta notícia, somos informados de que, amanhã, dia 16 de Abril, se reunem os autarcas de Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Alijó para "concertar posições para negociar compensações pela construção da barragem". A crer nas notícias veiculadas no site da RTP, o único autarca que se manifesta, abertamente, contrário às pretensões da EDP é o Presidente da Edilidade Mirandelense, José Silvano. (Deixo de lado as rivalidades históricas entre Macedo e Mirandela para aplaudir esta atitude de verdadeira raça!). O que lamento, a ser verdade, são as afirmações atribuídas, no mesmo site, a Artur Pimentel, Presidente da Câmara de Vila Flor: "Nós temos sempre pena das pessoas que nos são queridas e morrem, mas temos de olhar para o futuro e o futuro é a barragem não é a linha do Tua". Sr. Presidente, com o devido respeito, que comparação infeliz! Ou, mesmo que não creia em tal suposição, ainda não deve ter passado pela verdadeira fatalidade de perder uma pessoa querida que morre. Sou um acérrimo defensor da manutenção da Linha do Tua. Mas não apenas, como diz, por ser "um saudosista da linha do Tua". A Linha do Tua representa muito mais que saudades: representa património, história, suor e lágrimas. Mas, caso acredite no progresso a qualquer custo, porque não experimenta, em nome de um qualquer futuro, explicar aos seus munícipes a destruição, por exemplo, da magnífica Fonte Romana ou do Arco de D.Dinis? Ou ainda a Igreja de S.Bartolomeu? Ou, quiçá, a escadaria de acesso aos Paços do Concelho?... E, já agora, proponha-lhes, de igual forma, o encerramento do fantástico Parque de Campismo (não faça isso, porque também sou saudosista, passei lá momentos inolvidáveis da minha juventude)...
Menos chocantes são as afirmações atribuídas ao Sr. Presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, Eugénio de Castro "lembrando que há mais de cem anos a construção da linha do Tua foi em si uma grande ofensa ao ambiente". Provavelmente, terá sido um atentado ao «ambiente de isolamento» em que viva (e ainda vive) o Nordeste Transmontano...
Saudosista, pela resignação patente, é a iniciativa - ainda assim, de louvar - da NEPA (Núcleo de Estudos para a Protecção Ambiental da UTAD) : «Fo[Tua]grafia» - Registo da última Primavera intacta na Linha do Tua, efectuado por fotógrafos profissionais. Mais não acrescente, deixará para a posteridade o registo de um ambiente único, inalienável e insubstituível. Este reparo em forma de lamento fica na esperança de que, daqui por uns largos anos, ainda seja possível registar Primaveras intactas na percurso da Linha do Tua. E, preferencialmente, sem o recurso a imagens subaquáticas...
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sábado, 12 de abril de 2008
Linha do Tua III - Uma Achega
Bem haja quem lançou a ideia de uma petição on-line para a preservação da Linha do Tua. Para os interessados : "www.petitiononline.com/tuaviva".
Uma achega final: no próximo dia 18 de Abril celebra-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, vocacionado para o Património Religioso e Espaços Sagrados. Não tendo a veleidade de considerar a Linha do Tua enquadrada no âmbito de Património Religioso, assumo que, pelas marcas que deixa na minha História e na História do Nordeste Transmontano, é lícito que a considere um "ESPAÇO SAGRADO"...
Uma achega final: no próximo dia 18 de Abril celebra-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, vocacionado para o Património Religioso e Espaços Sagrados. Não tendo a veleidade de considerar a Linha do Tua enquadrada no âmbito de Património Religioso, assumo que, pelas marcas que deixa na minha História e na História do Nordeste Transmontano, é lícito que a considere um "ESPAÇO SAGRADO"...
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Linha do Tua II - Cousas de Escárnio e Maldizer

Após uma breve interrupção para cometer um "crime" (idêntico ao que cometia nos degraus das "napolitanas")... E regressando à História...
Caso os notáveis Abílio Beça e Clemente Menéres regressassem ao mundo dos vivos, certamente que dariam umas traulitadas a todos aqueles que hoje se encarregam de, ainda que de forma indirecta, denegrir o esforço e a persistência que colocaram na empreitada de ver o Nordeste Transmontano servido por transporte ferroviário. E muitas voltas no túmulo devem dar caso, no "Mundo Desconhecido do Além", chegarem as novas de que o distrito de Bragança é o único representante no restritíssimo grupo dos que não possuem um quilómetro que seja de auto-estrada e que, para além disso, pretendem transformá-lo no único sem ferrovia... Até El-Rei D.Luís se deve estar a questionar do porquê da jornada empreendida a 29 de Setembro de 1887 para a inauguração oficial da Linha que hoje querem submergir. Intrépido deve estar El-Rei D.Manuel I por ser conhecedor de que a próxima travessia do Tejo não envolve a demolição dos Jerónimos...
Na última semana, ao consultar a imprensa regional, deparo-me, no Semanário Transmontano com a notícia de que o "ABANDONO DO LARGO DA ESTAÇÃO CHOCA POPULAÇÃO".Segundo o desenvolvimento da notícia, da autoria de João Branco, "O largo da estação, lugar bastante movimentado enquanto a linha férrea esteve activa, é hoje um espaço votado ao abandono. E descaracterizado. Postes de luz estendidos no chão, encostados à parede da estação, uma roulotte e algumas carrinhas, onde mora gente, são a imagem que vê quem, vindo de Mogadouro, decida entrar Macedo por este local." Não me surpreende tal facto.
Acedendo a "vagabundeando.blogs.sapo.pt", pode facilmente apreciar-se o que se passa no troço desactivado entre Carvalhais e Bragança. E, no que particularmente diz respeito à minha cidade (ainda me custa pronunciar tal vocábulo, porque persisto em preferir Macedo de Cavaleiros como uma vila jovem e donzela), muito me custa ler os relatos das aventuras e desventuras de uns jovens (salvo erro, de S.João da Madeira) acerca da sua alucinante incursão pedestre pelo trilho abandonado. No mínimo, provoca dores de alma... Nas vezes que circulo na avenida paralela à D. Nuno Álvares Pereira, "deleito-me" por conduzir num piso que me faz lembrar a antiga N 15. E fico chocado por assistir ao abandono e degradação de um local que deveria ser um marco na História Macedense. Porque não, por uma vez, seguir o exemplo da capital de distrito e reabilitar esta zona?...
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Linha do Tua - Cousas de Escárnio e Maldizer
A Linha do Tua deixou-me marcas indeléveis. Não serei exemplar único no mundo daqueles nos quais corre sangue transmontano. E, creio, em todos os que experimentaram, por uma vez que tenha sido, a "montanha-russa" do Tua. Venho assistindo, como todos, aliás, às insistentes notícias na comunicação social acerca da já tão famigerada Linha do Tua. Se não é pela mais que provável barragem, surge um qualquer acidente ou, de forma mais recatada e regional, a ocupação dos terrenos anexos à antiga Estação da CP de Macedo de Cavaleiros, transformando-a num apeadeiro de campismo ou caravanismo mais ou menos selvagem.
A Linha do Tua faz parte da História de Portugal - e, perdoem-me a presunção, faz parte da minha História. Senão, vejamos: o meu primeiro acampamento escutista foi feito nos terrenos ao lado de uma ponte ferroviária próxima de Vale da Porca (aquela que se pode apreciar no conjunto de fotos identificada como "Ponte I"). Nessa altura ainda circulava o comboio a vapor que nos fazia zarpar das proximidades do rio, quando o dito se aproximava, com o receio de sermos incendiados pelo "cavalo de fogo"; a minha primeira viagem de comboio decorreu entre Macedo e os Cortiços; ao longo dos meus anos de estudante, mercê da titularidade de um Cartão Jovem da CP, aproveitava as Linhas do Douro e do Tua para as minhas deslocações de fim-de-semana. É-me, de todo, impossível, esquecer a azáfama na Estação do Tua para conseguir o melhor lugar nas "napolitanas" encarnadas para uma viagem que tinha início cerca das 11h00 e terminava perto das 14h00 em Macedo. Eram três horas de pura adrenalina, um misto de ânsia na chegada e de receio que um qualquer dia as barreiras erguidas a força de braços e suor no séc. XIX cedessesm. Nunca cederam... Pelos vistos, as cedências apenas ocorrem quando existe a clara intenção de encerrar, em definitivo, o que resta deste pedaço de História... Coincidências ou ironias de um saudosista... Jamais me esquecerei dos aromas das carruagens, da paisagem abismal até perto de Mirandela, da forma como transformava os degraus de acesso à carruagem enquanto fazia aquilo que, nos dias de hoje, é considerado crime - fumar um cigarro, acompanhado pelas brisa e paisagens deslumbrantes. A aproximação a Mirandela incrementava a ânsia de chegar... Carvalhais... Romeu... Cortiços... Grijó... E a recta que antecedia a inalcançável "Estação"...
A Linha do Tua faz parte da História de Portugal - e, perdoem-me a presunção, faz parte da minha História. Senão, vejamos: o meu primeiro acampamento escutista foi feito nos terrenos ao lado de uma ponte ferroviária próxima de Vale da Porca (aquela que se pode apreciar no conjunto de fotos identificada como "Ponte I"). Nessa altura ainda circulava o comboio a vapor que nos fazia zarpar das proximidades do rio, quando o dito se aproximava, com o receio de sermos incendiados pelo "cavalo de fogo"; a minha primeira viagem de comboio decorreu entre Macedo e os Cortiços; ao longo dos meus anos de estudante, mercê da titularidade de um Cartão Jovem da CP, aproveitava as Linhas do Douro e do Tua para as minhas deslocações de fim-de-semana. É-me, de todo, impossível, esquecer a azáfama na Estação do Tua para conseguir o melhor lugar nas "napolitanas" encarnadas para uma viagem que tinha início cerca das 11h00 e terminava perto das 14h00 em Macedo. Eram três horas de pura adrenalina, um misto de ânsia na chegada e de receio que um qualquer dia as barreiras erguidas a força de braços e suor no séc. XIX cedessesm. Nunca cederam... Pelos vistos, as cedências apenas ocorrem quando existe a clara intenção de encerrar, em definitivo, o que resta deste pedaço de História... Coincidências ou ironias de um saudosista... Jamais me esquecerei dos aromas das carruagens, da paisagem abismal até perto de Mirandela, da forma como transformava os degraus de acesso à carruagem enquanto fazia aquilo que, nos dias de hoje, é considerado crime - fumar um cigarro, acompanhado pelas brisa e paisagens deslumbrantes. A aproximação a Mirandela incrementava a ânsia de chegar... Carvalhais... Romeu... Cortiços... Grijó... E a recta que antecedia a inalcançável "Estação"...
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