Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



segunda-feira, 28 de abril de 2008

A Semana - Cousas de Escárnio e Maldizer

A semana não foi fértil em notícias. Se exceptuarmos que o MATA (Movimento Anti Tradições Académicas) diz que continua a existir impunidade relativamente às praxes (a propósito da absolvição do Piaget num processo movido por uma ex-aluna)... Parece-me sugestivo o nome do dito movimento: MATA (???)... Mas não estou aqui para comentar esta forma de um verbo que, por sinal, não me agrada. Estou, antes, porque, é esse mesmo verbo, dando ouvidos aos comentários de fim-de-semana, que estão a aplicar a um dos ícones da minha cidade: a Estalagem do Caçador. Nos longos anos que levo ausente da minha localidade de nascimento, sempre que refiro a minha origem, logo vêm à baila a "estalagem" e a "barragem". Não creio que tal se deva ao facto da coincidência da rima... Deve-se, antes, a serem dois locais que constituem uma forma única de viver. Plagiando o guia "Hotéis Rurais com Encanto", "aqueles que procurarem alguma coisa diferente encontrarão aqui um refúgio de paz e tranquilidade no meio de uma terra agreste e selvagem, que parece ter sido abandonada por Deus e pelos olhos dos homens." Palavras para quê?

Clube Atlético - Sempre a Cousar


Fica a boca amarga pelas derrotas de uns, adoça-se com as vitórias de outros...

4ª Jornada - Fase de Manutenção A2
* Morais 0 - C.A.Macedo 2
* Prado 2 - Valenciano 1

Classificação
1º C.A.Macedo 31
2º Prado 22
3º Valenciano 18
4º Morais 8

Para o ano há mais...

Cousas do Rali TT Serras do Norte


Mais uma visita às origens. Para mais não sirva, é um bálsamo que revitaliza a alma. Acresce a benesse de o calendário ter sido favorável neste mês de Abril, proporcionando um fim-de-semana com características de mini-férias. Juntando a fome à vontade de comer, saíu na rifa a realização de uma prova do Nacional de Todo-o-Terreno por terras Macedenses. Após uma manhã a apreciar as máquinas em repouso, debaixo de um anormal sol escaldante, seguiu-se a avaliação do mapa para escolher o melhor ponto para apreciar as ditas em plenas rotações. Seguindo o conselho de um especialista, dirigi-me para a aldeia de Bousende onde, nas imediações, poderia recolher algumas imagens fora do bulício das multidões. A sorte não foi madrasta e dei por mim a seguir dois todo-o-terreno com insígnias da imprensa especializada em provas motorizadas. Se os conhecedores seguiam por trilhos pouco recomendáveis a um veículo ligeiro, isso não serviu de entrave a que me aventurasse por "carreiros" de montanha, pouco habituados a mais do que a circulação de veículos agrícolas. Com maior ou menor dificuldade, consegui chegar a um destino paradisíaco onde não havia mais de 10 pessoas, os ditos 2 todo-o-terreno da imprensa, um outro particular e um tractor agrícola. Instalei-me "confortavelmente" num banco improvisado de pedras e foram breves minutos até ouvir ao longe o roncar do primeiro participante. O resto... O resto está nas fotos...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Cousas p'ra descontrair

Como é possível? Um auto-golo fabuloso na "recarga" a um penalty falhado? Estranho...

terça-feira, 22 de abril de 2008

A Semana - Cousas de Escárnio e Maldizer


A Comissão Permanente da CCDR-Norte (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte) foi eleita. A primeira novidade reside no facto de, apesar de estar prevista na lei, a constituição destes órgãos não passava, até à data, de mais um "mito burocrático". A segunda novidade é que um dos vogais (e único representante do distrito) é o Presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros. Fica o desejo de que os interesses de toda a Região Norte e, particularmente, os do Nordeste Transmontano sejam defendidos com firmeza e determinação. E que a defesa dos mesmos não inviabilize o progresso que se espera para a cidade de Macedo. Não será essa a razão, seguramente, para que se mantenha, desde há bastantes meses a esta parte, um dos acessos à cidade para quem vem da Serra de Bornes, num estado lastimável. Escuso-me à referência relativa à rotunda criada para acesso aos Merouços, pelo teste que representa aos veículos que tenham que ser inspeccionados na vertente dos amortecedores. Ou, apesar de não constar do circuito do Rali TT Serras do Norte, nada me admira que sirva, pelo menos, de pista de treino...
Foi prometido, pelo anterior Ministro da Saúde, um helicóptero para Macedo de Cavaleiros para fazer face ao encerramento de alguns SAP. Fico a saber que, para além desse meio, estavam previstas duas ambulâncias SIV (uma para Macedo, outra para Mirandela) para o mesmo efeito. Vem agora a nova Ministra, numa visita "solidária" ao Centro Hospitalar do Nordeste, afirmar que os célebres processos burocráticos atrasaram a vinda dos ditos meios. Para breve (mesmo sabendo qual o conceito de "breve" para os nossos governantes) o Nordeste estará dotado dos meios adequados. Até lá, sinto-me, como transmontano, burlado...
E, por falar em burla. Parece que mais um idoso foi burlado em cinco mil euros. O dito senhor da aldeia de Malta, ou não vê atentamente as notícias ou, num claro acesso de "riqueza fácil" deixou-se cair no conto do vigário. Para mais não sirva este caso (e já é o segundo noticiado em pouco tempo), que contribua para que os "velhinhos" (e isto é escrito em tom carinhoso) não se deixem arrastar pelas tentativas de gente sem escrúpulos que sabe, de antemão que, no país que vivemos, a punição passará sempre pela impunidade...

(Imagem - Copyright "Semanário Transmontano")
Impunes não podem ficar as Estradas de Portugal pelo desleixo a que têm votado a EN102 na freguesia de Grijó. Segundo as palavras do Presidente da Junta de Freguesia, as silvas são cortadas pelos veículos que vão passando. A existência do troço do IP2 não justifica a vergonha com a qual se depara quem decide circular pela estrada nacional entre Macedo e Grijó. Abandonados mas nem tanto...

Cousas de Lamas e da Sra.do Campo

Cousas p'ró Rali




Para os interessados em assistir à prova do próximo fim-de-semana por terras de Macedo:

Super-Especial - 7,7 Km - Podence
No IP4, bem perto de Macedo de Cavaleiros sair para Podence, onde terá início a super-especial. Ao longo da EN 316 para Zoio e Vinhais, poderá ver várias partes do percurso que acaba por tocar e terminar nesta E.N.

Sector Selectivo
Ponto 1 – Zona Industrial de Macedo de Cavaleiros – Km 10
Na EN 15 depois de cruzar o IP4 andar mais 400 m saindo à direita para a Zona Industrial, percorrendo mais 500 após passar pelo início da especial numa zona alta, poderá ver o percurso durante cerca de 3km numa zona ampla muito visível, desenhada para o efeito. Atenção que não existe uma saída do IP4 para a Zona Industrial.

Ponto 2 – Zona Espectáculo da Sra. Do Freixo – Km 45
Na EN 102 Macedo de Cavaleiros – Guarda após a rotunda de acesso ao IP2 andar 1,4 km até Grijó. Após percorrer mais 1,8 km passando por debaixo do IP2 está em Vale Benfeito, andando mais 2 Kms, virar á direita para uma Estrada Municipal, com a indicação “Santuário Srª. do Freixo”, 700 metros depois, encontra percurso da prova.

Ponto 3 – Zona de Espectáculo de Castelãos – Km 80
Na EN 216 Macedo de Cavaleiros – Mogadouro após 3,2 km cortar à direita para Castelãos e Vilar do Monte. Após 900 m no meio da aldeia, e já na estrada de empedrado junto a um fontanário, cortar à esquerda, após percorrer mais 100 m em frente sobre direita a subir, e 500 m depois encontra prova numa zona rápida a descer com um gancho.

Ponto 4 - Zona Espectáculo da Camba – Km 98
Em Macedo de Cavaleiros seguir na EN 216 para Mogadouro e Miranda do Douro, após percorrer 11 km está em Chacim, andar mais 3,5 kms ainda na EN 216, deixa á direita a indicação para “Gebelim” (prova passa a cerca de 500 metros em direcção a Gebelim), andando mais 1,9 Km, encontra a Zona Espectáculo junto à EN.

Ponto 5 - Zona Espectáculo de Morais – Km 125
Seguindo na E.N. 216 a cerca de 4,3 km de Macedo de Cavaleiros, seguir á esquerda na indicação de Izeda, Barragem do Azibo, Vimioso, e após percorrer 1,3 km prosseguindo sobre a direita para Vimioso e Santuário de Sto. Ambrósio. Seguir indicação de Vimioso e após percorrer mais 6,9 deverá prosseguir para Morais, que irá encontrar após andar 6,4 km. Nesta localidade, junto aos semáforos seguir pela direita em direcção a Lagoa andando na EN 217, e após percorrer 1,2 km seguir para terra, onde encontrará o percurso num gancho com grande visibilidade com uma capela abandonada.

Rali TT Serras do Norte




Para aguçar o apetite para o próximo fim-de-semana

Mais Cousas do Clube Atlético


E continua a saga vencedora. Para o próximo ano, lá estaremos a lutar (espero) para a subida à II.
3ª Jornada - Fase de Manutenção A2
* C.A.Macedo de Cavaleiros 3 - Valenciano 1
* Morais 0 - Prado 2

Classificação
1º C.A.Macedo 28
2º Prado 19
3º Valenciano 18
4º Morais 8

terça-feira, 15 de abril de 2008

Mais Linha do Tua - Cousas de Escárnio e Maldizer


Copyright Ricardo Taveira

Não tencionava escrevinhar mais sobre este tema. Não que o dito tenha deixado de me dizer respeito. Pelo contrário: sou um dos quase 3.000 signatários da petição Tua Viva e, para além disso, vou consultando, diariamente, a evolução do "contador". Todavia, no decorrer dos serviços noticiosos da estação televisiva que todos (ainda) pagamos, surgiu, estranhamente, a notícia sobre a dita petição. Sendo a estação pública, haverá algo na manga do género "complot anti-pretensões da EDP"?...
No desenvolvimento desta notícia, somos informados de que, amanhã, dia 16 de Abril, se reunem os autarcas de Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Alijó para "concertar posições para negociar compensações pela construção da barragem". A crer nas notícias veiculadas no site da RTP, o único autarca que se manifesta, abertamente, contrário às pretensões da EDP é o Presidente da Edilidade Mirandelense, José Silvano. (Deixo de lado as rivalidades históricas entre Macedo e Mirandela para aplaudir esta atitude de verdadeira raça!). O que lamento, a ser verdade, são as afirmações atribuídas, no mesmo site, a Artur Pimentel, Presidente da Câmara de Vila Flor: "Nós temos sempre pena das pessoas que nos são queridas e morrem, mas temos de olhar para o futuro e o futuro é a barragem não é a linha do Tua". Sr. Presidente, com o devido respeito, que comparação infeliz! Ou, mesmo que não creia em tal suposição, ainda não deve ter passado pela verdadeira fatalidade de perder uma pessoa querida que morre. Sou um acérrimo defensor da manutenção da Linha do Tua. Mas não apenas, como diz, por ser "um saudosista da linha do Tua". A Linha do Tua representa muito mais que saudades: representa património, história, suor e lágrimas. Mas, caso acredite no progresso a qualquer custo, porque não experimenta, em nome de um qualquer futuro, explicar aos seus munícipes a destruição, por exemplo, da magnífica Fonte Romana ou do Arco de D.Dinis? Ou ainda a Igreja de S.Bartolomeu? Ou, quiçá, a escadaria de acesso aos Paços do Concelho?... E, já agora, proponha-lhes, de igual forma, o encerramento do fantástico Parque de Campismo (não faça isso, porque também sou saudosista, passei lá momentos inolvidáveis da minha juventude)...
Menos chocantes são as afirmações atribuídas ao Sr. Presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, Eugénio de Castro "lembrando que há mais de cem anos a construção da linha do Tua foi em si uma grande ofensa ao ambiente". Provavelmente, terá sido um atentado ao «ambiente de isolamento» em que viva (e ainda vive) o Nordeste Transmontano...
Saudosista, pela resignação patente, é a iniciativa - ainda assim, de louvar - da NEPA (Núcleo de Estudos para a Protecção Ambiental da UTAD) : «Fo[Tua]grafia» - Registo da última Primavera intacta na Linha do Tua, efectuado por fotógrafos profissionais. Mais não acrescente, deixará para a posteridade o registo de um ambiente único, inalienável e insubstituível. Este reparo em forma de lamento fica na esperança de que, daqui por uns largos anos, ainda seja possível registar Primaveras intactas na percurso da Linha do Tua. E, preferencialmente, sem o recurso a imagens subaquáticas...

Cousas de um Mundo Distinto

Cousas Preciosas do YouTube




A 'nha Terra é LINDA!!!!

Cousas de Transmontanos!!!!!!!




Podem não ser de Macedo, mas devem ser primos. E, "catancho", são de gema!!! Bota binhaça!!!

domingo, 13 de abril de 2008

A subir com a ajuda dos vizinhos


Após a indigestão causada por não ver o meu Clube Atlético nas contas da subida, eis que as 2 primeiras jornadas da fase de manutenção na III Divisão estão a correr de feição. Não transformaram o Prado no dito de Cavaleiros, mas trouxeram um saboroso empate a zero que, aliado à ajuda dos nossos vizinhos de Morais que bateram o pé ao Valenciano, coloca o Clube Atlético numa posição invejável para, na próxima época, disputar, de novo os Campeonatos Nacionais. Pena tenho que que os que agora ajudaram tenham as contas difíceis para não regressarem ao Distrital.

2ª Jornada - Fase de Manutenção A2

* Prado 0 - C.A.Macedo de Cavaleiros 0
* Morais 2 - Valenciano 1

Classificação
1º C.A. Macedo Cavaleiros 25
2º Valenciano 18
3º Prado 16
4º Morais 8

Gratidão

As dissertações que antecedem este comentário foram efectuadas num conceito do tipo "conversa de mim para mim". Às seguintes, aplicarei o mesmo conceito. Porém, não deixa de ser agradável verificar que, ainda na primeira infância, as "Cousas de Macedo de Cavaleiros", já tiveram ilustres visitantes. Daí, a gratidão: obrigado Vimioso; obrigado Sobreira (Vila Real); obrigado Rio Tinto; obrigado Porto; obrigado Santa Maria da Feira. E lamento não ter aqui um "obrigado Macedo"... Há-de chegar o dia.

sábado, 12 de abril de 2008

Linha do Tua III - Uma Achega

Bem haja quem lançou a ideia de uma petição on-line para a preservação da Linha do Tua. Para os interessados : "www.petitiononline.com/tuaviva".
Uma achega final: no próximo dia 18 de Abril celebra-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, vocacionado para o Património Religioso e Espaços Sagrados. Não tendo a veleidade de considerar a Linha do Tua enquadrada no âmbito de Património Religioso, assumo que, pelas marcas que deixa na minha História e na História do Nordeste Transmontano, é lícito que a considere um "ESPAÇO SAGRADO"...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Linha do Tua II - Cousas de Escárnio e Maldizer


Após uma breve interrupção para cometer um "crime" (idêntico ao que cometia nos degraus das "napolitanas")... E regressando à História...
Caso os notáveis Abílio Beça e Clemente Menéres regressassem ao mundo dos vivos, certamente que dariam umas traulitadas a todos aqueles que hoje se encarregam de, ainda que de forma indirecta, denegrir o esforço e a persistência que colocaram na empreitada de ver o Nordeste Transmontano servido por transporte ferroviário. E muitas voltas no túmulo devem dar caso, no "Mundo Desconhecido do Além", chegarem as novas de que o distrito de Bragança é o único representante no restritíssimo grupo dos que não possuem um quilómetro que seja de auto-estrada e que, para além disso, pretendem transformá-lo no único sem ferrovia... Até El-Rei D.Luís se deve estar a questionar do porquê da jornada empreendida a 29 de Setembro de 1887 para a inauguração oficial da Linha que hoje querem submergir. Intrépido deve estar El-Rei D.Manuel I por ser conhecedor de que a próxima travessia do Tejo não envolve a demolição dos Jerónimos...
Na última semana, ao consultar a imprensa regional, deparo-me, no Semanário Transmontano com a notícia de que o "ABANDONO DO LARGO DA ESTAÇÃO CHOCA POPULAÇÃO".Segundo o desenvolvimento da notícia, da autoria de João Branco, "O largo da estação, lugar bastante movimentado enquanto a linha férrea esteve activa, é hoje um espaço votado ao abandono. E descaracterizado. Postes de luz estendidos no chão, encostados à parede da estação, uma roulotte e algumas carrinhas, onde mora gente, são a imagem que vê quem, vindo de Mogadouro, decida entrar Macedo por este local." Não me surpreende tal facto.
Acedendo a "vagabundeando.blogs.sapo.pt", pode facilmente apreciar-se o que se passa no troço desactivado entre Carvalhais e Bragança. E, no que particularmente diz respeito à minha cidade (ainda me custa pronunciar tal vocábulo, porque persisto em preferir Macedo de Cavaleiros como uma vila jovem e donzela), muito me custa ler os relatos das aventuras e desventuras de uns jovens (salvo erro, de S.João da Madeira) acerca da sua alucinante incursão pedestre pelo trilho abandonado. No mínimo, provoca dores de alma... Nas vezes que circulo na avenida paralela à D. Nuno Álvares Pereira, "deleito-me" por conduzir num piso que me faz lembrar a antiga N 15. E fico chocado por assistir ao abandono e degradação de um local que deveria ser um marco na História Macedense. Porque não, por uma vez, seguir o exemplo da capital de distrito e reabilitar esta zona?...

Linha do Tua - Cousas de Escárnio e Maldizer

A Linha do Tua deixou-me marcas indeléveis. Não serei exemplar único no mundo daqueles nos quais corre sangue transmontano. E, creio, em todos os que experimentaram, por uma vez que tenha sido, a "montanha-russa" do Tua. Venho assistindo, como todos, aliás, às insistentes notícias na comunicação social acerca da já tão famigerada Linha do Tua. Se não é pela mais que provável barragem, surge um qualquer acidente ou, de forma mais recatada e regional, a ocupação dos terrenos anexos à antiga Estação da CP de Macedo de Cavaleiros, transformando-a num apeadeiro de campismo ou caravanismo mais ou menos selvagem.
A Linha do Tua faz parte da História de Portugal - e, perdoem-me a presunção, faz parte da minha História. Senão, vejamos: o meu primeiro acampamento escutista foi feito nos terrenos ao lado de uma ponte ferroviária próxima de Vale da Porca (aquela que se pode apreciar no conjunto de fotos identificada como "Ponte I"). Nessa altura ainda circulava o comboio a vapor que nos fazia zarpar das proximidades do rio, quando o dito se aproximava, com o receio de sermos incendiados pelo "cavalo de fogo"; a minha primeira viagem de comboio decorreu entre Macedo e os Cortiços; ao longo dos meus anos de estudante, mercê da titularidade de um Cartão Jovem da CP, aproveitava as Linhas do Douro e do Tua para as minhas deslocações de fim-de-semana. É-me, de todo, impossível, esquecer a azáfama na Estação do Tua para conseguir o melhor lugar nas "napolitanas" encarnadas para uma viagem que tinha início cerca das 11h00 e terminava perto das 14h00 em Macedo. Eram três horas de pura adrenalina, um misto de ânsia na chegada e de receio que um qualquer dia as barreiras erguidas a força de braços e suor no séc. XIX cedessesm. Nunca cederam... Pelos vistos, as cedências apenas ocorrem quando existe a clara intenção de encerrar, em definitivo, o que resta deste pedaço de História... Coincidências ou ironias de um saudosista... Jamais me esquecerei dos aromas das carruagens, da paisagem abismal até perto de Mirandela, da forma como transformava os degraus de acesso à carruagem enquanto fazia aquilo que, nos dias de hoje, é considerado crime - fumar um cigarro, acompanhado pelas brisa e paisagens deslumbrantes. A aproximação a Mirandela incrementava a ânsia de chegar... Carvalhais... Romeu... Cortiços... Grijó... E a recta que antecedia a inalcançável "Estação"...

Linha do Tua




Fontes (Direito de Autor):
* fotos.afasoft.net
* drehscheibe-online.ist-im-web.de
* terraquentedigital.espigueiro.pt
* vagabundeando.blogs.sapo.pt
* linhadotua.net

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cousas do Clube Atlético


Apesar da distância, procuro obter, sempre que possível, notícias do clube da "santa terrinha" (clube, aliás, onde dei os meus primeiros pontapés na bola com um treinador - à altura, "mister" - a dar instruções à miudagem). Não posso perder a oportunidade de manifestar o desencanto pelo facto de o dito manter uma página na net desactualizada, na companhia de uma informação preciosa: "em construção". Construção demorada, esta... Ora bem, parece que se iniciou a 2ª fase da III Divisão (a dita de manutenção) no passado fim-de-semana. A vitória por 4-0 sobre os vizinhos de Morais não deixa margem para dúvidas. Acredito piamente que não haverá lugar à descida de divisão. Fico a aguardar pela jornada do próximo fim-de-semana, esperando que os atletas macedenses transformem a equipa do Prado num verdadeiro Prado dos Cavaleiros.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Folaradas (II)



Uma imagem nada aconselhável para quem esteja com o apetite com que eu estou neste momento. Contudo, vale a pena apreciar o (quase) resultado final de uma longa tarde de labuta. Mas ainda o vale mais, ter conhecimento que alguns do que constam no retrato para a posteridade já foram devidamente devorados e apreciados. Aliás, um deles foi consumido ainda quente, tal era a voracidade dos presentes... Para o ano haverá mais, seguramente. Assim estejam disponíveis as ajudantes e a vontade se mantenha. Até lá, aguardam-me alguns que ainda se mantêm congelados, apenas para quando as saudades surgirem...

Folaradas

Com alguns "desnorteados", a tradição ainda é o que era. Talvez seja obstinação... Seria mais fácil ir à padaria e comprar o folar já feito: poupava-se o trabalho, mas perdia-se o prazer de saborear algo feito por nós. Para os desconhecedores, a imagem pode até ser um pouco repugnante, mas o resultado final deveria fazer parte dos melhores manuais de gourmet. Mesmo tendo que requisitar a preciosa ajuda de duas especialistas, não resistimos à empreitada... No meu caso pessoal, foi reconfortante assistir a toda uma panóplia de preparativos. Na Quinta-feira Santa, foi o tiro de partida: a família reuniu para cortar as carnes que fazem parte do recheio. Fazendo jus à minha apetência pelo bom fumeiro transmontano, não resisti a surripiar alguns pedaços, enquanto os protestos iam surgindo... Aproximava-se a Sexta-feira Santa e mais uma tradição familiar e cultural tinha que ser cumprida: não havia direito a carne durante um dia. Feriado esse que foi ocupado com a laboriosa tarefa da elaboração dos ditos folares. Tratou-se de um regresso à infância, quando acompanhava a minha mãe naquele ritual que incluía acender o forno, amassar, rechear, enformar, cozer e, finalmente, comer...

Origens


Haverá sempre imagens que nos seduzem. Outras que nos transportam até às origens. É a essas origens que procurarei dedicar-me enquanto a minha paciência resistir. Para já, fica a promessa: não aos que, presumivelmente, poderão aceder a este blogue, mas a mim próprio. Há uns largos anos, Miguel Esteves Cardoso escreveu a "Causa das Coisas". Sem a presunção de querer imitar o inimitável, tentarei escrever a "Causa das Cousas"...