Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Alucinações democráticas ou a incoerência anti-democrática

Há sinaléticas provindas do manancial noticioso que me geram um irreprimível ímpeto de escarnecer. Os dividendos a retirar poderão ser uma míngua, mas hoje acrescentei algo mais para debelar a minha ignorância. Pretendia efectuar um jogo de palavras com outra forma verbal cujo significado é o mesmo de “escarnecer”. Fui, entretanto, assolado por uma dúvida gramatical, derivada daquelas situações em que não nos sentimos abrangidos pela intelectualidade, nas quais não se sabe se determinado vocábulo se escreve com “o” ou “u” ou, no caso presente, com “e” ou “i”. Como a demonstração de qualquer tipo de fraqueza lexical pode diminuir o estado de graça do ego, nada como consultar uma obra de referência à qual chamam “dicionário”, assumindo uma postura de “estou só a confirmar o significado de uma palavra”… Bem, isto sou eu… Não pretendo insultar todos aqueles que optam pela mesma solução mas não querem ser expostos ao “vexame” a que estou a expor-me… Todavia, estou com um sorriso estampado no rosto. Desta vez tinham toda a licitude as minhas dúvidas: existe “escarnear” e “escarniar”! E bendita seja a Língua Portuguesa! Para lá de poder “escarnecer” na Lua Cheia, “escarnear” ou, alternativamente, “escarniar” no Quarto Minguante, ainda vou poder “escarninhar” na Lua Nova e “escarnicar” no Quarto Crescente, restando-me “escarnefuchar” quando o céu estiver coberto de nuvens… E, dependendo da intensidade do brilho lunar, é-me facultada a possibilidade de elaborar “cantigas de escárnio”, de “escarno” ou de “escarnicoto”, apreciando particularmente a sonoridade da última versão… Como o céu se apresenta com as constelações escondidas, substituo, então, o ímpeto de escarnecer pelo de escarnefuchar, através de uma cantiga de escarnicoto. O que se aprende com uma simples consulta… Partilhado o impressionante resultado de uma dúvida, posso partir para os “escarnefuchos” (esta é “escarnicotamente” invento de ocasião, tal como o advérbio de modo, só para dar emoção à elocução…). Sinto-me um prosaico poeta da democracia anti-democrática. Não pelos escarnicotos (achei-lhe mesmo piada) que possa escrever - que esses, por vezes, podem rimar com terminação semelhante, na dependência de quem tem pachorra para os ler. Mas porque a montanha pariu um rato… Que pode ser um rato democrático ou anti-democrático, consoante a montanha saia de um conjunto de serras que tomem o nome de Coroa ou Montesinho, ou de um outro que se assuma como Bornes ou Nogueira. Escalpelizado de outra forma menos “escarnicota”… É, pelos vistos, uma postura anti-democrática ter o concelho de Macedo cerca de 1/3 das freguesias com uma lista única para o acto eleitoral que se segue. Não discuto esta visão da actual oposição camarária, já que possui toda a legitimidade para assim pensar. Contudo, daria o que tenho e o que não tenho para auscultar a opinião dos meus amigos opositores (sim, porque por lá os tenho) acerca dos 2/3 de freguesias do concelho de Vinhais antecipadamente vitoriosas pelo partido da rosa… Isso, sim, seria coerência política! Deveria a concelhia socialista de Macedo enviar uma delegação de apoio solidário, pelos valores democráticos, à homóloga social-democrata da terra onde possuo a ascendência paterna! E vice-versa! Ou terá este “crime anti-democrático” um regime jurídico distinto na parte setentrional do distrito? Silêncio!… Que se vai cantar o fado dos Fontanários do Jardim que não se vêem da Almeida Pessanha (mas que em tempo algum deveriam ter tido o seu parto)… Ou o da Zona Industrial que não tem acessos e passeios condignos (há indústria em Macedo?)… Ou o dos “raros contratos de expropriação” (e as piscinas?… e as piscinas?)… E outros fados mais que, de tão impróprios, referência não merecem… Honestamente, esperava uma discussão pautada pela elevação política. Como macedense, gostaria de ver a minha terra guindada a um patamar de excelência. Independentemente de quem estivesse à frente dos seus destinos. Na minha terra adoptiva, como já confessei, desejo ver uma cor na autarquia e outra na freguesia. Contudo, aquilo que me foi dado a ver neste último fim-de-semana, em que por terras macedenses andei, comprovou o que já suspeitava pelas notícias que me iam chegando, quer através de amigos e conhecidos, que por via da imprensa. O nível do confronto político atingiu, em Macedo, uma fasquia que considero a roçar o asqueroso. Aquele último episódio envolvendo tentativas de agressão, lá para os lados do “umbigo do mundo”, foi apenas o culminar do expectável… Tenho pena… Muita pena mesmo… Pelas pessoas que, ainda assim, considero… Pelos macedenses… Pela terra e pela gente… De que vale este desabafo? Nada mais que um suspiro à distância de um filho da terra que gostaria de reviver a amplitude do Jardim, de assistir ao renascimento da Estação, de verificar a manutenção da magnificência do Azibo, de incrementar o orgulho numa terra que foi capaz de desenterrar o seu passado através da persistência de quem deu vida ao Museu Arqueológico e ao de Arte Sacra, de voltar a tomar um café na Estalagem… Mas, acima de tudo, este desabafo vale pelo infortúnio de, na presente campanha eleitoral, se hipotecar o futuro com estéreis discussões envolvendo o passado… E com tiros no próprio pé…

Sem comentários: