Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



sexta-feira, 11 de março de 2011

O espírito da alma, "si u hai"...

..."Ou lá o que caraltchas sprita um home. Boa jeira, pró catano co as almas do outro mundo! Bem m'ou finto q'andim puri ó Deus dará, bôs aldrúbias se m'assaírum os lorpinhas que bêim cousas a boar à neitinha. São mim piores os lapouços alapados que nos racosim cos impostos"!... E era uma vez mais um Entrudo, lá, onde o País Merdoso (que merecemos) acaba e o Reino Maravilhoso (que temos) começa. Algures num encantamento dos sentidos, onde, por terra do olvido ser, nos esquecemos efemeramente das agruras de Fê-Mê-Is, Merqueles, U-És e Dói-techelandes. E como dói!!! Não propriamente a "techelande" (não está incluída n' "a cor do horto gráfico")... Esta algia que consome provém da visão da "tachalândia", variação em "dor maior" para um país onde a grande maioria vai afinando pelo acorde de "réu menor"... Enquanto a pena não se agrava, desagrave-se a coisa, recorra-se a mágicas poções embrulhadas a saber, aliviem-se neuronais sistemas atrofiados por recurso a gustativas papilas excitadas por atmosferas adornadas a ancestrais aromas. "Bota-s'um butelo por as goelas abaitcho, infia-s'um azedo de companha, mama-s'ua pinga" e ficam anestesiados os sentidos por breves instantes. Como se o sistema filosófico passasse a ter a omipresença de Platão em detrimento de Sócrates... "Ou cousa que se l'apareça, digo ou"... E digere-se o fausto banquete em incursões a "Tchucalheiros Intrudos", lá para os lados das terras que de D.Podêncio devem ter sido. Amealham-se uns trocados de folia, amputam-se as invisíveis extremidades que nos decoram a alma, como se fôssemos gado miúdo permanentemente encornado pelo graúdo gado do leme, e... Esquecemo-nos. Da vilipendiada gente que somos, escondendo o atrofiamento por detrás de uma ancestral máscara, Caretos somos, ou Caretos queremos ser, numa emocional descarga de chocalhos, secretamente desejando que as artérias de Podence ou Macedo se metamorfoseiem, mágicas encenações de Entrudo, e se pintem a corredores de S. Bento... Ilusões, insanas ilusões... Lenitivo desejo... E espantem-se os espíritos, ou casem-se os vivos! Apregoem-se os casamenteiros e desça-se em procissão de deslumbramento, traje-se a face a incontidos sorrisos, extasiem-se os ouvidos com admiráveis choros das de foles, arregalem-se os olhos que se queima o boneco. E aqueçam-se os "pur dentros" com uma queimada, aperitivo para outras sonoridades. Revejam-se velhos amigos, encante-se a alma de xisto com acordes outros, afague-se a noite na festiva tenda, fundam-se os glóbulos de pedra nas raízes dos sons. E baile-se, num baile que se deseja eterno, infantis regressões, mundos outros onde a percussão nos invade a nostalgia e a gaita-de-foles nos rega as memórias. Deixamo-nos encantar pela euforia de gente que contagia, roncos, do diabo os dizem, di-los-ei eu celestiais, se é que por lá aceitam musicais derivações de belzebu. Por cá, por este pedaço de terra à beira Azibo plantada, foi o céu. Estrelado também, nocturna pintura de indescritível sabor, galeria de arte de pétreo mar. Olhos pregados na hipnose da noite, silêncio quebrado pela sinfonia que vem do interior da tenda de todos os encantos, arrepios da alma, a maldade de um cigarro por companhia no frio exterior. E ao longe, lá onde repousa a albufeira, pirilampos da noite de aldeia esquecida, olhar perdido em horizontes de vasta escuridão, sonhos quebrados pelo chamamento de mais uma melodia que relembra anciãos seres, Zoelas quiçá, infâmes desejos de ancestralidade perdida, ou de distinção esquecida. É a gente, as pedras, os aromas, os gostos... É a terra... A minha... A minha terra...