Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quinta-feira, 28 de agosto de 2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

domingo, 24 de agosto de 2008

Outra vez as Cousas da Linha do Tua

É verdade que já não circulo na dita linha desde que a encerraram a partir de Mirandela. Tudo o que possa adiantar sobre o actual estado da mesma seria pura especulação e, porque não, irresponsabilidade. Contudo, o recente acidente despertou-me as entranhas. Como tal, não me contive e decidi contrariar a vontade de não mais escrevinhar sobre uma morte mais que anunciada. É indesmentível a beleza única da paisagem que faz companhia ao também único percurso que se faz entre o Tua e Mirandela. É, de igual forma, indesmentível a dificuldade em manter a Linha do Tua funcional. Indesmentíveis são muitas outras coisas... Entre as quais, os números, particularmente os que respeitam aos acidentes ocorridos no último ano e meio. E os mesmos números correspondentes a 120 anos de história da linha, que começou no séc. XIX, fruto da intrepidez de visionários que não recearam a montanha-russa que representam as escarpas do Rio Tua. Confesso que, nas muitas viagens que fiz, fui assaltado por alguns pensamentos pessimistas, especialmente quando olhava para o vazio e imaginava o que poderia suceder na eventualidade de um descarrilamento. A verdade é que esses receios nunca se concretizaram. Talvez porque ninguém pensava em barragens na altura... Ou porque não havia planos de TGV... Ou talvez porque tudo era feito em regime de quase amadorismo, sem LNEC's e restantes entidades veladoras da nossa (in)segurança...
Sinto invadir-me por uma sensação de resignação. Já li em vários jornais a expressão "máfia hidráulica". Não deixo de me arrepiar ao pensar que tal seja possível. Porque, até à data, os acidentes já representaram a perda de vidas humanas. Reconheço que, haja crime ou não, o melhor é não arriscar... Façam lá a barragem e, se possível, devolvam o território às Astúrias, que foi onde os Romanos o colocaram inicialmente quando por cá estiveram. De uma coisa tenho a certeza: não seríamos mais vilipendiados do que aquilo que já somos...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Cousas do descanso


Os ares macedenses revitalizam até a mais penada das almas. Mesmo considerando a habitual invasão do mês de Agosto, não deixam de ser revigorantes as incursões às maravilhas que marcam a paisagem concelhia. No decorrer de quase três semanas, foi-me possível redescobrir os encantos representados pelos reencontros que pautam o período de férias. Sejam os mesmos com amigos que já não se viam há muito tempo ou com a família que se mantém sempre disponível para mais uma "merenda". Contudo, existe mundo para além das pessoas que, de uma forma ou de outra, marcam o percurso das nossas vidas. Não há período de descanso de Verão que não seja marcado pelo desfilar de música "popular" (para não utilizar a adjectivação mais comum...). Mesmo a contragosto, reconheço que, no meu caso particular, uns dias de Agosto passados em Macedo não seriam os mesmos sem os acordes, mesmo que ouvidos à distância, de Quim Barreiros e demais artistas em tudo semelhantes. É típico, dizem uns. Piroso ou pimba, apelidam-no outros. Seja como for, Agosto é mês de arraiais, de "tunning", de discotecas ambulantes, de poliglotas, de festas com carácter mais ou menos "popularucho". Mesmo que possa incomodar, é sabido que, sem a presença massiva destas manifestações "culturais", o calendário seria distorcido e saltaríamos de Julho para Setembro...
Como não sou adepto de grandes ajuntamentos, aproveito, na maior parte do tempo, para me refugiar em locais onde me transformo num autêntico asceta. Quando não me recolho ao conforto familiar do sofá, onde aproveito para colocar a leitura em dia (ou, neste mês, para assistir, fora-de-horas, às transmissões olímpicas), invisto o meu tempo a deambular pelos caminhos que pouca mais gente percorre. Foi dessa forma que, numa gorada tentativa de descobrir a Fraga dos Corvos, me perdi em plena Serra de Bornes. Apesar do contratempo e de alguma atrapalhação, aproveitei a ocasião para mais uns registos fotográficos. Já em Vilar do Monte recebi preciosas informações para a próxima incursão.
Coroada de êxito revelou-se a excursão, na companhia dos meus "pirralhos", à Terronha de Pinhovelo. Tendo efectuado um reconhecimento prévio, a aventura foi fascinante, particularmente para os "pequenos arqueólogos". De tal forma que já me solicitaram novas expedições. Especialmente, depois de lhes aguçar o apetite com uma visita ao Museu Arqueológico e de terem devorado a edição nº 5 dos "Cadernos Terras Quentes". Por mencionar o Museu Arqueológico, ainda que insignificante, deixo aqui um voto de louvor à iniciativa, à sua localização e às instalações. Bem como à simpatia de quem nos recebe. Porém, como não há bela sem senão, os "pirralhos" protestaram de forma veemente contra o parco espólio constante no dito museu (apesar das minhas explicações para a infância das investigações arqueológicas no concelho). Da minha parte, lamentei a ausência na exposição da moeda visigótica de Witiza (sei que está em boas mãos).
Ainda em termos arqueológicos, um lamento enorme em relação ao estado deplorável em que se encontra o único registo de megalitismo no concelho: a Mamoa de Santo Ambrósio. Entristeceu-me profundamente verificar tal estado, mesmo tendo sido informado das limitações com que se depararam os arqueólogos que procederam às escavações.
E, como nem só de pretendentes a Indiana Jones se fazem umas férias macedenses, não poderiam faltar as aventuras "azibescas". O local está, a cada ano que passa, mais aprazível. Em Setembro, fora das multidões, aproveitarei, seguramente, para uns momentos mais calmos nas suas imediações. E não deixarei de aproveitar a permanência para um passeio na nova atracção turística que representam as "charretes".
Como um bom transmontano tem que ser "bom garfo", nada como aproveitar uma tarde domingueira para "marfar" um bom leitão assado em forno a lenha na magnífica envolvência das centenárias árvores que marcam a paisagem do cabeço onde se situa o Santuário da Senhora do Campo. Pena, pena, é só ter o Azibo no horionte do campo visual. Porque, caso estivesse mais próximo, seria caso para se dizer que se estava muito perto do paraíso. A intervalar o repasto, umas voltas mais por estradas de terra batida. Uma nota para quem resolveu (e bem) construir a sua vivenda fora do bulício "citadino", entre a Senhora do Campo e Latães. Deveria ter mais cuidado com os seres canídeos que se revelam demasiado ameaçadores para quem está de passagem...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Cousas de uns dias de descanso


Como diria o ex-seleccionador nacional: "E o burro sou eu?"... Neste caso particular, sem descartar a probabilidade de, em algumas circunstâncias, ter algumas atitudes que se assemelhem ao retratado, o dito foi apanhado desprevenido, por entre as minhas deambulações estivais por terras macedenses. Por tal, desta vez (pelo menos), o burro não sou eu. Subjectivamente, óbvio é...

Porque, caso alguma alma desprevenida tenha tido o ensejo de apreciar um tolo, numa corrida desenfreada em chinelos de dedo, debaixo de um calor infernal, pelas margens da Albufeira do Azibo, com o objectivo de captar para a posteridade uma assustada ave, seguramente que optaria por considerar que o dito tolo era mais asno que o sobredito do retrato. "Anyway", valeu a pena. Não apenas pelos registos fotográficos conseguidos. O mergulho retemperador que se seguiu à louca corrida à Obikwelu foi recompensa bastante. A única desdita reside na invasão ocorrida às águas da albufeira por uma extensa família de arbustos aquáticos. Na minha ignorância, desconheço se a presença dos magotes arbustivos é sinónimo de saúde aquática. Na minha sabedoria de nadador-amador, fugidio de idênticos magotes, mas de veraneantes invasores das magníficas praias do Azibo, "enlouquece-me" não poder repetir os mergulhos de anos anteriores, afastado da "civilização" representada por plantações de chapéus-de-sol. Talvez o busílis da questão resida na tentativa de obter a exclusividade de uma área onde os meus ouvidos não sejam massacrados por gritos histéricos e por areia esvoaçante. Parece que, infelizmente, criei "maus" hábitos no decorrer da minha adolescência, quando frequentava a "barragem" (ainda não era "albufeira"), deslocando-me às "escadinhas", ora de um lado, ora do outro, alternando entre umas pedaladas por Vale de Prados ou umas hippies boleias pelo IP4.

Todavia, verdade seja dita, com ou sem invasões, o Azibo persiste em manter-se como um local único. A qualquer amante da natureza apraz verificar a proliferação de "vida" no ambiente da albufeira. Bastam uns minutos de "papo para o ar" para apreciar a magnificência do voo das aves de rapina. Um pouco mais de atenção às margens permite apreciar o bailado das limícolas. Ou a paz de espírito que representam as cegonhas. Ou ainda a maior paz que transmitem os peixes juvenis que se acercam de águas menos profundas. No entanto, não há bela sem senão: circulam, de igual forma, uns "moscardos" que me presentearam com umas "bolotas" no ventre e no dorso que, para além do desconforto propriamente dito, não há "fenistil" (passe a publicidade) que lhes faça frente.


Como nem só de "barragem" vive Macedo, resolvi efectuar umas incursões por algumas das aldeias do concelho. Entre maior ou menor abandono, pode verificar-se um interesse pela recuperação de algum património. Deixo aqui a magnífica visão obtida a partir da Terronha de Pinhovelo. E o agradecimento aos idosos que, pacientemente, aturaram as minhas questões sobre a sua localização. Senti um arrepio agradável ao inspeccionar o local habitado por presumíveis ancestrais macedenses. Contudo, os acessos encontram-se num estado deplorável e o povoado coberto por um extenso matagal. Fica aqui o registo da minha estranheza, já que no site da Câmara Municipal surge a informação de que o local arqueológico é visitável. Só se for por tolos como eu...