Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quinta-feira, 28 de março de 2013

Bô! Dunde carbalhitchas s’indrominou o folare?


Coisas há que nos acicatam esta soberba de às pedras ter pertença. Como se os desafios se sucedessem, numa amálgama de formas aparentemente desconexas, entre prefixos e sufixos, radicais tantos de heranças latinas, árabes, helénicas e outras que tais, bárbaras até, os clássicos o diriam. De quando em vez, sofro deste achaque de contrariar o estabelecido. Demência, o dirão os intelectuais que, avantajado pedantismo, se servem à sobremesa do que vomitado é pela plebe… Afinal, Chacim não era adaptação linguística do arcaico “porco selvagem”, nem chacina de Árabes seria… Solte-se o porco ou tire-se coelho da cartola, não o derivado das pedras, antes o parido na humildade de ter a pretensão de contrariar o estabelecido. Repiquem os sinos da mente!... E recensões académicas venham à causa…
Mas deixemos o “Flacco” de lado e esqueçamos a “villa Flaccini”, outras que tais, que de sericicultura foram outras épocas desenhadas. É tempo da suavidade sedosa de folares a tecerem o êxtase de gustativas papilas, adornados a inconfundíveis aromas desprendidos pela “tchitcha” que recheio lhes dá. É a tradição a marcar pontos neste infame jogo de gula ancestral. E a eterna e histórica dúvida sobre “dunde carbalhitchas s’indrominou o folare”?
Descansem culinários peritos, imiscuir não me vou na excelência do que excelente é. De receitas quero saber-lhes apenas o resultado… E o registo das etapas… Ou inventá-las… Mas ao que interessa vamos…
Qual o significado de folar? Dúvida dos tempos, incisiva questão, dicionaristas se consultem, na embasbacada postura de possuir o dito folar uma origem obscura, especialistas dixit, impossível sendo atribuir-lhe, com segurança, um étimo latino... Como só acreditarei incondicional e piamente na ida à Lua quando lá “botar as patas”, de S. Tomé influências, pruridos me gera esta coisa de os ditos especialistas “botarem” obscurantismo na paternidade do vocábulo “folar”. Quando provo a iguaria, sabe-me a tudo menos a filho de pai incógnito… Ou a resquícios de germânico bolo, “flado” o diz o insuspeito Moraes, como se o mel algo tivesse a ver com o folar. Ou “poularde”, como o afirmam Faria e Lacerda. O folar derivado de frango?! De frango?... Creio mais nas derivações lendárias de Mariana e Amaro, mais o fidalgo sem nome, “floralis” o dizem os entendidos. Creio mas não acredito! Insuficiências de descrente… Só porque, raridade legada pelo “Tabellião” da excelsa vila medieval de Ferreira de Aves, lá para finais do séc. XIII, feito foi um “emprazamento” de metade de um moinho localizado em Folares. Onde? Folares??? Hummmm…. Dizem actuais cartografias que a dita Folares do documento evoluiu para Forles. Auscultem-se, de novo, os entendidos em toponímicas questões e de Folares a Forles influência terá tido a antroponímia de Froila derivada. 
Coisa em que, massa de farinha e ovos pelo meio, não acredito. Mais coisas da descrença… E adiante que, suspeitas da gula, lá me conduziu o folar à fogaça, iguarias de Terras de Santa Maria. Daqui a terras da península itálica foi um salto de pulga… E apareceu a “focaccia” a esgrimir argumentos. Mergulhe-se nas “Etimologias” do célebre Isidoro, lá para meados do séc. VII, e já por lá se vê a “focaccia”, meandros do fogo, “focus” para os pais da latinidade. Do fogo sairá, mundo pagão dos Deuses Lares a acrescer, no feminino de “focácius”. Talvez me “botasse” agora a um “carólo” do bem latino “panis focacius”… Há-de ter evoluído, tê-lo-á feito, seguramente, ou não teríamos hoje o “focolare”… Digo eu, na insapiência vertida de uma qualquer adquirida ignorância. Ou não nos dissesse a De Laude Virginitatis que
o conduto se “coctura in focularibus praeparata”… Derivações de paternidade em “foculare”…
Avance-se até ao medievo, das trevas lhe chamaram, erradamente o direi. Voemos até à Baixa Latinidade, ao “focagium”, imposto de feudalistas timbres, por cá derivado em fumádego, direito de fumagem ou fogaça. Lá teria de haver explicação para se contarem fogos ao invés de casas… E já se pagava uma imberbe forma de IMI… Aos desgraçados dos contribuintes, «alem do foro a que sam obrigados e concertados com o senhorio oyto alqueres de fogaça»… Só para um exemplo citar… 
Ou outro, lá para o séc. XII: «…Et in servicium unam fogazam de duobus alqueiris tritici…». Por estas bandas, também os ilustres donatários do infeliz Mosteiro de Castro de Avelãs se rogavam ao direito de considerar os que em suas terras moravam «bassalos do mosteiro» e «pagam mais de fumadego cada hum para acender foguo quatro dynheiros e meio». E das obrigações seculares, dos tempos evoluções, se terá passado para as religiosas. Como diz o inestimável Abade de Baçal, «Também na mesma semana gloriosa os párocos visitam as casas dos fregueses, lançando-lhes água benta e suplicando a Deus que prospere bem os moradores, ao mesmo tempo que levantam o FOLAR.» Ou resquícios do «focagium»… Pagamentos em «focolare»… Ou em «fo(co)lar(e)»… Digo eu…
        

quarta-feira, 27 de março de 2013

Rumando a Nordeste


Estar e não estar... No refugo do tempo, partículas que teimosamente permanecem agarradas à pele rugosa rasgada por geológicos encantos. Por vezes, apetece-me apagar a história, friamente, de macabra forma, sem pudor. "Albidei" a quadra natalícia, reformei antecipadamente o Entrudo, ocultei dias e passagens de repetidos e brilhantes fenómenos  da pátria xística. Condicionalismos dos instantes que se sucedem a alucinantes ritmos. Apetecia-me apagar a história... Mas não apago... "Cousas"...
Seria um desplante o homicídio a este umbilical fio que me une às pedras. Bem vistas as coisas, tornar-me-ia num assassino da essência. E não me apetece... Desculpem-me o incómodo... Prefiro manter este rumo a Nordeste. Mesmo que o Nordeste tenha deixado de ser um ponto colateral considerado na rosa-dos-ventos. Está lá algures, entre o nada e o nenhures, escondido onde visível é para toda a gente, obliterado por inexistentes remorsos de pedras tornadas artificialmente diamantes. Ou julgar-se-ão... 
Crónicas de um definhar anunciado... Prenúncios de uma eternamente adiada moribundez, enquanto nos anunciam que o butelo deve ser matamorfoseado em "Wurst", e umas casulas adulteradas em qualquer coisa assemelhada a  "getrocknete Bohnen"...  Digo eu, que nada sei do linguajar das terras da Wehrmacht, olhares de supremacia em direcção a Sudeste, contágios a "Lissabon"... 
Entre este nada e este nenhures, raio de repetição tantas neste meu algures, de apetência desenhados os genes, não me apetecia, apenas, apagar a história... Também me apetecia um "cibo de folar"... É tempo "deis", de "botar farinha n'ámassadeira", reviver, como num temporal orgasmo, a ancestralidade de uma tradição orquestrada a "massa mim marelinha" e a uns "bôs cibos de tchitcha" a ornamentar-lhe a alma... Resisto e não desisto, rumando a Nordeste...