Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



domingo, 31 de maio de 2009

Qualidade de Ouro

A Quercus tem coisas destas... Por muito que me pareçam hipócritas algumas das posições assumidas, inúmeras vezes coladas ao mito do socialmente correcto (aliás, apanágio de todas as organizações ambientalistas), não deixo de enaltecer algumas outras posições, ainda que não desvinculadas da ideia do "ambiente puro, mas deixem-me andar de carro"... Particularmente aquelas que publicitam uma das minhas assumidas paixões: o Azibo. Contudo, desejo secretamente que a publicidade granjeada pela "qualidade de ouro" atribuída pela Quercus à Praia da Fraga da Pegada não inviabilize a manutenção dos ambientes virgens únicos que marcam a envolvência da Albufeira do Azibo. Venham de lá os turistas, especialmente os "de massa" e "da massa"... Mas que fiquem confinados às áreas devidamente preparadas pela autarquia e demais entidades... Honestamente, estou muito mais interessado na manutenção do verdadeiro "ouro"...

Cousas da terra-mãe na terra-adoptiva

Onde se cante Macedo hei-de estar lá para ouvir. Isto, claro está, se a distância o permitir... Sabedor do meu orgulho transmontano-macedense, um dos responsáveis autárquicos da minha terra-adoptiva tratou de informar-me da presença de uma "tasquinha" (nas suas palavras) da minha terra, na anual romaria que por estes lados se verifica. Não sendo um especial adepto dos ajuntamentos que se verificam por estas alturas, resignei-me à árdua tarefa de vaguear pelo meio da multidão, em busca da dita "tasquinha". Afinal, a dita era a digna representante do meu concelho. Por entre encontrões e demais moléstias físicas típicas dos carreiros de formigas humanas, consegui descortinar a presença de algo familiar. "U azeitinhu da nha terra!" Mas não só... "Us intchiduzinhos, u pãozinhu e a binhaça de Balpradinhos!" Mas, acima de tudo, o aroma fantástico a folar fresco. Como disse a minha pirralha: "Papá, cheira-me a Macedo"... E não é que cheirava mesmo! Não resisti a solicitar um folar, uma bola de azeite e um pão, tal o apetite aguçado por tão irresistíveis aromas. E tal a simpatia demonstrada pela conterrânea que se encontrava por detrás do balcão! À D.Aldina, uma resistente da tipicidade transmontana, deixo-lhe publicamente o agradecimento pelos magníficos produtos, especialmente pela bola de azeite. Não resisti aos aromas emanados do saco onde a transportei até casa, degustando-a numa tardia ceia, desaconselhável a quem já deveria estar entregue a um retemperador sono... Mas tenho que deixar a digestão fazer o seu trabalho... E aproveito para fazer publicidade gratuita... Porque a D.Aldina é merecedora de tal... A quem não vá a tempo de ir à "tasquinha", parece que vende os seus produtos na Rua Pereira Charula (essa mesmo, a que vai dar à Praça, na minha "vila" de Macedo)...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Masaedo no "Nós por Cá"...

Sem comentários... É só mesmo para sorrir... E para, secretamente, desejar não estar na pele de algum dos proprietários que ficaram de viaturas viradas para as piscinas...

domingo, 24 de maio de 2009

Escolas que vale a pena fechar???


Não discordando de Mota Andrade, a propósito do encerramento de Escolas Primárias (aquelas que adoptaram a rara designação de EB1), não posso deixar de manifestar a minha estranheza pelas consecutivas políticas de "terra queimada". Dá-se por um lado, tira-se por outro. Deve ser penoso viver em algumas regiões transmontanas... Aliás, não deve, é! Remetendo-me exclusivamente ao meu concelho, posso imaginar as agruras de fixar residência em freguesias como Soutelo Mourisco ou Burga, só para citar dois exemplos, um a norte e outro a sul. É certo que deverão existir algumas compensações, caso contrário já seriam uma espécie de neo-banrezes ou neo-carvas. Mas também não é difícil levantar a suspeição para que as eventuais compensações não suportem a permanência de gente, a muito breve prazo. A cada incursão às profundezas da realidade concelhia, as rugas nos campos são inversamente proporcionais às equivalentes nas faces dos que resistem à desertificação. Diminuem as escolas, diminui a população, à medida que aumenta o abandono e o envelhecimento, reflectidos nas ruínas fruto das sementes do tempo. E aumenta, de igual forma, a proliferação de flora selvagem... Pelo menos, deve ganhar-se na produção autóctone de oxigénio... Começo a perceber a adiada promessa do heli do INEM. Para quê um helicóptero se, um destes dias, fica sem local disponível para poder aterrar? E, da maneira como se mantém a tendência para o envelhecimento da população, para a desertificação e para a baixa taxa de natalidade, não me espanta que, em poucos decénios, a província transmontana se transforme num "admirável mundo novo" pautado por coutadas para fazerem as delícias dos que agora só lá vão para conseguir uma "cruzita no papelinho"... Exceptuando Mirandela, Macedo e Bragança, que se situam no eixo central do distrito, receio pelo futuro dos restantes 9 concelhos do distrito... Venha de lá a A4 e o IC5... E que, do lado de lá da fronteira comece a vir bom vento e bom casamento...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Cousas do novo Código da Vinci de D'Ana Brown Jorge

A Irmandade de Sancto Benedicto de Olissipo persiste em adiar a revelação do Segredo... Após mais de cinco séculos de intermináveis lutas pela sua posse, o Deão Corrigia de Campus, num assomo de coragem, decide partilhar com os esquecidos transmontanos o segredo do helix pteron... Logo o Grão-Mestre Σωκράτης, vulgo Sokrates, instruíu a substituta do infame Campus, Hanna Georgius, para a promoção da política do "dourar a pílula", com o claro intuito de demonstrar ao povo do distrito sem auto-estradas que a teoria evolucionista de Darwin deveria ter as suas excepções. Contudo, a aproximação do crucial momento em que os pretensos membros da raça asinina se aprestam para depositar uns papelinhos dotados de quadrículas para assinalar com uma cruz, conduziu a uma inusual incursão de Hanna Georgius ao Reino do Esquecimento. Rapidamente o mesmo se transformou no Reino de Torga, sendo invadido de promessas de não encerramento de unidades hospitalares e da dotação de melhores meios, entre os quais o helix pteron projectado por Da Vinci. Um descuido reprovável permitiu ao centro de espionagem da Ordem dos Hospitalários Macedenses ter acesso ao Segredo tão habilmente guardado durante séculos. De imediato, foi convocada uma reuniâo de emergência com as cúpulas da clandestina organização dos Hospitalários Macedenses. Na mesma foi decidido investigar as consequências imediatas de mais um possível engano, alicerçado em mais uma promessa adiada. No entanto, após aturadas investigações, nomeadamente através dos serviços secretos das várias células espalhadas pelo mundo, foi possível a constatação de que o projecto já avançou para o terreno na Irmandade do Reino Nipónico. Os triviais helicópteros do século XX foram há muito abandonados e em magna assembleia da Irmandade de Sancto Benedicto de Olissipo foi idealizada a transformação do Reino Esquecido num projecto-piloto para a avaliação da eficiência dos novos médicos e enfermeiros voadores. Até lá, será reaberto à circulação o troço da Linha do Tua entre Carvalhais e Bragança. Por falta de carris e restantes estruturas de suporte ao transporte ferroviário, e para aproveitamento das trincheiras já abertas há mais de um século, foi aprovado, como forma de agradecimento à paciência dos transmontanos, aplicar as verbas destinadas ao Túnel do Marão na aquisição de equipamentos de transporte que estão na vanguarda dos serviços primários de saúde.
Caso haja discordância dos mais resistentes, a Irmandade deixou em aberto duas alternativas... A outra alternativa é demasiadamente mórbida para ser mencionada... Será que valeu mesmo a pena o Martim Gonçalves de Macedo ter sido um herói?... Terá João Afonso Pimentel, o alcaide de Bragança por alturas de Aljubarrota, sido um traidor à pátria ou um visionário da sua época, quando tomou o partido de Castela? A mais de 600 anos de distância, já pressentiria o ostracismo a que seria votada a sua região ao longo dos séculos vindouros? Ou já teria conhecimento dos procedimentos da Irmandade? Já existiria na altura algum projecto acerca da virtualidade dos helix pteron INEM?... Adeus, até ao meu regresso... Acabei de ser atingido pelo holograma de uma hélice...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Cousas d' Ua lhéngua minoritaria an Pertual i de l menistro que bibe an Lisboua

As qualidades de um povo não se medem pela sua quantidade. Já por aqui referi que me "embutchinei" porque um político da nossa praça menosprezou os transmontanos. Assistir à irresponsabilidade de um ministro que deveria pautar a sua conduta pelo inverso, deixa-me os meus neurónios quase "couratchos", só em "truzes e miotes"... Então os que persistem na manutenção da "lhéngua" mirandesa são loucos? Terão sido igualmente "loucos" os deputados da nação quando votaram a Lei nº 7/99, cujo Artigo 2º refere que "O Estado Português reconhece o direito a cultivar e promover a língua mirandesa, enquanto património cultural, instrumento de comunicação e de reforço de
identidade da terra de Miranda."? Estaria "louco" Jorge Sampaio, o Presidente da República de então, quando a promulgou? E o que dizer da "loucura" de António Guterres e do seu Governo ao lançarem tão "louca" lei? Sr. Ministro da Cultura, não sou mirandês, mas faço parte daquele grupo imenso de transmontanos que parecem poucos mas estão espalhados por todo o lado. E que sentem um orgulho imenso em ser diferentes, em manterem tradições únicas como os Caretos em Macedo, as Festas dos Rapazes em Bragança, as Alheiras em Mirandela, os Salpicões em Vinhais, os Pauliteiros em Miranda e outras tantas coisas mais que, como Ministro da Cultura deverá (ou deveria) conhecer. Como só não sente quem não é filho de boa gente, o que este país precisa mesmo é de mais "Astérix's", não na versão de "loucos gauleses", mas, talvez, de "irredutíveis zoelas", mesmo que falem uma "lhéngua" que pouca gente entende... Pouca, mas seguramente distinta... Porque a nossa distinção não termina no isolamento... Plagiando um blog escrito na "lhéngua" dos "lhoucos": «Sr. Menistro,
Se quier falar de l Mirandés (falou hoije, an público, pula purmeira beç) fale! Mas fale cumo un menistro debe falar! Nós nun percisamos de poçones, percisamos de deçisones! PROUA AN SER MIRANDÉS!». Acrescento: "Proa im'ser transmuntano, inda que tchabasco. Semos poucos mas temos cousas mim boas. Sômenistro, quer que l'abonde um cibo? Ou tamém são tchotchos us q'inda cebam u reco?"

domingo, 17 de maio de 2009

Espírito, imagens e canonizações

"Nim d'aprupósito!" Ainda recentemente lavrava por aqui alguns lamentos acerca da ausência de um museu na "vila" (sim, na "VILA", porque os museus de Salselas e o Arqueológico são mais para os lados do Azibo) e já me chegam novas sobre a inauguração de um. Reflectindo um pouco sobre a coincidência, estou a pensar promover mais lamentos... Contudo, pensando bem, isto não passará mesmo da esfera das coincidências... Já por aqui fui praguejando acerca de algumas lacunas, promessas adiadas e perdas de regalias e não consegui mais que gastar o meu latim ou, em última instância, o teclado ou o tempo de quem tem paciência para ler. Como ainda não foi dado à existência um Museu dos Lamentos, louvem-se as iniciativas que contribuem para o nascimento de outros muito mais interessantes, sob qualquer ponto de vista. Indiscutível... E louve-se, de igual forma, o envolvimento da autarquia na dinâmica de crescimento nos eventos de âmbito cultural, arqueológico e histórico no concelho, particularmente as vereações responsáveis pela cultura e pelo turismo, nas pessoas de Sílvia Garcia e Manuel Cardoso, respectivamente (Atenção às más-línguas! Não tenho qualquer pretensão na atribuição de uma medalha de mérito, nem pretendo "tachar" à custa deste merecido elogio, a não ser, obviamente, que arranjem qualquer coisita...). Seria de uma enorme injustiça não deixar uma referência elogiosa à Associação Terras Quentes e ao laborioso trabalho em prol da valorização do património concelhio. Feitas as menções honrosas e salvaguardados os potenciais benefícios a obter futuramente com esta espécie de "graxite" (pode ser que alguém repare...), satisfaz-me, de sobremaneira, a forma como está a ser preservado o património religioso do concelho. Não se fica só a ganhar um museu (que visitarei na primeira oportunidade), ganha-se, acima de tudo, um lugar especial onde transmitir às gerações vindouras a riqueza de uma jovem donzela no quadro histórico do país concelhio. E porque de arte sacra se trata, as transmissões neuronais conduzem-me a uma associação ao sagrado e lembrei-me da canonização do D.Nuno. Através desta repentina mudança de rumo no pensamento, dei por mim a girar em torno da importância dessa figura ímpar na "parca" história macedense. O agora santo (já me tinha habituado a que o fosse, por meio da nomenclatura de Santo Condestável...) circulou por terras macedenses e teve direito a uma merecida homenagem por ocasião da sua santificação pela Igreja Católica. De qualquer forma, não me parece lógico que ainda não tenha lugar na toponímia macedense ou no baptismo de algum edifício o nome da incontornável figura do seu amigo Martim. Afinal, não foi ele que "amaçou" o Sandoval? E não foi à custa de lhe "abrir a cabeça ó berde" ao castelhano que o Mestre pôde passar a Rei? Atrevo-me a deixar aqui a sugestão de rebaptizar o "Jardim", transformando-o num pomposo Jardim Martim Gonçalves de Macedo. Seria um justo tributo. Mas, a tal não ser possível, sempre haverá a hipótese de renomear o Campo do Pereiro... Ou uma qualquer artéria secundária numa qualquer futura urbanização... Afinal, D. João I também tem o seu nome gravado numa praça escondida algures lá para os lados do "Prad'cabaleiros"...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Quadros Masaedenses


Há momentos únicos, irrepetíveis, apenas possíveis pela irreprimível vontade gerada pela sã loucura de um apaixonado pelas terras de Martim Gonçalves de Macedo. São pontos no tempo, cascatas de arrepiantes sensações, pedras de intermináveis histórias, pedaços do nada floridos do tudo... São alinhamentos de xisto desenhados por rudes mãos, pontes de eternidade abandonadas ao vento, povoados perdidos no tempo... É o topo do mundo, fustigado pelo esquecimento, saudado por cores eremitas e por bandos de tons que esvoaçam sem tela ou pincel... É o universo perdido em fronteiras inexistentes, onde se confunde o céu com a terra, o ar com a água, o sol com a chuva... É um mar seco de searas que ondulam, onde a vida se cruza com vida e a morte não chega para apagar a memória... Miríade de sensações, onde os olhos ouvem e os ouvidos vêem... A solidão no centro de uma multidão colorida onde se misturam aromas, visões, sons e gostos únicos, distintos, inenarráveis, eternos... É Trás-os-Montes, é Macedo... É tudo...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Outros sons



Há uns anos, quando, no estrangeiro, se mencionava Portugal, era rara a vez em que o vocábulo não fosse associado a Eusébio e Amália. Os novos tempos trouxeram a associação a "Figou", "Runaudou", "Madré'deos" ou "Me'riza". Sendo transmontano, não deixo de ser um estrangeiro no meu próprio país. No tempo em que Macedo de Cavaleiros ainda não tinha lugar cativo no mapa, as tentativas da sua localização, na região mais meridional, resumiam-se a um ignorante "Ai que nome engraçado! Isso é lá pra cima, não é? Fica perto de Freixo de Espada à Cinta? Ah! Ah! Ah!". Como não havia uma Amália transmontana, a referência artística mais à mão, pelo êxito conseguido, resumia-se a Roberto Leal. O evoluir dos anos não foi capaz de trazer um substituto à altura do autor do "bate o pé, bate o pé". Pensei que estava condenado a ter que suportar os "bitaites" com referências pouco dignas ao cancioneiro macedense, através das incursões de um "deixei tudo por ela, deixei, deixei" com voz de cana rachada ou da efémera busca de fama pela mediatização trazida pela exposição num programa do género "invadam a minha privacidade que eu gosto"... Até que, num dos habituais "zappings" domingueiros, ao passar por um canal que pouco me seduz e quando já estava com a TV sintonizada no "5", fiz um retrocesso ao dito canal porque me pareceu ter visto uma imagem familiar. Tinha razão! Era um Careto! O que estaria ali a fazer uma das imagens de marca do meu concelho? E acompanhado dos Pauliteiros de Salselas! Se aquilo era um programa musical, com catraios a cantarolar, deveria estar por lá um conterrâneo meu a participar. A curiosidade manteve-me com o olhar fixo e atento ao que se passava no programa. O resultado, reconheço, foi fantástico... Como afirmou um dos membros do juri: "Isto é talento!"
Ana Rita Prada... Não te conheço, mas deixo-te aqui um profundo agradecimento pelo orgulho que me deixaste por, finalmente, poder afirmar que a minha terra tem capacidade para produzir mais que boas alheiras, bom pão, bom queijo e boa gente. Também consegue "botar ó mundo" vozes fantásticas!

Escritos, artes plásticas, canções e abandonos

Já por aqui fui fazendo menção a algumas figuras que marcaram, com maior ou menor grau, a história da "vila". É com agrado que vou verificando que Macedo não se resume à Estalagem (infelizmente de portas fechadas), ao Rali TT, à Feira de S. Pedro ou ao Azibo. Ainda que representada, nalguns casos, por "emigrantes", a cultura macedense, mesmo que pareça moribunda, vai persistindo, afinal, em dar mostras de sinais de vida. Seja através de Manuel Cardoso e da sua magnífica veia literária, de Pedro Pires e das fantásticas coreografias dos seus bailados ou de Paulo Renato Vieira e das cores quentes com que preenche os seus quadros. Ou ainda, para imensa surpresa minha, da menina Ana Rita Prada e da sua espantosa voz que faz arrepiar até os mais críticos (como eu) da proliferação de programas de descoberta de novos talentos musicais. Vão sendo exemplos destes que aguçam, ainda mais, o meu genuíno sentir transmontano e, de forma mais particular, macedense. Representam uma forma de equilibrar a tristeza que por vezes me assola nas minhas deslocações a Macedo. Tristeza essa que provém da morte lenta que vai descaracterizando a minha "vila". Por isso vou fugindo, sempre que posso, à redescoberta de locais únicos que me transmitam a rusticidade e a singularidade transmontanas. Banrezes é um deles. Assiste-se ao renovar da "crónica de uma morte anunciada", renovando-se, em simultâneo, o prazer de ser presenteado por um pouco de paz bucólica...