Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



domingo, 18 de outubro de 2009

Coutada transmontana

Já lá vão dois a três anos desde que li uma reportagem, salvo erro no DN, que apontava para a tomada do lugar do homem e das suas marcas, na região transmontana, pelas fauna e flora selvagens. A substituição de terrenos agrícolas por incultos criava a oportunidade para a flora se renovar, ganhando terreno às culturas e criando condições propícias para o rejuvenescimento de espécies animais, favorecendo a cadeia alimentar onde, para haver predadores, é condição essencial a existência de presas. Confesso que, na altura, fiquei possuído por um híbrido "pessioptimismo". Por um lado, nessa notícia encontrava eco para as negras estatísticas demográficas, bem como para o queixume proveniente dos resistentes escritores que fazem do solo pergaminho e do arado caneta. Por outro, retirava conclusões positivas acerca da optimização ambiental e via renascer as possibilidades de observar a fauna transmontana sem o recurso ao cativeiro. Fiquei um pouco como o "touro no meio da ponte"... Depois, esqueci-me da notícia até ter assistido a uma reportagem televisiva sobre a brama dos veados. Afinal, a população de Cervus elaphus estava mesmo a aumentar. Mas Montesinho ficava, mais as suas fantásticas pinturas, lá mais para a região setentrional do distrito... Ficou, desde logo, registada na minha agenda uma próxima e urgente visita aos meus amigos do peito Alípio e Zelinda, lá para os lados de Lomba, uma casa onde um minuto possui sessenta segundos da mais pura e impagável amizade (daquelas amizades que nos enchem o peito de um ar tão distinto, tão distinto, que quase nos sentimos embriagados por excesso de oxigénio). Entretanto, a azáfama quotidiana conduziu, de novo, os ditos Cervus elaphus ao esquecimento. Até ter surgido um espécime perto da minha segunda terra, a já tão celebrada por mim Lamas! É verdade! No pretérito dia 12, Manuel Cardoso, o macedense autor que deu "um tiro na bruma" fantástico e revelou um magnífico "segredo da fonte queimada", registou, para a posteridade, um exemplar que pesará duas vezes e meia mais que eu e terá um quarto da minha idade. Nada mais, nada menos, que perto da sua habitação, lá para os lados de "entre Lamas e Latães" (um local onde os seus guardiães canídeos se aprestaram para fazer tatuagens nos meus membros locomotores - valeram-me os ditos para me transformar em Usain Bolt e para me recordar de deixar um aviso da próxima vez que me aventurar para lá do Facho...). Ora, se há veados numa área excêntrica, significa que têm razão as estatísticas do ICN que apontam para um aumento das populações de veados e do consequente incremento na sua área de dispersão pelo distrito de Bragança (30000 hectares é uma superfície considerável). Inversamente, a leitura sobre a dispersão humana será o que se sabe... Por outro lado, aprecio, como pouca gente o fará, a vida selvagem... E umas costeletazinhas de veado, especialmente quando tenho noção que já não estarei a contribuir para uma qualquer extinção... Percebo agora o porquê da existência de 20 alcateias na região transmontana, descontando daqui o inegável valor das tentativas de preservação do Canis lupus signatus por parte do Homo sapiens sapiens... Diminui a gente, aumentam os incultos... Estes, por sua vez, favorecem os herbívoros, os quais hão-de servir de "pasto" aos predadores. Incluindo-me eu entre a espécie supra-predadora, vou começar a ter mais atenção nas minhas incursões ao mundo natural. Ainda bem recentemente tive a grata surpresa de avistar, bem perto, por sinal, um exemplar de Vulpes vulpes. Mas, como a esquiva raposa faz jus ao epíteto e não representa ameaça de monta, fiquei quieto e sossegado. Ao descer pela encosta onde pasmam os quantos sobreiros que fui verificar, por entre a vegetação que nada tem a ver com o facto de sermos os maiores produtores mundiais de cortiça, comecei a reparar nuns quantos remeximentos que não faziam parte da paisagem à qual estava habituado em anteriores visitas. Analisados, visualmente, os dejectos deixados como presente, mais a "hiroximização" do terreno, a coisa era obra de Sus scrofa, vulgo javali. Confirmadas as provas documentais junto do meu inseparável amigo de aventuras agrícolas, foi-me transmitida a vulgarização de vida selvagem por estas bandas. «Atão, já num há quim queira amanhar a terra. Fica pr'áqui tudo ó Deus dará, prós bitchos cumerim. Um destes dias inda m'entra um porco-espinho pur casa adentro a pedir-me um cibo de caldo!»... E foi numa outra conversa, com outro amigo de lides agrícolas que fiquei a saber do ressurgimento de texugos (santa ignorância, pensei que os "teitchugos" fossem histórias de outros tempos). Se juntar a tudo isto a já conhecida presença de corços, mais as notícias que dão conta da saída dos Ursos-pardos da restrita Cantábria, surgindo relatos de avistamentos do lado de lá da fronteira galega, um destes dias voltaremos ao tempo em que os monarcas, nas cartas de foro, incluíam alíneas de lhes serem ofertadas mãos de urso, na eventualidade de um ser abatido numa caçada. Para quem possa eventualmente estranhar, sim, já tivemos Ursus arctos na nossa região (pelo menos, provavelmente, até meados do séc. XIX). Dentro desta euforia, pela proliferação de vida selvagem, amenizada pela tristeza da desertificação humana, o que, para mim, era sublime, seria a detecção de algum lince ibérico. Seria sinal que os coelhos e as lebres abundariam e que, provavelmente, voltaria a tomar um café na Estalagem do Caçador. Até lá, vão-nos diminuindo o número de deputados, vai-se nascendo em ambulâncias e vão avariando aparelhos de TAC que demoram uma eternidade a ser reparados. Mas já temos "Magalhães pós putos", o início das obras no túnel do Marão, rede de fibra óptica e novos serviços hospitalares. Mas vamos começando a não ter gente, a ter taxas de mortalidade que são o dobro das de natalidade, freguesias que vão a Plenário e deputados por Penafiel. Porque é que há balanças? Ainda por cima, desequilibradas? Um destes dias voltaremos à "terra-tenência" de Zamora... A não ser que se vão levantando umas vozes. Acalma-me o espírito saber que as há...

2 comentários:

manuel cardoso disse...

Bom dia! Terei todo o gosto em fornecer a foto do Cervus elaphus que deambula pela Serra de Ala, fotografado nas Alturas de Latães na manhã do dia 12, junto ao marco "CABAR" que assinala o limite de Corujas. Já tentei fotografar os Capreolus que têm andado na direcção da Atalaia e do Facho da Senhora do Campo, mas em vão. Preciso só de um mail de endereço... Abraço, manuel

Cavaleiro Andante disse...

E eu terei todo o gosto em tê-la à disposição. Fico, desde já, grato pela disponibilidade. O mail é o que consta na página das "Cousas", logo acima e bem perto do logotipo do município. Obrigado