Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



domingo, 28 de dezembro de 2008

Cousas do Azibo Natalício

Cousas de um Natal Branco

Cousas do Natal Macedense III


"Quem trata da lareira?"... "É preciso descascar os rábanos! E as batatas!"... "Quem parte a couve?"... "Os potes já estão no lume?"... "Quem quer bacalhau assado?"... "Onde estão os miúdos?"... É fantástica a noite de Natal! Especialmente porque renasce a alegria e a confusão numa casa infelizmente habituada ao sossego durante grande parte do ano. Vivam os primos, as primas, os tios, as tias, os cunhados, as cunhadas, os sobrinhos, as sobrinhas, os afilhados, as afilhadas, a avó, o gato e o cão! Pena não ter estado o "angolano". Contingências... Natal sem família, sem prendas, sem doces, sem ceia, não é Natal! Se juntarmos a esta ementa a neve, então o Natal ainda é mais Natal! E não é que no dia 26, o Pai Natal resolveu presentear-nos com a visita do manto branco? Por entre o ensurdecedor ruído gerado pela celebração de mais um aniversário da minha afilhada e pela coincidência do nascimento do seu segundo sobrinho, ouvem-se uns gritos provenientes do exterior... Que fenómeno estaria a acontecer para tamanha gritaria? Seria chuva? Seria vento? Vento era, numa correria louca com farrapos brancos que pintavam a noite de uma alvura que me fez regredir aos tempos de criança... Criança me tornei, na companhia dos meus pirralhos e dos flocos que insistiam em fustigar os sorrisos que nos desenhavam as faces... Macedo tem os seus encantos... E Lamas também...

Cousas do Natal Macedense II


Na verdade, esperava deparar-me com mais frio. No entanto, o dito ainda fez das suas até à fantástica surpresa que estava reservada para o dia após o Natal. Nalguns recantos, o chão surgia aos olhos sarapintado de branco e as auxiliares de rega no estio apresentavam sinais evidentes da agrestia das geadas nocturnas. Nada que não fosse devidamente compensado pelo incomparável sabor de uma sopa confeccionada nos potes da avó ao calor de uma lareira transmontana . Ou pelos nacos de mirandesa grelhados na brasa, na companhia de uma alheira e de uma linguiça. O deambular por entre inigualáveis iguarias teve o seu expoente máximo, como não poderia deixar de ser, na azáfama que, invariavelmente, se vive na véspera de Natal. É como se se passasse um ano à espera de todas aquelas coisas que a medicina diz que "fazem mal à saúde". Que se dane a saúde nesta altura, que eu não consigo resistir às filhós, aos sonhos e às rabanadas! Especialmente naqueles momentos em que acabam de sair do quentinho da fritura, enquanto ouço os veementes protestos da avó por surripiar as suas obras de arte.

Cousas do Natal Macedense

Há Natais e Natais... Indubitavelmente, ainda que não seja tempo dela, cada um puxa a brasa à sua sardinha e o Natal no Algarve há-de ser sempre o melhor para um algarvio. Da mesma forma que o congénere transmontano há-de ser o melhor para quem brotou de terras de "trás do sol posto". Inegável e indiscutível... O meu Natal não seria Natal se não zarpasse até às terras onde, por esta altura, é comum o termómetro ver o zero a partir do rés-do-chão. Existe sempre uma ansiedade agradável antes do serpentear pelo IP4. "Levo as prendas todas?" ; "Os meus livros já estão na mala?" ; "Blá, blá, blá, não me esqueci de nada?"... "Miudagem, acomodem-se, que vai dar saída o expresso para mais um Natal nordestino!" Zás! "Oh Papá, coloca aquele CD que tem música de Natal... Pode ser?" Viva o espírito natalício!...
Com o vislumbre da serra de Bornes, agraciada com um colar de nevoeiro, aumenta a vontade de pisar de novo a terra que me viu nascer, quase dois meses depois da última incursão. E incrementa consideravelmente a fome que já sinto, antecipando o petisco que a "patroa" terá, seguramente, à espera. A chegada revela-se como um renovar de laços ancestrais, beijos e abraços à mistura, o aconchego divinal de uma lareira que reconforta a alma e o franguinho caseiro refogado com umas batatas da terra, regado com uma "pomada" esquecida há muitos anos mas que ainda tem a capacidade de espevitar espíritos adormecidos. É indescritível a miríade de sensações que me assolam... Talvez se assemelhem a um renascimento e a um respirar de novo pela primeira vez... Sei lá como explicar isto... É Trás-os-Montes... É Macedo...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Rabanadas, Filhós e Cousas


Quase já me tinha esquecido da minha existência... Hoje acordei de uma certa letargia que o mês de Novembro me oferece a cada ano que passa. Afinal, acabámos de entrar no verdadeiro mês em que parece que anda toda a gente feliz, cheia de dinheiro dos subsídios e em que já é aceitável assistir a toda a panóplia de enfeites televisivos associados à quadra natalícia. Posso parecer retrógrado, mas no tempo em que ainda não havia Pai Natal e era o Menino Jesus que nos deixava as prendas no sapatinho, as montras só apareciam decoradas uma semana antes do Natal. Agora, tenho que "gramar" com os "compre mais barato neste Natal" a partir de meados de Novembro! Não me espantará se, num futuro próximo, me entrar um "Oh, oh, oh" pela "barraca" de praia, em pleno mês de Julho ou Agosto... Irra!!!
O inverso vai acontecendo neste país: em vez de nos adiantarmos, regredimos. Ou são as hélices do helicóptero que enferrujam, adiando - ainda mais - promessas adiadas, ou é um campo de golfe que era para ser mas já não se sabe muito bem se algum dia será. Ou são os grandes que ficam cada vez maiores, deixando os pequenos cada vez mais à míngua. Basta olhar para o PIDDAC 2009. Ou os concelhos maiores - em riqueza - e, por tal, melhor apetrechados, são mais "guichos", ou somos uns "tadinhos" que não saímos da cepa torta. Macedo ficou fora do dito PIDDAC. Bragança e Mirandela não... Palavras para quê? O que é importante é sermos ecológicos e fazermos parte de uma tal de Ecocitras. Gostaria de ver os retornos desta rede de cidades ecológicas... Publicamente... Assim como quem não quer a coisa e assobia para o ar, será que os assaltos perpretados no decorrer da semana do caloiro assumirão assim tanta gravidade? O que são esse pequenos distúrbios de uma juventude irrequieta se comparados com os roubos devidamente (ou será que não?) fiscalizados pelo Banco de Portugal? Não acredito que vivo no país do BPN... Nem do BPP... Nem da Casa Pia... Ou do Apito Dourado... Ou sei lá mais de quê... O importante é que se condenou um jovem por fazer downloads ilegais da internet. Mas, afinal, o que é ilegal? Alguém me explica?

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Cousas do Carril Dourado

Caso existisse uma palavra que condensasse a ideia de "medo a Portugal", esse vocábulo passaria a fazer parte do meu dia-a-dia. Se quem tem medo de estar fechado, tem direito a sofrer de claustrofobia... Se quem receia aranhas, pode sofrer de aracnofobia... E assim por diante, porque não há-de existir um qualquer erudito a inventar uma qualquer "lusofobia" ou "calefobia", ou coisa parecida? Podia aproveitar-se um tal de acordo ortográfico, acrescido da anedota que representamos para os brasileiros e inundar o novo dicionário com neologismos designativos dos portugueses. No meu caso particular, bastar-me-ia a invenção vocabular de "tugafóbico". Podem os mais nacionalistas questionar-me, legitimamente, porque continuo por cá. Eu respondo: porque ainda não tive oportunidade para sair!!!
Vem tudo isto a propósito do "carril dourado". Ignorância minha, que só conhecia o congénere "apito". E ingenuidade, minha também, pensando que a chico-espertice tinha sido irradiada - na versão de alguns jornalistas que querem colocar os árbitros a "botar" luz - e erradicada, na minha humilde versão. Estava mesmo convencido, "combencidinho" - convenha-se - que as travessas e carris que faltavam nalguns troços da defunta linha do Tua, entre Mirandela e Bragança, teriam sido retirados pela REFER. Então não é que foi uma empresa de Ovar (de Ovar?) a cometer tal feito? Não compro mais pão-de-ló e amanteigados da dita terra! Ainda me sai a fava de alguma lasca de madeira ou de algum "cibo" enferrujado... Assim, como que passando por ignóbil, só "num me chaldra" a ´stória da dita REFER reclamar 480.000 Euros de prejuízo. Assim como que, mais "tusto menos tusto", "nubent'i seis mil contos"??? Então, se aquilo que roubaram valia tanto "pastel", porque não tomou a REFER a iniciativa de o retirar antecipadamente? Iam deixá-lo apodrecer até quando? Não é por nada, mas parece-me que começo a entender como os "chico-espertalhões" enriquecem à custa dos "chico-espertinhos"... Dá para perceber a minha "tugofobia"?

domingo, 2 de novembro de 2008

Crónicas de além-Marão


Estes fins-de-semana azedam-me a alma. Reafirmo o que já anteriormente explanei por aqui: Macedo faz-me bem. O que me faz mal é o regresso, especialmente quando o mesmo coincide com os magotes de gente que regressam à terra para mais uma manifestação de vaidade a propósito dos entes que, infelizmente, já cá não estão. Já não me recordava da utilização de linguagem tão vernácula enquanto percorria, uma vez mais, o arcaico IP4. A sério!!! Fico possuído por uma qualquer limitação vocabular sempre que tenho que percorrer quilómetros a fio atrás de gente que não sabe circular a mais de 60/70 Km/h e que, para além de me atrasarem a vida, ainda se atrevem a ultrapassar-se uns aos outros a velocidade de caracol, colocando em perigo os que vêm em sentido contrário. Como já efectuei a confissão pública, sinto um suave aliviar do peso que os f..... e afins me provocaram... Adiante...
Não gosto do dia 1 de Novembro. Não pelo que representa, mas porque não preciso dele para prestar homenagem aos que já me deixaram. Essa, presto-a diariamente e sempre que acorro a terras macedenses. Dispenso a manifestação pública de hipocrisia, particularmente a daquela gente que passa um ano a deixar acumular folhas secas, pó e velas gastas nos locais onde repousam os seus entes queridos. Chegado o dia 31 de Outubro, renovam-se os votos de que a "campa do meu qualquer coisa" tenha o arranjo floral mais bonito da freguesia e arredores. Não vá o povo criticar... E, na verdade, desde que, há uns anos saí ensopado dessa manifestação pública, enquanto o "ministro" fazia a sua digestão resguardado debaixo do tecto da capela, perdi por completo a vontade de por lá marcar a minha presença. Até porque, num qualquer futuro (que espero esteja ainda muito distante), lá marcarei presença eterna...
Para lá destas manifestações de vaidade pública, continuo a gostar das minhas incursões a Macedo. Mesmo que, cada vez mais, me sinta mais "cota" e mais "alien". O que, em certas circunstâncias, dá o seu jeito: pelo menos, não tenho que aturar aquela gente que, invariavelmente, me perguntava "então, o que fazes?"... Dispenso... O que não dispenso são as refeições divinais e a companhia das pessoas que vão marcando os trilhos da minha vida. Desta vez (E PORQUE SEI QUE ELAS VERÃO MAIS ESTE POST!), senti a falta do sorriso da minha bailarina favorita e da "lavadora oficial da loiça familiar em dia de Santos"... Como não pude dizer-lhes um olá presencial, fica aqui um virtual, esperando que, em época natalícia já não haja necessidade de recorrer a meios tecnológicos...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Culturando...

Um pequeno regresso ao "umbigo do mundo"... O futuro Parque Geo-biológico de Morais vai ter um Centro de Informação. Se a criação do mesmo, ao abrigo da Rede Natura, já é de aplaudir, ainda mais o é a iniciativa do reaproveitamento de uma das antigas casas florestais para o efeito. Todavia, a predisposição da minha má-língua não me permite limitar-me a aquecer as mãos com uns aplausos (dos sinceros...). Há uns anos, com a devida pompa e circunstância, foi inaugurado o Centro de Interpretação de Santa Combinha, associado à Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo. Nos dias de hoje, ao que contam as congéneres más-línguas, o dito encontra-se apenas a emoldurar um magnífico (magnífico porque já por lá andei diversas vezes) miradouro e a abrir as suas portas quando o artesão, ao qual foi cedido o espaço, tem disponibilidade (ou disposição)para tal. Mas, como nem só de cousas más se vai fazendo a rotação do mundo, o mesmo destino não foi dado às infraestruturas que serviriam de Centro de Recuperação de Aves. Neste caso, transformou-se - e bem! - em "Centro de Recuperação" dos achados arqueológicos do concelho. A quem ainda não teve a oportunidade de visitar o Museu Arqueológico, deixo aqui o conselho para o fazer numa próxima oportunidade. Vale pelo passeio, pela simpatia de quem serve de guia e porque não toma muito tempo a volta ao dito museu. Como seria de esperar, o espólio é reduzido, mas está devidamente organizado e rotulado. Pulando, de novo, para Morais, certo, certo, é que a existir uma futura inauguração do Centro de Informação já não deverá ser feita pela mesma pessoa. Como algumas línguas afiadas disseram que deixou o país de tanga, passou a dedicar-se a causas mais humanitárias que aturar este país doente que até já a tanga perdeu...
Culturando noutro sentido... Outubro celebrou o Mês Internacional da Biblioteca Escolar. Ou ando desinformado ou, pertencendo a duas associações de pais, o mês passou-me ao lado... Ou, como ainda estamos no último dia do mês... Nunca se sabe... Perdoem-me os que assobiam para o ar de contentamento pelos retornos do investimento n'"A Outra", mas somos, cada vez mais, um país de letrados em novelas. Ainda que as mesmas representem autênticas obras-primas de carácter não-ficcional, ao género de "O Processo (não o de Kafka) Interminável da Casa Pia". A triste realidade é que, mesmo com "Novas Oportunidades", "Choques Tecnológicos" e "Magalhães" pelo meio, somos, cada vez mais um país de analfabetos. Porque, verdade, verdade, não é analfabeto que não sabe ler. É analfabeto todo aquele que sabendo, não o faz... E porque esta triste realidade se passa no país do Sócrates, lembrei-me de Platão: "o pouco que sei, devo-o à minha ignorância"...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Uma região cousadamente doente...

Por muito que procure (e não encontre) um arco-íris no meio do nevoeiro, ainda não me convenci que, ou sou obstinado, ou crente, ou possuo duas orelhas virtuais de tamanho superior às que tenho... Traduzindo: persisto numa incessante busca de novas macedenses que me abram um sorriso de uma dita à outra. Esbarro sempre numa qualquer parede de notícias desagradáveis e que, não diminuindo o meu orgulho transmontano, provocam que me questione seriamente se valeu mesmo a pena o Martim Gonçalves de Macedo ter dado uma "cachouçada" no Sandoval, aquando da Batalha de Aljubarrota... Tenho cá uma séria suspeita de que o dito cavaleiro que ressuscitou um pouco da história macedense, caso soubesse o que se passaria 600 e tal anos depois, teria ficado a assobiar para o ar enquanto o dito Sandoval dava a mocada final no futuro D.João I...
Vivemos no país dos enganos. O que agora se promete (e assume), passa, repentinamente, obtidas as benesses num só sentido, a fazer parte de uma certa procrastinação governamental. Ou, como diria um certo presidente de um clube: "o que é verdade hoje, amanhã é mentira". Então não é verdade que o protocolado relativamente ao helicóptero para Macedo não passou de uns rabiscos desenhados a traços de boas intenções? De adiamento em adiamento, pode ser que caia no esquecimento... O Orçamento/2009 não contempla verbas para aquisição de meios aéreos de socorro. Temos que "gramar a pastilha" e resignarmo-nos ao rebuçado agridoce que representa a abertura de (mais) um concurso público para aquisição do tal veículo voador (mesmo que não haja verbas contempladas no orçamento para tal!). A triste sina, já aqui referenciada, é que o Hospital de Macedo vai perdendo, paulatinamente, valências. Ganhando, em contrapartida, a tal possibilidade de ter o Centro de Esterilização. Mas esse, não precisa de hélices...
De qualquer forma, neste país da treta (ou da teta, para todos os que estão sempre prontos para mamar à custa dos outros) anda tudo em bolandas às voltinhas com um tal plano tecnológico que inclui um tal de Magalhães. Regressando às presumíveis orelhas de asno a que já fiz referência, ainda me convenci que se referissem ao regresso de Pinto de Magalhães para colocar um ponto final na especulação bancária. Mas não! Era outra coisa! Acreditei poder ser o Fernão ressuscitado a querer servir a coroa portuguesa. Mas também não! É um computador "p'a putos"! Dizem os do plano tecnológico, 100% nacional! Até ter visto uma reportagem na qual, entre outros países, surgia a desenvolvidíssima Nigéria com idêntico espécimen! Mais um engano... Estou com "engania" (uma espécie de azia provocada por exposição prolongada a enganos)... Vou procurar um anti-ácido e volto daqui por uns dias...

domingo, 12 de outubro de 2008

Cousas da saúde e derivados

Já lá vão uns anos desde que alguém me transmitiu a ideia de que o hospital macedense era um projecto megalómano que, com o decurso dos anos, se transformaria num "elefante branco". Na altura, protestei de forma veemente, apelidando esse alguém (que por acaso faz parte do meu restrito círculo de amizades) de "profeta da desgraça". E não é que o (então) rapaz já tinha uma enorme capacidade de visionário? Por muito que me custe deglutir sapos, retiro o chapéu a quem teve o engenho mental de adivinhar o que o futuro reservava. E aqui este "jovem" (que também já foi rapaz), na sua "santa ingenuidade", assente na crença de que Macedo poderia ombrear com as vizinhas Mirandela e Bragança, foi "vendendo o peixe" de que a sua vila (agora cidade) possuía uma infraestrutura hospitalar capaz de oferecer benefícios para todos os macedenses. E, dada a sua centralidade no distrito, capaz de absorver as necessidades dos concelhos limítrofes. A realidade do presente é, no entanto, aziaga. Com o advento do Centro Hospitalar do Nordeste, parece inegável que a Unidade Hospitalar de Macedo se transformou numa espécie de "patinho feio". Ou são as cirurgias de ortopedia que são transferidas para outras unidades, ou é o laboratório de análises clínicas que perde a sua validade, ou as urgências que passam a funcionar noutro quadro. Ou seja lá o que for... Que não é, seguramente, compensado pela alternativa que poderá representar o hospital macedense como centro de esterilização. Honestamente, seria mais lógico esterilizar as mentes dos seres pensantes que estão a roubar (ou a deixar roubar) a enorme mais-valia que representava o agora cada vez mais "elefante branco". Ainda querem os senhores deputados por Bragança incentivar a vinda de médicos para o Nordeste Transmontano? Mas os senhores, por acaso, já ouviram a opinião dos médicos? Estarão mesmo convencidos de que, com as condições que (não) criam, haverá alguém em seu perfeito juízo a querer enterrar a sua vida num espaço cada vez mais ermo? Depois admirem-se por sermos um dos distritos com maior incidência de AVC's... Valha-nos a crise financeira para nos irmos esquecendo da crise na saúde... E já nem a Selecção consegue animar a malta...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Macedo faz-me tão bem


Mais não seja por retemperar forças com umas belíssimas alheiras fora de época. Seria injusto caso me limitasse a remeter-me para os prazeres gastronómicos. Na verdade, Macedo faz-me bem por motivos bastante superiores a umas alheiras (não que estas não constituam um óptimo complemento). A começar pelos preparativos de mais uma viagem que atravessa montes e vales, pintados por cores únicas. Já subi e desci o Marão uns centos de vezes e consigo sempre descortinar algo novo e único. Nem que seja uma pedra eremita para a qual nunca tinha direccionado o meu olhar. E, quando entro na província transmontana propriamente dita (que o Marão é serra dividida), não deixo de me perder com os aromas que, apesar de familiares, me servem de reconforto à alma. Da mesma forma, à medida que me aproximo de Macedo, não deixo de sentir a envolvência única dos tons que marcam a deslumbrante paisagem que acompanha o serpentear do caduco IP4. Finalmente, assemelhando-se a uma "revisão da matéria dada", é sempre com uma renovada emoção que reencontro os "meus" locais e a "minha" gente. Pode soar um pouco estranho, mas existe sempre a sensação de que é a primeira vez que chego à terra que me viu nascer. A realidade é que permanece tudo como se o tempo tivesse sido vítima de algum acidente nos seus ponteiros: as mesmas ruas, as mesmas casas, as mesmas pessoas. No entanto, ou os meus olhos sofrem de algum traumatismo amnésico, ou até a Serra de Bornes me parece sempre diferente... Cousas de um macedense sempre em busca de um regresso às origens...

sábado, 20 de setembro de 2008

Cousas das Convulsões do Mundo

O concelho de Macedo anda nas bocas do mundo geológico. Como atento observador dos eventos que pululam por terras macedenses, já não é a primeira vez que vejo a referência "umbigo do mundo" associada ao concelho. Por motivos estritamente particulares, já tinha tido a oportunidade de me debruçar sobre a importância que o Maciço de Morais detinha para a compreensão das convulsões pelas quais passaram as placas tectónicas até ser assumida a configuração continental que hoje conhecemos. Apraz-me assistir ao reconhecimento dessa mesma importância, numa forma que extravasa o reducente mundo científico, particularmente o daqueles "malucos" que entram em êxtase a olhar para pedras. A verdade incontornável é que, por muito que as novelas tragam mais mediatismo à "terra esquecida", no restrito (e muitas vezes fechado) universo da ciência, o concelho de Macedo tem uma seta de inegável valor cravada bem no seu centro (um pouco desviado a leste, é certo, mas fica mais bonito escrever "centro"). Mas, sendo objectivo(?), ainda que estes assuntos contribuam para o incremento do meu orgulho macedense, que contibuição oferecem para diminuir os efeitos da taxa de juro acima dos 5%? Pois isso provoca convulsões nos bolsos infinitamente superiores ao do movimento das placas continentais! Pode não ter efeitos imediatos tão devastadores como um terramoto na China, mas que é díficil manter o equilíbrio, especialmente o orçamental, lá isso é. Pelos vistos, este país não fica soterrado sob pedras, mas debaixo de dívidas. E como já acreditei mais que somos um povo de "velhos do Restelo", sempre disponível para vir para a televisão com a monótona tirada de "o negócio vai mal", começo a desejar a chegada de um qualquer D. Sebastião, mas assumindo a forma de um Infante D. Henrique... Contudo, ainda que tal fosse possível, estou cada vez mais céptico: já não temos as colónias para sustentar as loucuras orçamentais (agora são elas que nos colonizam) e a União Europeia já aprendeu a não dar ouvidos à "chico-espertice" de quem a tentou convencer que a Ferrari produzia veículos agrícolas... Pode ser que se descubra petróleo ao largo de Sesimbra ou Peniche. Ou que as Berlengas se transformem numa jazida de pedras preciosas. Ou que sejamos os pioneiros da colonização lunar... O problema é que já nem caravelas temos...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Cousando pela Causa das Cousas


A olivicultura transmontana não está de luto, mas acerca-se a passos largos de tal desdita. Reconheço que santos da casa não fazem milagres. De tal modo que não vou enveredar pelo facilitismo de lançar para aqui soluções com carácter verborreico. Na minha "santa ignorância" agrícola limito-me a observar os factos e a conjuntura em que os mesmos ocorrem. De cada vez que procuro obter notícias sobre a agricultura transmontana, obtenho sempre um quadro pintado cada vez mais a negro. Ou é o abandono dos campos, ou são as implicações negativas do custo dos combustíveis. Ou são as "indisposições" do santo padroeiro de Macedo a ditar as suas leis. A Associação de Olivicultores aponta para quebras que variam entre os 35 e os 75% na produção de azeite. Seja pela geada, pela trovoada ou pelas trombas-de-água acompanhadas de granizo, a realidade é que há olival a morrer. Ainda que se trate de futurologia catastrófica, não me admira que voltemos a ser apelidados de bárbaros, tal como Plínio o fez, por consumirmos banha em vez de azeite. Que seja daqui por muitos séculos que, da minha parte, quero continuar a degustar saladas e umas "batatecas" devidamente regadas com um fio de azeite de "3 décimas". E, já agora, porque não regadas, noutro sentido, com uma boa vinhaça. Entretanto, vou desejando que este tipo de profecia da desgraça não ultrapasse a fronteira da pura ficção.
Como nem tudo vai mal no "Reino da Dinamarca" (nem que seja pela lição em "futebolês" que levámos dos vikings...), outras ficções há que trazem bons ventos a terras transmontanas. Não é que uma novela rodada pela Terra Quente fez disparar os índices turísticos? E não é que "A Outra" fez descobrir "a outra" terra a gentes habituadas aos encantos da capital e dos "algarves"? Tenho que confessar que a azia que me provocava o enxame da chamada "ficção nacional" diminiu (pouquíssimo, é certo). E, caso a dita ficção continuar a representar uma lufada de ar fresco que sirva como tampão ao constante esquecimento a que este "reino maravilhoso" está votado, então, operarei uma metamorfose e transformar-me-ei num apoiante incondicional. Sem, contudo, envolver essa transformação a minha faceta de "não telespectador" de certos canais, particularmente após o repasto nocturno. Radical, sim (e por vezes), mas nem tanto...
Radicais parecem estar a ficar os voluntários dos Bombeiros macedenses. Quem trabalha, possui o inalienável direito à retribuição pelos seus serviços. A quem o faz, inúmeras vezes (se não, sempre), por amor à causa, é devida a justiça de lhe serem proporcionadas condições que recompensem os "pedaços de vida" que perdem. Parece-me que é injustificável a necessidade de recorrer aos protestos por não receber o que é devido, particularmente nas situações em que as verbas já foram disponibilizadas. Mais injustificável me parece o que vem a lume na imprensa sobre as condições deficientes em que "sobrevivem" os soldados da paz macedenses. Que não haja camaratas femininas, ainda vá lá que não vá (antes que seja acusado de machista, diria o mesmo caso a falta fosse para o lado masculino). Fico surpreendido, e incrédulo até, que um bombeiro tenha que recorrer à sua própria casa para um merecido banho, após um fatigante combate a um incêndio. Mas outro combate está na ordem do dia: o da insegurança. Não há telejornal no qual não tenha honras de abertura o quotidiano de criminalidade em que este país está mergulhado. Se não são assaltos a bancos, são a ourivesarias, a postos de abastecimento de combustível, ou, se calhar, um dia destes, à casa de qualquer um de nós (a mim não, porque já fui visitado em triplicado). Enquanto persiste a moda do "termo de identidade e residência" (mesmo que tal pesada pena seja aplicada a alguém que resolveu "espetar três balázios" nas barbas de quem estava numa esquadra policial), os agentes transmontanos vão treinado na carreira de tiro móvel. Só desconheço os verdadeiros motivos pelos quais treinam. Será que agora já podem disparar contra os meninos bem comportados e mascarados que andam para aí a divertir-se ao Carnaval e a assustar gente com "canos serrados" de faz-de-conta? É que, se não podem, não deveriam estar, antes, a treinar o preenchimento das burocracias associadas ao dito "termo de identidade e residência"? E, já agora, para quê a instalação de um campo de tiro em Macedo? Ou é necessário desenferrujar, de vez em quando, as armas que deveriam servir para a segurança de todos nós? Isto deixa-me confuso. A sério que deixa... E tal é a confusão que me recuso a continuar a onda de disparates... Vou antes tratar de dar as devidas voltas na fechadura de segurança e activar o alarme. E, como ainda escrevi mais isto, não me admira que seja bafejado com a sorte do tal "termo de identidade e residência"... Só para terem a certeza que não perderam mais um contribuinte que paga umas "balazitas p'ós treinos"... Triste país do fado... O que vale é que gosto disto...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O Regresso do Escárnio e Maldizer

Como já há muito tempo (!) que não trazia aqui a temática da Linha do Tua ("chiça", que o "gajo" é chato!)...
A novidade (será que é mesmo novidade?) é que a dita está suspensa entre o Cachão e o Tua. Para obviar a tal, recorreu-se a táxis de 8 lugares. Dizem por aí que os mesmos andam às moscas. Pudera! Mas haverá algum turista que pretenda efectuar 60 quilómetros por estradas em extremo mau estado, na ausência da magnífica paisagem proporcionada pela indescritível viagem sobre carris? Um bem-haja às duas passageiras que afirmaram não terem receio de viajar no combóio!
Os "deuses" agrícolas estão de candeias às avessas com quem retira o "ganha pão" do manuseamento das terras. Entre mais uma amena avaliação do estado da agricultura transmontana, concluíram que a elevada carga do preço dos combustíveis não era coisa bastante e decidiram-se pelo envio fora de época de uma "escarabanada" para os lados de Grijó. A carga de água até que podia ter vindo sem "pedra". Mais inundação, menos inundação... Mas lá que custa assistir à injustiça de ver um ano de produção ir por água abaixo, lá isso custa. Confesso que igual sorte não gostaria de ter tido...
Sorte é o que parece vão ter os alunos do 5º ano de Macedo. E não é que, num projecto pioneiro, vão passar, a partir deste ano lectivo, a ter aulas de Educação Sexual? Apesar de ter feito menção a "sorte", pensando bem na questão, já não estou tão seguro de tal caracterização. Terá sido avaliada a receptividade dos "papás" a tão "arrojado" projecto? E, caso o tenha sido, qual terá sido o feedback obtido? Ou a minha alternativa forma de pensar "à macedense" me engana, ou tenho sérias desconfianças que estará em fase embrionária uma qualquer situação de "mosquitos por cordas"... « "Tadinhas" das criancinhas... Ainda estão em idade de "Doraemons" e já lhe querem dar educação sobre o "pecado"? »
E "prontos"... Mais Centro Escolar novo, menos greves dos Bombeiros Voluntários... Mais projectos da Rede Natura, menos dívidas das Câmaras Municipais do distrito... Vai-se fazendo o quotidiano de uma terra que me corre no sangue...
Ah! Começou a rolar a bola! E o Clube Atlético começou com um empate em Amares, logo seguido da "expulsão" da Taça de Portugal... Coisa pouca: este ano não daria tanto prazer regressar ao Bessa...
Ah (em duplicado)!! O próximo fim-de-semana (6 e 7 de Setembro) vai ser de arromba para os apreciadores de música tradicional: decorre o IX Festival de uma iniciativa à qual já tive o privilégio de assistir. E (mesmo que não sejam de confiar as minhas opiniões), asseguro que vale a pena. Por mencionar tradicional, decorrerá, em simultâneo, o "I Encontro Turístico de Automóveis Antigos". Não deixa de constituir uma ementa apetitosa... Pena decorrer o "Red Bull Air Race" mesmo aqui ao lado...

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

domingo, 24 de agosto de 2008

Outra vez as Cousas da Linha do Tua

É verdade que já não circulo na dita linha desde que a encerraram a partir de Mirandela. Tudo o que possa adiantar sobre o actual estado da mesma seria pura especulação e, porque não, irresponsabilidade. Contudo, o recente acidente despertou-me as entranhas. Como tal, não me contive e decidi contrariar a vontade de não mais escrevinhar sobre uma morte mais que anunciada. É indesmentível a beleza única da paisagem que faz companhia ao também único percurso que se faz entre o Tua e Mirandela. É, de igual forma, indesmentível a dificuldade em manter a Linha do Tua funcional. Indesmentíveis são muitas outras coisas... Entre as quais, os números, particularmente os que respeitam aos acidentes ocorridos no último ano e meio. E os mesmos números correspondentes a 120 anos de história da linha, que começou no séc. XIX, fruto da intrepidez de visionários que não recearam a montanha-russa que representam as escarpas do Rio Tua. Confesso que, nas muitas viagens que fiz, fui assaltado por alguns pensamentos pessimistas, especialmente quando olhava para o vazio e imaginava o que poderia suceder na eventualidade de um descarrilamento. A verdade é que esses receios nunca se concretizaram. Talvez porque ninguém pensava em barragens na altura... Ou porque não havia planos de TGV... Ou talvez porque tudo era feito em regime de quase amadorismo, sem LNEC's e restantes entidades veladoras da nossa (in)segurança...
Sinto invadir-me por uma sensação de resignação. Já li em vários jornais a expressão "máfia hidráulica". Não deixo de me arrepiar ao pensar que tal seja possível. Porque, até à data, os acidentes já representaram a perda de vidas humanas. Reconheço que, haja crime ou não, o melhor é não arriscar... Façam lá a barragem e, se possível, devolvam o território às Astúrias, que foi onde os Romanos o colocaram inicialmente quando por cá estiveram. De uma coisa tenho a certeza: não seríamos mais vilipendiados do que aquilo que já somos...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Cousas do descanso


Os ares macedenses revitalizam até a mais penada das almas. Mesmo considerando a habitual invasão do mês de Agosto, não deixam de ser revigorantes as incursões às maravilhas que marcam a paisagem concelhia. No decorrer de quase três semanas, foi-me possível redescobrir os encantos representados pelos reencontros que pautam o período de férias. Sejam os mesmos com amigos que já não se viam há muito tempo ou com a família que se mantém sempre disponível para mais uma "merenda". Contudo, existe mundo para além das pessoas que, de uma forma ou de outra, marcam o percurso das nossas vidas. Não há período de descanso de Verão que não seja marcado pelo desfilar de música "popular" (para não utilizar a adjectivação mais comum...). Mesmo a contragosto, reconheço que, no meu caso particular, uns dias de Agosto passados em Macedo não seriam os mesmos sem os acordes, mesmo que ouvidos à distância, de Quim Barreiros e demais artistas em tudo semelhantes. É típico, dizem uns. Piroso ou pimba, apelidam-no outros. Seja como for, Agosto é mês de arraiais, de "tunning", de discotecas ambulantes, de poliglotas, de festas com carácter mais ou menos "popularucho". Mesmo que possa incomodar, é sabido que, sem a presença massiva destas manifestações "culturais", o calendário seria distorcido e saltaríamos de Julho para Setembro...
Como não sou adepto de grandes ajuntamentos, aproveito, na maior parte do tempo, para me refugiar em locais onde me transformo num autêntico asceta. Quando não me recolho ao conforto familiar do sofá, onde aproveito para colocar a leitura em dia (ou, neste mês, para assistir, fora-de-horas, às transmissões olímpicas), invisto o meu tempo a deambular pelos caminhos que pouca mais gente percorre. Foi dessa forma que, numa gorada tentativa de descobrir a Fraga dos Corvos, me perdi em plena Serra de Bornes. Apesar do contratempo e de alguma atrapalhação, aproveitei a ocasião para mais uns registos fotográficos. Já em Vilar do Monte recebi preciosas informações para a próxima incursão.
Coroada de êxito revelou-se a excursão, na companhia dos meus "pirralhos", à Terronha de Pinhovelo. Tendo efectuado um reconhecimento prévio, a aventura foi fascinante, particularmente para os "pequenos arqueólogos". De tal forma que já me solicitaram novas expedições. Especialmente, depois de lhes aguçar o apetite com uma visita ao Museu Arqueológico e de terem devorado a edição nº 5 dos "Cadernos Terras Quentes". Por mencionar o Museu Arqueológico, ainda que insignificante, deixo aqui um voto de louvor à iniciativa, à sua localização e às instalações. Bem como à simpatia de quem nos recebe. Porém, como não há bela sem senão, os "pirralhos" protestaram de forma veemente contra o parco espólio constante no dito museu (apesar das minhas explicações para a infância das investigações arqueológicas no concelho). Da minha parte, lamentei a ausência na exposição da moeda visigótica de Witiza (sei que está em boas mãos).
Ainda em termos arqueológicos, um lamento enorme em relação ao estado deplorável em que se encontra o único registo de megalitismo no concelho: a Mamoa de Santo Ambrósio. Entristeceu-me profundamente verificar tal estado, mesmo tendo sido informado das limitações com que se depararam os arqueólogos que procederam às escavações.
E, como nem só de pretendentes a Indiana Jones se fazem umas férias macedenses, não poderiam faltar as aventuras "azibescas". O local está, a cada ano que passa, mais aprazível. Em Setembro, fora das multidões, aproveitarei, seguramente, para uns momentos mais calmos nas suas imediações. E não deixarei de aproveitar a permanência para um passeio na nova atracção turística que representam as "charretes".
Como um bom transmontano tem que ser "bom garfo", nada como aproveitar uma tarde domingueira para "marfar" um bom leitão assado em forno a lenha na magnífica envolvência das centenárias árvores que marcam a paisagem do cabeço onde se situa o Santuário da Senhora do Campo. Pena, pena, é só ter o Azibo no horionte do campo visual. Porque, caso estivesse mais próximo, seria caso para se dizer que se estava muito perto do paraíso. A intervalar o repasto, umas voltas mais por estradas de terra batida. Uma nota para quem resolveu (e bem) construir a sua vivenda fora do bulício "citadino", entre a Senhora do Campo e Latães. Deveria ter mais cuidado com os seres canídeos que se revelam demasiado ameaçadores para quem está de passagem...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Cousas de uns dias de descanso


Como diria o ex-seleccionador nacional: "E o burro sou eu?"... Neste caso particular, sem descartar a probabilidade de, em algumas circunstâncias, ter algumas atitudes que se assemelhem ao retratado, o dito foi apanhado desprevenido, por entre as minhas deambulações estivais por terras macedenses. Por tal, desta vez (pelo menos), o burro não sou eu. Subjectivamente, óbvio é...

Porque, caso alguma alma desprevenida tenha tido o ensejo de apreciar um tolo, numa corrida desenfreada em chinelos de dedo, debaixo de um calor infernal, pelas margens da Albufeira do Azibo, com o objectivo de captar para a posteridade uma assustada ave, seguramente que optaria por considerar que o dito tolo era mais asno que o sobredito do retrato. "Anyway", valeu a pena. Não apenas pelos registos fotográficos conseguidos. O mergulho retemperador que se seguiu à louca corrida à Obikwelu foi recompensa bastante. A única desdita reside na invasão ocorrida às águas da albufeira por uma extensa família de arbustos aquáticos. Na minha ignorância, desconheço se a presença dos magotes arbustivos é sinónimo de saúde aquática. Na minha sabedoria de nadador-amador, fugidio de idênticos magotes, mas de veraneantes invasores das magníficas praias do Azibo, "enlouquece-me" não poder repetir os mergulhos de anos anteriores, afastado da "civilização" representada por plantações de chapéus-de-sol. Talvez o busílis da questão resida na tentativa de obter a exclusividade de uma área onde os meus ouvidos não sejam massacrados por gritos histéricos e por areia esvoaçante. Parece que, infelizmente, criei "maus" hábitos no decorrer da minha adolescência, quando frequentava a "barragem" (ainda não era "albufeira"), deslocando-me às "escadinhas", ora de um lado, ora do outro, alternando entre umas pedaladas por Vale de Prados ou umas hippies boleias pelo IP4.

Todavia, verdade seja dita, com ou sem invasões, o Azibo persiste em manter-se como um local único. A qualquer amante da natureza apraz verificar a proliferação de "vida" no ambiente da albufeira. Bastam uns minutos de "papo para o ar" para apreciar a magnificência do voo das aves de rapina. Um pouco mais de atenção às margens permite apreciar o bailado das limícolas. Ou a paz de espírito que representam as cegonhas. Ou ainda a maior paz que transmitem os peixes juvenis que se acercam de águas menos profundas. No entanto, não há bela sem senão: circulam, de igual forma, uns "moscardos" que me presentearam com umas "bolotas" no ventre e no dorso que, para além do desconforto propriamente dito, não há "fenistil" (passe a publicidade) que lhes faça frente.


Como nem só de "barragem" vive Macedo, resolvi efectuar umas incursões por algumas das aldeias do concelho. Entre maior ou menor abandono, pode verificar-se um interesse pela recuperação de algum património. Deixo aqui a magnífica visão obtida a partir da Terronha de Pinhovelo. E o agradecimento aos idosos que, pacientemente, aturaram as minhas questões sobre a sua localização. Senti um arrepio agradável ao inspeccionar o local habitado por presumíveis ancestrais macedenses. Contudo, os acessos encontram-se num estado deplorável e o povoado coberto por um extenso matagal. Fica aqui o registo da minha estranheza, já que no site da Câmara Municipal surge a informação de que o local arqueológico é visitável. Só se for por tolos como eu...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

As ditas e habituais cousas da semana


A abrir as hostilidades, um lamento: habituei-me (mal, pelos vistos) a matar saudades de uma das minhas terrinhas do coração (Lamas, antiga "de Podence") através do "ecosdelamas.blogspot.com". Vou estranhando a ausência de posts desde o "longínquo" 1 de Junho. Sinceramente, desejo que o autor do blog não tenha sofrido algum contratempo de maior e que seja apenas algo que afecta a maioria da gente, ou seja, a falta de tempo.

Saindo das hostilidades e entrando no campo das congratulações, satisfaz-me verificar que, apesar de atravessarmos a malfadada época de incêndios, os dados disponíveis até 14 de Julho são animadores: poucos fogos e de reduzida dimensão. Que a prevenção já aqui mencionada tenha as suas consequências. Fico satisfeito, de igual forma, ao tomar conhecimento da disponibilização de novos meios de comunicação aos bombeiros do distrito e, particularmente, no que directamente mais me diz respeito, aos Voluntários de Macedo. Que sejam o meio de evitar tragédias como aquela que vitimou, há uns anos, uma figura à qual presto aqui a minha homenagem, o "Celeirós".
Desconhecendo se é pelo aproximar de um período de férias, que me permitirá revisitar amigos e velhos conhecidos, hoje não estou virado para a "paródia e maldizer". Por tal interregno de "pimenta", tenho que endereçar, por esta via, os parabéns à ACIMC pelos seus 20 anos. Gostaria, certamente, de poder efectuar uma breve viagem no tempo e regressar à louca época em que larguei o "carimbo" de "teenager". Como tal não é possível, fica a pontinha de inveja em relação a quem, globalmente bem, tem dirigido os destinos da Feira de S.Pedro (e não só).
Uma nota final para três freguesias do concelho, por motivos distintos. A primeira delas, Talhinhas, por ser muito mais velha que a anteriormente mencionda ACIMC: comemora, neste ano, os seus 750 anos. Bonita idade, sem dúvida e à qual desejo que chegue a aludida ACIMC, porque nós, a bem dizer, nessa altura faremos parte da história dos longínquos séculos XX-XXI. De seguida, uma nota de apreço à perseverança de Lamalonga: não é para todos aguardar 30 anos pelo término, e respectiva inauguração, do edifício da Junta de Freguesia. A finalizar, um bem haja a Morais pela iniciativa da recriação da malha do trigo. E agora... Venham de lá uns bons mergulhos na "barragem", que bem estou precisado...

terça-feira, 15 de julho de 2008

Existe mundo para além do meu




É o que me transmitem alguns migradores ocasionais. Macedo é, sem dúvida, uma terra única, que fará parte de um certo Reino Maravilhoso de Torga. Por vezes, vou sentindo um certo ressentimento por ainda não ter prestado uma homenagem à minha terra adoptiva. Porque também possui as suas belezas peculiares e distintas. Talvez seja o momento de lhe prestar aqui a devida homenagem. E um obrigado à andorinha que, pacientemente, aguardou pelo registo para a posteridade...