
"Ó Bó! Bote cá um carólo de pão cum manteiga e cacau!"... "Ó Ti D'mingus! Unde stá u mou púcaro pra buber um cibo de gasosa?"... "Ó Ti C'stina! Abonde cá tantinha auga q'stou tchiinho de sede!"... "Ó Ti Fanano! Poss'ir cunsigo a tocar as burras?"... "Ó Ti ´Sprança! Atão num me dá um cibinho de presunto pra lantchare?"... "Ó Ti Juão! Num tem cicroas prós bilhetes?"... "Ó Ti Zé! Ó Ti Ana! 'Stão bôs? Bá, botim cá um doce!"...

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Mas não se muda a vontade. Sofre, apenas, umas variações. No Domingo repete-se um ritual de muitos anos. Com as alterações que a lei da vida vai fazendo no elenco. De alguns personagens só me resta a saudade, a aprendizagem e a amizade que foi nutrida. É certo que já não vou com "à Bó" à Canelha, o Ti D'mingos já não me compra "chiclas" no café nem joga matraquilhos comigo, o Ti Fanano já não me leva na carroça das burras... O outro Fanano também já não me dá mais cigarros às escondidas, a "Alferdina" já não me dá mais nenhum "magosto" com aquele sorriso inigualável... Nem a Ti'Ámelia me dá a provar mais as melhores alheiras que alguma vez comi... E agora, também já não tenho o Ti Guardiano para me convencer a beber vinho às nove da matina na arranca das batatas...

Mas tenho a memória! E o hábito de ir à Festa de Lamas mantendo as visitas que lhes fazia. Pode soar estranho, mas na "minha" festa, eles continuam a presentear-me com os "mimos", o sorriso e a amizade. É por isso que continuo a gostar de marcar presença. Por isso, e não só! Porque as amizades que tive se mantiveram na descendência genética que constitui os meus amigos de hoje. E porque, afinal de contas, a Calinha, a Bia, o Minho-Minho são os melhores afilhados do mundo e o "Bite piqueno" que vem a caminho há-de ser também (a Menanas e o Kiko também se incluem no grupo dos melhores do mundo, mas não têm costela lamacense).

A verdade, também, é que, modéstia à parte, continuo a ter os melhores tios e primos do mundo, mesmo com querelas familiares de permeio. Ser "Imberno" é ser "Imberno" e, no que respeito me diz, sinto um orgulho imenso, mesmo sendo meio-Fiscal, em ser cognominado pela alcunha do meu "bô" Bernardino. E por "Imberno" ser, lá continuarei a marcar presença na "pecissão" (se não acordar tarde), no "tacho" em casa do compadre, no concerto da banda (mesmo que tenha saudades das desafinações no coreto) e no arraial (meio "descontchabado" ainda sou capaz de arrastar os pés). Mais uns "copetchos" extra pr'ánimar a malta e uma jogatina de futebol à velha maneira solteiros contra casados (nem que seja fiscal-de-linha sentado num "motcho" só p'ra marcar os foras-de-jogo)...
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