Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quinta-feira, 16 de julho de 2009

Cousas do Toural e do Campo da Bola (II)

Para lá do espaço ocupado pelo Toural, existia ainda o mítico "olibal". Um espaço enormíssimo, hoje ocupado pelo casario e pela biblioteca, onde a miudagem dava asas às suas aventuras infanto-juvenis. O problema residia no desafio que representava o "Patchalica" e a forma zelosa com que cuidava da propriedade. Algumas pauladas (levadas especialmente pelos mais velhos) eram devidamente compensadas pela vitória de conseguir entrar no palheiro ou pela ousadia de trepar ao pombal. Até que um dia chegou a civilização... E com ela, as máquinas pintadas a negro do alcatrão, os "homes das obras" e o cheiro nauseabundo da fase pré-asfalto. Finou o terreiro e morreram os plátanos. Ficou o Toural de cara lavada, com passeios de cimento, um jardim no seu interior e dois parques infantis que passaram a fazer (enquanto não foram danificados) as delícias da pequenada. Rapidamente o passeio se transformou numa pista para carrinhos de rolamentos, skates e patins. Nessa altura, já os veteranos tinham outros interesses e o exército era formado pelo "Gusto", pelo "Ruço", pelo "Ardúrias", pelo "Bítaro", pelo "Rugé" e por outros que vinham das proximidades à descoberta dos encantos do Toural. Foi o tempo das aventuras que incluíam a construção de cabanas nas oliveiras, feitas de tábuas roubadas da serração e de plásticos trazidos não sei de onde. Quando os "homes da obras" abandonaram o estaleiro, aproveitaram-se as instalações para as transformar em quartel-general secreto. Era aí que se combinava a táctica para os recontros de cavalaria com o pessoal de outras "freguesias", especialmente a da "Praça". Como eram mais, levávamos sempre nas "trombas". Como nos sentíamos injustiçados, resolvemos, em Conselho de Guerra, passar a utilizar algo mais sofisticado que as espadas improvisadas feitas de tábuas surripiadas. Surgiram as fisgas e um perigosíssimo arsenal bélico que incluía arcos e flechas feitas de varetas de guarda-chuvas (ainda hoje não sei como nunca ninguém se mogoou seriamente). Quase me restringia a não contar a forma como passei a utilizar a minha "pressão de ar" nestas "guerras de bairros". Como o campo de batalha se situava sensivelmente na fronteira entre o Toural e a Praça, trepava ao pombal e ficava lá quieto, mas pouco sossegado, armado em sniper. Valha-me que a pontaria não deveria ser muita e o alcance era limitado... Sentia-me tão seguro na posse de uma "arma de fazer cócegas" que passei a internar-me no olival em período nocturno, devidamente equipado, tal qual um "soldado da fortuna". A escuridão incrementava os níveis de adrenalina. Fazia emboscadas a inimigos imaginários e defendia com unhas e dentes o meu castelo. Desisti da ideia no dia em que me faltou o apoio no pé ao descer as paredes do pombal. Aterrei violentamente em cima de algo que me deixou a roupa a libertar aromas de tal forma desagradáveis que nem senti o rasgão que tinha feito no joelho. Saltei o muro das traseiras de casa, entrei pela porta secreta, vesti o pijama, atando o joelho com um pano velho para que a velhota não se apercebesse dos efeitos das minhas investidas nocturnas. A coisa passou e ainda guardo religiosamente a enorme cicatriz que ficou gravada na pele...

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