Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



segunda-feira, 13 de julho de 2009

"O Recordar das Tradições"

Longe vão os tempos das "ranchadas" de segadores que se acumulavam pelas ruas da então vila, a partir, sensivelmente, do S. Pedro. Em forma de equívoco espacial, foi-lhes dedicada uma praça. Antes esta dedicatória que serem votados ao esquecimento... Afinal, eram estes forasteiros que davam vida e um colorido diferente à vila, com a sua algazarra de cantares, entoados ao som de concertinas e demais instrumentos musicais alheios à pacatez macedense de então. Mesmo que a sua acumulação se desse noutras praças que não aquela onde lhe foi prestada homenagem, nomeadamente a das Eiras, a Agostinho Valente ou a Manuel Pinto de Azevedo. Vem isto a propósito da persistência das gentes de Morais na recriação de uma tradição que foi substituída pela maquinaria, pela baixa rentabilidade e pela consequente deserção de gente para outras paragens. Tenho pena de não poder dar a minha contribuição presencial. Mas não deixo de me congratular por esta batalha do "recordar das tradições". Porque o sangue transmontano só continuará a correr nas veias caso se mantenha a unicidade e os traços distintivos de um povo e das suas tradições. Como escreveu Barroso da Fonte no Notícias do Douro, «Ser Transmontano é, verdadeiramente, sinónimo de qualidade certificada.» Essa qualidade é atestada por todas as manifestações de um sentir diferente, de um pulsar distinto e de um carácter único, desenhado a séculos de isolamento. Por isso é tão importante este resgatar de tempos esquecidos. Para que os que constituem a descendência deste carácter marcado a xisto e granito não esqueçam que os calos deixados hoje por uso excessivo de "gameboys", "playstations" e "x-boxs", eram dantes fruto de actividades como a segada, a acarreja e a malha. Os comandos eram desenhados a outras cores, com ausência de botões e fios para ligação a consolas ou computadores. E, para os que podiam, não fosse o diabo tecê-las, havia umas coisas semelhantes a luvas de boxe arcaicas, às quais davam o sugestivo nome de dedeiras. Mas já existia, então, uma espécie ancestral de "transformers": os carros dos bois ou das burras. Podiam alterar-se, consoante precisassem de "estadulhos" ou não. Não tinham portas, nem motores, nem estofos em pele. Também não possuíam travões de disco nem correias de distribuição. E o único equipamento de som com que vinham equipados era a saudosa canção melancólica do chiar das suas rodas, que se ouvia ao sabor da ausência de ar condicionado, enquanto o ar forçado a calor estival percorria a face e o tronco desejosos de um mergulho fresco...

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