Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



segunda-feira, 6 de julho de 2009

Migrações ao S. Pedro

Há tradições que somos, quase compulsivamente, obrigados a cumprir. Uma delas resulta da força exercida pela mais velha da descendência, tal o torno em que se transforma sempre que suspeita da existência de sons que lhe permitem dar asas à sua paixão por danças latinas. Desta vez, repetiu-se o ritual do ano transacto: havia kizomba... Promessas feitas, promessas cumpridas... E lá se configurou uma nova incursão às raízes. Acompanhada, como sempre, do nervoso miudinho que, invariavelmente, chega quando se aproxima um novo serpentear pelo IP4. Idêntica sensação se apossa da avó, ansiosa pela chegada dos "seus", materializada pelas suas intermináveis conversas com o meu ancião ser canino: "Olha! Vem aí o teu dono! Vai lá ver!". O coitado, desprovido das suas naturais faculdades (já ultrapassou a marca dos 15 anos o que, para um Canis lupus familiaris, é obra de monta), já não anseia por mais que ser afagado pela incomensurável paixão que o dono nutre por ele e por receber uns petiscos extra sempre que se encontra com ele. A chegada a Macedo é, há anos, acompanhada pelo refrão de uma música de muitos anos, da autoria (julgo eu) do macedense Carlos Baptista: "Macedo de Cavaleiros, terra da minha afeição...". Devidamente ajustada a sons do séc. XXI e com umas deturpações no final do dito refrão... - "Oh, Patroa! Bote cá um tchi e um beiju, catano!" - "Oh, mou filho! Fizestis boa biagim? Binde comer que já é mim tarde!"... E que bem me sabem os mimos culinários preparados pela Mãe! Devidamente acompanhados por um "carólo" de pãozinho caseiro, uma "seladinha" fresca e aconchegados por um "copetcho". Após uma refeição "tardega" e não conseguindo faltar ao prometido, nada como rumar à confusão de uma noite do S. Pedro, para uma absorção de sonoridades africanas desenhadas a kizomba e a uns passos de dança tendo por companhia a minha princesa... À semelhança do já relatado em relação ao ano passado, continuo a sentir-me um alienígena na minha própria terra. "Ele há cousas que num intendo! Atão o pessoal num desiste d'assistir a concertos de braços cruzados ou de mãos nos bolsos?"...

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