Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Semanas Masaedenses

Entre muitas outras coisas, há uma forma distinta e marcante que caracteriza a essência do ser transmontano. “Cumer e buber é o que lubamus daqui’e!…“ Poderá surgir, de um qualquer canto, um indígena mais genuíno que eu a contestar tal assumpção. Porém, em última instância, a sua aplicabilidade restringe-se, mais não seja, à pureza do sentir macedense que é do meu conhecimento. Ainda que o mesmo seja passível de legítimas discórdias… Limitar-me-ei a estar de acordo, mesmo no desacordo. “Boto cá pra for’ó que sinto e mai nada!”… De tal forma que, excluindo o “enfarta burros” dos dias da festa na aldeia, não tenho feito outra coisa que não… práticas de “enfarta burros”… Na Terça-feira, possuído do desejo de acalmar as hostes, derivadas das contingências de dois dias de “munta tchitcha mamada ó som do bira dus copus”, resolvi manter-me quedo e mudo nas águas calmas do casario do coração da “vila”. Qual quê?… Após mais um fausto jantar, surgiu o desafio do «vamos matar saudades de uma bilharada?»… Assim como quem não quer a coisa e se faz um “catcho” difícil, acabei por não me fazer rogado ao irresistível convite, descendo até à civilização… Uma dose de cafeína extra na “Miguéis” serviu de combustível para a brevidade de uma subida ao “Lá em Cima” que, para um veterano das velhas lides nocturnas macedenses, continua a ser um misto de “Cesário”, “Americano”, “David” ou, mais comummente aceite, “White Horse”. Venha de lá o habitual “Irish”, mais a acompanhante “aguinha com bolhas” para “desinfastiar“... E o silêncio quebrado pelo som de uns tacos a tentarem aplicar a melhor trajectória a umas bolas coloridas… Mais uma noite terminada a horas que, por decência, não vale a pena mencionar. Ou a indecência da ingestão de folar fora-de-época, fora-de-horas… Obviamente que o despertar foi aziago, suturado por uns pontos dados por um mix de analgésico (paracetamol para os amigos, acetaminofeno para os intelectuais e qualquer coisa terminada em “on” para pedir na farmácia) e a antioxidante (uma “mistela“ que não sei se faz muito efeito mas que serviu para uma letra de uma música do Gonzo). Atendendo ao exposto, não houve lugar a almoço… Livra!!! Não havia estômago que aguentasse uma sardinhada após uma noite de abusos… A coisa compôs-se na viagem nocturna a um caldo verde e… a mais um “cibo de tchitcha assada”! Equilibrado o suco gástrico, seria hora de repor as horas perdidas de sono. Não fosse o despertar a horas impróprias, com os batimentos férreos cadenciados para a montagem das tendas que haveriam de servir para a gente trabalhadora que se aprestava para vender os seus produtos na feira. “Pim, pim, pim! Seis da matina?”… Uma incursão à cozinha, um pequeno-almoço forçado pelo ruído exterior, uma leitura com os primeiros raios de sol a incomodarem a lua que ainda se via no horizonte… O sono foi irreprimível e forçou um regresso ao aconchego dos lençóis… Afinal, havia o compromisso de mais um jantar em casa de amigos… Antes do dito houve tempo para uma investida ao ambiente especial da dita feira e, posteriormente a uma cabidela com franguinho caseiro, a algumas aldeias concelhias e a um contacto com gente única que ainda olha com desconfiança o “forasteiro” com aspecto de pirata que se diverte a sentir o pulsar das rugas desenhadas a xisto. «- Bua tarde! - Bua tarde nos dia Dous! U s’nhore é pa cumprá’estas casas? - Bô era! E quem as quer’e? É só pra tirar uas fotos… Num s’importa? - Mim bô gosto tem! Num é de cá, peis não? - Sou, sou! Sou de Macedo e gosto munto disto. - E é de quem?… Bá, tire lá intão as fotos… Num beb’um copo?»… Cumprido o agradável compromisso, na companhia de gente que marca, mesmo à distância, o compasso da minha vida, foi hora de satisfazer os pedidos da miudagem e rumar à Festa do Emigrante. Honestamente, não é manifestação que faça parte dos meus anseios de lazer, mas… Há coisas que merecem um sacrifício… Mesmo que a estadia tenha sido breve. Como que a adivinhar mais uma noite em que o sono haveria de ser interrompido pelas madrugadoras investidas dos jardineiros, acompanhados de umas moto-serras, que andaram a desbastar o arvoredo que limita a “albergaria”. “Seis da matina? Outra vez? Má sorte, amor ardente”… O sono venceu, de novo o ruído… E as constantes interrupções de Morfeu haveriam de ser compensadas por uma incursão ao “meu” Azibo para um retemperador mergulho vespertino. Seguida de um jantar embrulhado a calma familiar… Até ao surgimento do desafio de um casal amigo para “ir dar uma volta à vila”… E a mais um copo… Não tardou a volta porque o cansaço acumulado era por demais evidente. Contudo, a noite, à semelhança das anteriores, revelou-se fértil em ruído anti-descanso. Com a particularidade da antecipação de uma hora! Não fui despertado às “seis da matina”! Já seria monótono… À boa maneira de um qualquer D. Quixote, acompanhado de uns quantos Sanchos Pança, houve uns noctívagos que resolveram transformar um caixote do lixo em “moinho imaginário”. Desconheço quem saiu vencedor da contenda mas, pelo ruído, o mobiliário público resistiu heroicamente às investidas dos cavaleiros… Quem não resistiu foi a minha paciência, especialmente porque, após tão terrível carnificina, surgiu, poucas horas após, a artilharia… Representada pelos morteiros de uma das muitas festas que pululam por este mês de reencontros populares por estas bandas… “Bem que pudium butar us fuguetes mais prá tardinha”… Por isso, o Sábado foi dia caseiro… À excepção de uns devaneios pelo sopé da serra de Bornes e uma rápida excursão a Banrezes. Mais uma saída com a pirralha com o intuito de captar uns nocturnos macedenses. Ainda deu para uma entrada no magnífico Museu de Arte Sacra e… para não conseguir descansar, decentemente, uma noite mais… Os sons provenientes da Festa do Emigrante abafaram o silêncio nocturno até às duas da manhã… E o excessivo vento ajudou à festa… Irra!

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