Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Cousas depreciativamente depressivas

Estou possuído por uma espécie de embriaguez pré-período eleitoral. Lanço, publicamente, um repto: arranjem-me notícias de Macedo onde não seja mencionada, de alguma forma, a acusação de “falta de democracia” na elaboração das listas para as autárquicas! Creio que será o único antídoto eficaz para lidar de modo mentalmente mais pacífico com as acusações a que já fiz referência num post anterior. Ainda que as mesmas não sejam infundadas, que importância têm para a gravidade de factos que assolam a província transmontana? Num recente estudo da Comissão Europeia acerca da pobreza, a Região Norte foi considerada a mais pobre do país. Num âmbito mais abrangente, está incluída no grupo das 30 mais pobres da UE (considerando 25 países). Isto quando as duas maiores fortunas do país se encontram nesta mesma região! Sinto náuseas… Mais grave e aterrador é que Trás-os-Montes é a Sub-Região mais pobre da UE (considerando 27 países)!!! Apetece-me largar as raízes de vez e mudar-me, de armas e bagagens, para a Eslovénia, para a Letónia ou para o Chipre! Vêm os analistas (aquela classe que sabe de tudo um pouco, um pouco de tudo e nada de nada) afirmar, peremptoriamente, que tal se deve ao desperdício de Fundos Comunitários. Quais fundos? Será que se referem ao PRODER? Aquele programa que tentei aproveitar para revalorizar terrenos incultos e que, de empurra em empurra, de obstáculo em obstáculo, de ignorante em ignorante, me constrangeu a mandar a persistência para aquela parte, tal a forma como fui vencido pelo cansaço de engenheiros e doutores “alapados” numa poltrona de improdutividade em que a regra é “deixem-me descansar até à chegada do próximo ordenado”… Dizem-me as más línguas que foi aprovado um projecto para Trás-os-Montes. Um?!?! Gostaria de conhecer o “sortudo“... Sempre contribuiu para não sermos vergados à vergonha de assistirmos à devolução da totalidade dos Fundos… Pelos vistos, não só somos pobres, como mal agradecidos… Mesmo que, e ainda segundo as más línguas, o rio Douro (que também é transmontano) “desperdice” 55% da produção eléctrica nacional sem recebermos nada em troca. Deve ser por isso que se mantém a pretensão de passar o “desperdício” para 55,5% com a construção da hidroeléctrica do rio Tua… Se já soava a irreversível, mais se agravou a sensação com o debate parlamentar sobre a Petição “Movimento Cívico pela Linha do Tua”. A Oposição, mesmo que hipocritamente, defendeu a manutenção de um dos paraísos transmontanos, com algumas tiradas que são de registar. Saliente-se aquela em que um senhor deputado afirmou que “nem a linha, nem os comboios sabem nadar, tal e qual acontecia com as gravuras de Foz Côa”. Pois não sabem, mas vão ter que aprender. Ai vão, vão! “A via férrea deixou de ter utilização, deixou de ser útil para as pessoas que ali vivem e trabalham, que optaram pelo transporte rodoviário”. Esta intervenção, pasme-se, foi tida por um senhor deputado eleito por Trás-os-Montes! É de lhe se tirar o chapéu! Será que das 5.000 pessoas que assinaram a dita petição estão excluídas todas aquelas para quem a ferrovia se transformou em inutilidade? Será que o Presidente da Câmara de Mirandela tem razão quando afirma que esse deputado foi eleito pelo círculo de “Mirandela para cima”? Ou será que esse senhor deputado não se considera representante dos 5.000 assinantes desvairados? Ou terá sido eleito pelos votos da EDP? Apetece-me recorrer ao quase homónimo do senhor deputado (quase porque tem mais o “de Camões” na nomenclatura) : «A dor acostumada não se sente»… Mas sente-se a dor derivada do facto de a dita Sub-Região mais pobre da UE27 ter eleito um deputado que, dificilmente, voltará a sê-lo na próxima legislatura. Porque nos reduziram para três o número de deputados a ser eleitos pelo círculo de Bragança. Um destes dias igualamos o distrito de Portalegre… Bem vistas as coisas, o melhor seria nem elegermos nenhum. Um dos candidatos cabeça de lista (bem na pole position para nos representar(?)…) é de Penafiel e exerce a sua profissão na Invicta Cidade. Vai defender o quê? Os Vinhos Verdes de Trás-os-Montes?… Perante isto, será assim tão importante a tão propalada “falta de democracia”? Temos é “falta de deputados”, “falta de cuidados”, “falta de riqueza”, “falta de escrúpulos” e, um destes dias, “falta de tudo”… Menos do orgulho em ser transmontano (e macedense)… Por mim falando, certo é… Protestarei até que a voz me doa… Ou até sermos transformados num qualquer Kosovo mesmo à beirinha de Zamora… “Quem tu dixo?”…

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