Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



domingo, 16 de agosto de 2009

Pedaços de Macedo ComVida

Estou todo “contcho”! Possuo a mais indelével prova de que não se devem fazer juízos de valor, mas sim juízos de facto. Neste ano de triplo “dever cívico”, cedi às pretensões familiares para me dedicar a três semanas (!) no coração do Nordeste da Sub-Região mais pobre da Europa Comunitária… Pobre numas coisas, mas… Nutro uma enorme paixão pela riqueza que emana de todas aquelas coisas que o dinheiro não pode comprar e que se encontram bem vincadas em “Villar de Masaedo”, bem como nas muitas aldeias que constituem o seu entorno. “Sancta Maria de Lamis“, “Piunero”, “Podenti”, “Tealinas”, “Valle de Cortisis”, “Egreiió”, “Sancta Columba” ou as desaparecidas “Veareses”, “Paixõ” e “Crastelos”, só para citar alguns históricos exemplos. Mas a ideia de estender essa paixão ao transcurso de três semanas provocava-me alguns calafrios de monotonia!… Equivoquei-me… Se equivoquei! Macedo tem vida, o Jardim recuperou alguma da dignidade perdida, as actividades vão-se multiplicando, há cultura, há desporto para lá do futebol!… E há amigos, velhos conhecidos. E, também, pessoas que me cumprimentam e me deixam com uma angústia de “tótó” porque, mesmo com desenhos e mapas, dificilmente avivam a memória de quem daqui se ausentou há mais de duas décadas. É com alguma frustração que sou saudado com alguns sorrisos aos quais retribuo com um indisfarçável sorriso amarelo. A sério, é mesmo constrangedor! Em algumas circunstâncias, no entanto, após algumas insistências do género “Então não te lembras?”, sou invadido por uma inexplicável sensação de conquista, como se me tivesse transformado num neo-Arquimedes. Há situações em que é óptimo resgatar memórias… Outras há em que é mais saudável limitarmo-nos ao “carpe diem”. É baseado nesse “sugar o tutano da vida” que tenho tentado passar através destes dias de canícula. Limitado pela infeliz coincidência de, em simultâneo, terem sido ligados todos os fornos concelhios… Seria um atrevimento aventurar-me pelos remotos locais da nossa história com este calor que deve permitir estrelar ovos sem “sertã“… Como há mais marés que marinheiros, num qualquer futuro próximo, há-de haver disposição meteorológica que me faculte embrenhar-me pela Levada Velha ou pelo Forno da Velha. Ou por outros locais onde foram deixados antropomorfos, podomorfos e arte esquemática. E cruciformes, covinhas e ferraduras… Pena estar a Fraga da Pegada enclausurada por detrás de um estudo… E não perderei o ensejo de um périplo por Xaires, pela Caúnha, pelo Bovinho, pelo Cramanchão, pela Fraga dos Corvos ou pela fantástica Terronha de Pinhovelo. Ou por uma das vias do Itinerário de Antonino que atravessou este concelho, até há bem pouco tempo, pretensamente sem história. Não só tem história como tem quem a procure redescobrir. Honra seja feita a quem se tem dedicado a desenterrar o passado macedense e a expor os resultados em locais magníficos como os Museus Arqueológico e o de Arte Sacra. Pessoalmente, ficarei eternamente grato a quem tem contribuído para o meu entendimento acerca da história do meu concelho e da sua gente. O engrandecimento de uma terra reside nos actos que a elevam à distinção. Esta gestão autárquica tem cometido erros? Sem dúvida! Não conheço nenhuma que os não cometa… Esses erros podem ser camuflados? Obviamente que não! Contudo, os mesmos não constituem um óbice a que hoje sinta um orgulho cada vez mais visível em, mesmo estando à distância, fazer parte desta terra e desta gente. E em participar activamente nas manifestações de índole cultural que vão grassando por estes dias. O concerto dos Quinta do Bill fez-me regredir até aos loucos anos em que pulava incógnito no meio da multidão, absorvendo as tonalidades musicais dos grupos que marcavam o meu crescimento. Reviver esses momentos com os meus pirralhos, atónitos, a pularem a um ritmo que já não consigo acompanhar e a incentivarem-me para um regresso ao passado, foi inolvidável e propiciador de arrepios temporais indescritíveis. Algo semelhante sucede com a marcação de presença assídua na Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo, seja para um retemperador mergulho ou para um desentorpecimento de pernas pelos magníficos trilhos que a rodeiam. Fico extasiado com a forma como lhes consegui transmitir a paixão! Eles adoram Macedo, as aldeias (particularmente Lamas e Nogueirinha, onde possuem uma parte das raízes), as piscinas, a barragem, o jardim e as amizades que por cá vão construindo. Ficam fascinados com a fauna e a flora, querem fotografar insectos e mamíferos, aves e peixes, árvores e arbustos. Um rebanho é sempre motivo para uma paragem, querem ver burros, cavalos e demais animais de quatro patas. E questionam-me sobre lontras, lobos, raposas, águias, falcões e… víboras-cornudas… E querem que lhes ensine a atirar pedras longe… E a trepar às árvores e aos penedos de xisto… E massacram-me agradavelmente com as expedições arqueológicas, querendo saber tudo acerca da Mamoa de Santo Ambrósio, da Terronha de Pinhovelo, da ponte e da aldeia de Banrezes… E de Zoelas, Romanos, Suevos, Visigodos, Árabes… E da Reconquista… E porque temos um apelido que consta do grupo dos cinco que fizeram, inicialmente, a história do condado… E qual é a derivação do nome Macedo… E porque Macedo tem a ver com Aljubarrota, mas não tem castelo… Não tem castelo, mas tem VIDA!

2 comentários:

martim da maça disse...

5ª feira 20 de Agosto, 21h, museu de arte sacra.
Noites com o património " Arqueologia"
Lá o esperamos

Cavaleiro Andante disse...

Compromissos familiares não me permitiram estar presente. Outras oportunidades surgirão, seguramente. Obrigado pela mensagem.