Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Trovas de um ano que finda - Vias de comunicação II

O Túnel do Marão é uma obra que se expande para lá das expectativas de um mais fácil acesso a terras transmontano-bragançanas. Será a própria luz ao fundo do mesmo? Rasga-se a serra, talvez os que para lá do Marão estão, deixem de mandar. Já nada mandam, é certo, e pouca gente resta para o fazer, mas à falta de melhor, conforta manter a crença. Nunca se sabe se, numa qualquer teoria da conspiração, o túnel mais não seja que o último assalto a um reduto enclausurado por um IP4 desnivelado, perigoso, mal concebido. E que, quando o buraco estiver terminado, não aproveitem os quilómetros do mesmo para encurralar os irredutíveis, tapando cada uma das saídas, de forma a acabar-lhes, de vez, com a raça. Dessa forma, será desnecessária a solidariedade de companhias eléctricas, submergindo-se tudo de vez… Convém não esquecer que, para lá do Tua e do Sabor, ainda há o Rabaçal, o Fervença, o Azibo, o Macedo, o Maçãs, o Angueira, o Mente, o Baceiro, o Tuela (não sei se me esqueci de algum), mais umas ribeiras e ribeiros que, devidamente aproveitados, poderiam criar muito mais que a iconográfica Ilha do Fidalgo. O que seria de um distrito transfigurado em arquipélago, formado pelas Ilhas de Montesinho, Coroa, Nogueira e Bornes? Como já temos os da Madeira e dos Açores, e “perdemos” Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe, mais a “ilhota” Ceilão que de nome mudou, passaríamos a ter a compensação: Arquipélago do Onde É Que Isso Fica. Não haveria mais discussões acerca de um “estúpido” distrito com “apenas” 150.000 habitantes que se queixam de os terem privado da ferrovia… Lá se poderia ligar, por via férrea, Bornes à Nogueira? Deixaria de existir, veja-se, um distrito português sem um quilómetro de auto-estrada! E o Tribunal de Contas remetia para o arquivo morto as hipocritamente paralelas questões das AE Transmontana e Douro Interior… Cousas de outros tempos, já não teríamos nenhum Zarco ou Teixeira a descobrir terras do Jardim, á beira de Porto Santo plantadas. Nem polémicas haveria acerca de Silves ou Cabral como premiados de primeira observação de terras de aves de rapina aproveitadas para publicidade a derivados lácteos com futebolistas de permeio… Outros haveria para comemorar, daqui por cinco séculos: Soares, Silva, Sousa, Barroso, Lopes, Amaral, Cunhal, Lourenço, entre tantos, tantos outros que, ao longo do vigésimo século, demonstraram que vale a pena a persistência. Ainda que a dita possa advir, nalguns casos, de carga genética transmontana… Mas é, duplamente, do distrito ao lado… Na rifa dos Orçamentos de Estado, em arquipélago transformados, mais não seríamos que uma autónoma região, sorvedora de dinheiros públicos. Teríamos as Linhas do Tua e do Sabor, mais um troço da do Douro submersas. Mas seríamos bafejados por um aeroporto na cumeada de Bornes, com extensão ganha, principescamente, ao grande oceano transmontano, aproveitando as antenas como base de sustentação; um porto de mar interior na Nogueira, com direito a fogo-de-artifício no fim-de-ano a partir da Senhora da Serra; para os lados de Montesinho e Coroa, ao invés de abandono e vida selvagem, teríamos um "corço" carnavalesco mascarado de lobos, raposas, javalis e veados, marcando presença centenas de figurantes ursos que já por cá andaram e que, valha-me Santa Genética, devem por cá ter deixado algum raro marcador… Que sonhador sou… Entretanto, a realidade mostra-me a faceta das obras que não se sabe até quando irão prosseguir… E constrange-me a um desvio que inclui A41, A42, A7, A24, até chegar ao irregular piso onde me obrigam a circular de faróis acesos enquanto as suspensões vão gemendo ao sabor de um piso por demais desgastado. Desgaste extensível à paciência de percorrer quilómetros de asfalto em trajectórias inverosímeis, atrás de uma qualquer infeliz lesma que anseia por uma merecida dupla faixa de rodagem… E é bom que não neve, numa daquelas manifestações de nevada “caga-tacos”, capaz de contornar as mínimas condições de circulação num país situado a latitudes europeias de clima temperado… Mais uma das vantagens da transformação em arquipélago: teríamos sal que chegasse… Mas nem tudo é mau. Venha de lá a estupefacção e o bom senso! No último nevão(!) em Macedo, fui surpreendido pela rápida intervenção de veículos camarários, pirilampos laranja activados, às duas da madrugada, enquanto um louco cavaleiro se entretinha a registar a alvura pelo vazio centro macedense. Tire-se o chapéu quando é de toda a justiça fazê-lo! E coloque-se quando se circula entre a sede concelhia e as participantes freguesias. Retire-se, apenas, o exemplo do troço entre Macedo e o Pontão de Lamas… Como se resolve a irregularidade do traçado? Copia-se o exemplo do IP4, com pequenas diferenças… Ao invés de duplo traço contínuo e frágeis separadores, pinta-se o meio da via com um longo traço branco, imperceptível em circunstâncias onde a dúvida da ultrapassagem nos assalta. O que se deseja? Voltar ao litoral, imaginando os benefícios de transformar a suprema região geradora de electricidade sem colher benefícios, numa mais suprema região, geradora de ainda mais electricidade, colhendo menos benefícios ainda. Para lá de, submersa e transformada em arquipélago (só por ter uns “picozitos” acima dos 1000 metros), ter direito, em forma de compensação pela ausência de ferrovias e rodovias decentes, a uma qualquer companhia aérea que não poderia ser SATA, pelo perigo que o plágio representa. Poderia ser CHATA (Catantcho Hai Arraiolos Trasmuntanos Atesoados) ou, numa versão mais suave, Companhia Hipócrita Aérea Transmontanos Abandonados. “Q’mai fai”… Afinal, o Canis lupus signatus sabe nadar… Iô…

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