Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Cousas transmontanamente sentidas

A D. Aldina exala a simplicidade do ser. Transmite muito mais que a imagem da transmontana trabalhadora, atinge o patamar da genuinidade, deixando transparecer um universo distinto que vai muito para além das suas mãos privadas de impressões digitais por excesso de labor. A generosidade que se esconde por detrás de um sorriso tímido deixa-nos mergulhados num mar de orgulho transmontano. A D. Aldina representa muito mais que a mulher da Amendoeira que luta pela preservação das tradições. É a própria tradição em si! Bendita MULHER! Hoje, tal como prometido, na passagem pela cidade adoptiva, desviei um pouco o trajecto para recolher aquele que haveria de ser um divinal lanche, mimoseado com um soberbo folar fora de época, quentinho, fofo, delicioso, manjar dos deuses. Não com um sabor qualquer... Sabe a terra, a suor, a tradição, a pedras, a neve, a frio, a lareira... Sabe a abandono, a esquecimento, a helicópteros que não vêm, a urgências que fecham, a auto-estradas atrasadas... Sabe a pureza, a genuinidade, a único, a autêntico, a saudade... Cada pedaço exterior tostado sabe à canícula dos três meses de inferno, os nove de Inverno estão lá desenhados a suculentos círculos e rectângulos do mais puro fumeiro. É raro sentir o estômago ligado à alma... Ou a própria alma, ressuscitada por breves instantes num ambiente de excesso de ácido clorídrico. Como se a cada movimento dos músculos faciais, maxilares de encontro a sabores únicos, surgisse um inverosímil super-poder de teletransporte, expressão máxima de sonhos de pálpebras cerradas com suspiros de permeio. E à noitinha, repasto concluído, renovação de visita no húmido frio porque as "bolas sem carne" ainda estavam no forno na primeira incursão. Inundaram-me o carro de aromas exóticos, provenientes de uma qualquer ilha, talvez a do Fidalgo, perdida nas gélidas águas do Azibo. Há mundos assim... Por lá estarei mais logo, assim espero. No reconforto de um fim-de-semana que se prevê polar. É dessa atmosfera que cura as carnes do mata-porco que tenho saudades. Sair da cama e deparar-me com o choque térmico, remeter-me à restrita área em redor da fogueira, o vestuário impregnado de aromas a lenha queimada. Calcar a terra dura, fruto da agrestia nocturna. Ver o tanque transformado numa improvisada pista de patinagem lilliputiana. Recusar-me, inocentemente, a deslocar-me 50 metros para repor um "strafogueiro". Mas sair, sentindo o paradoxal prazer de me internar numa arca frigorífica externa, só para tomar o cafezinho que poderia tomar em casa... E, quem sabe, ainda não sei como param as modas, talvez se repita uma apanha da azeitona. Saída madrugadora, olhar perturbado pela alvura matinal, sonos mal dormidos, despertados pela brusca queda do gelo acumulado na ramagem das oliveiras enquanto as fustigamos com umas "varejadelas". Saem os músculos doridos, sai a mente enrijecida. E saem também os frutos que hão-de facultar aquele tempero único, companheiro inseparável de batatas, saladas e filiais cozinhados. Frutos não haverá de outras tentativas de manutenção de tradições cerceadas por normas provindas da anormalidade de quem desconhece o genuíno sabor da terra. Não pelas instituições, mas porque, simplesmente, este ano não há... Mas há-de haver de novo, faço parte de um grupo de tolos que apreciam o que é bom. Noutro qualquer ano, com mais disponibilidade... Ficam as saudades... E o desejo de que alguém se lembre de me convidar para um "mata-porco"... E para a "sopa das alheiras"...

3 comentários:

deep disse...

Bem, esse folar está com um aspecto óptimo... quase consigo adivinhar-lhe o cheiro e o sabor!

Também me hão-de calhar, como todos os anos, uns dias dias de azeitona, em que a melhor parte é a merenda!

Por cá, está tanto frio que hoje quando, às 20h, saí do trabalho tinha o pára-brisas coberto de gelo.

A música por aqui não está mal: "Drive" dos Cars... já tinha saudades.

Bom fim-de-semana. :)

Koky disse...

Tem um aspecto mas do que delicioso, quase consigo sentir-lhe o cheiro e o sabor. E aqui aconchegado no calor lareira, apesar de o frio se não comparar com o de Trás-os-Montes, havia de saber-me pela vida. E fazer-me esquecer dos árduos dias de azeitona que aí vêm...

Cavaleiro Andante disse...

Caros conterrâneos, lamento imenso, mas do folar já só restam as imagens. Caso contrário, levar-vos-ia uma fatia...

Venha dái um fantástico fim-de-semana (para todos)... Estou de abalada... :)