Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



domingo, 13 de dezembro de 2009

Contrastes natalícios e a terra-natal por perto

As intempéries do espírito possuem, por vezes, o condão de nos impulsionar para que fintemos a tradição. Tenho uma predilecção especial pelo Domingo, aquele dia em que, pelas hordas às quais serviu, depreciativamente, de baptismo, me remeto, incondicionalmente, ao aconchego caseiro. A não ser que alguma hecatombe abale o instituído, uma simples aproximação à varanda para respirar outros ares que não o interior provoca-me uma súbita alergia, como se a visão dos magotes de gente nos caminhos que levam à praia rapidamente se transformasse no apocalipse instigador de um choque anafilático. Dada a fobia domingueira, opto por umas deliciosas vinte e quatro horas de pantufas, temperadas a ambiente familiar com direito a repasto tardio e condimentadas com suave e calorosa preguiça. Dolce fare niente... Interrompido, por vezes, pelas coincidências de um breve inalar de ar gélido que faz estremecer a propositada apatia. Uma das incursões de final de tarde à atmosfera exterior revelou o poder mágico da nostalgia. O sol, na sua intrepidez de invasor invernal, fogoso, soberano, poderoso, chamariz para uma invasão à multidão de veraneantes de estação fria. Quebrei o hábito. Afinal, há coisas que existem para ser quebradas. Em boa hora... A brisa desconfortável do entardecer assustou a gente. Ou constrangeu-a a recolher-se nas centenas de viaturas plantadas à beira-mar, enquanto um desaustinado ser se intrometia na quietude de uma reunião dominical de gaivotas que, estranhamente, não entraram em alvoroço. Talvez não tenham estranhado o alienígena que desafiava o vento cortante que as terá agrupado. Não fossem os inebriantes aromas salgados e julgar-me-ia a vaguear pelas entranhas de Bornes. Foi estranho sentir Macedo mesmo ali ao lado, paredes meias com o Atlântico. E decidi ir fazer uma visita à D. Aldina, transmontana de cepa, mulher das sete andanças, numa mostra do que melhor se faz por terras macedenses. Estava a pouco mais que o tempo de devorar umas baforadas de poluição tabágica (desta vez, aqueceu-me os pulmões e a alma). Família recolhida, tempo de rumar à confusão da mostra de artesanato e produtos regionais. A "tasquinha" de Macedo há-de por lá morar, algures. A minha cidade adoptiva tem destas coisas. Por vezes, traz-me a MINHA "vila"... Mais iluminação, menos iluminação, a D. Aldina haveria de ser descoberta, por entre aromas inconfundíveis à "terra". Ela lá estava, recolhida por detrás das suas alheiras, butelos, chouriças doces... Que pena... Hoje não cheirava a pão e a folar... Só pairava no ar a simpatia da D. Aldina. «Oh, meninos, que pena! Podiam ter telefonado!» Não faz mal, D. Aldina! Quinta-feira há mais... Lá voltaremos, na peugada de um folarzinho, quentinho, saboroso, fora de época. E daquele pão delicioso, com sabor a aldeia, a avó, a tias, a saudade... Há um tempo para tudo, mesmo para continuar a salivar durante mais uns dias. Até lá vai gelando o tempo, não se gelem as almas, que a agrestia está de visita a terras mais a nordeste. Por terras costeiras o frio não quebra a alma, mas quebra os ossos. Amanhã devo ter o relvado pintalgado de branco, quadro de lembranças de "carambelos"... E hoje convenceram-me a invadir um Centro Comercial, daqueles cheios de gente desconhecida, em descoordenado formigueiro humano, onde me sinto como peixe de água doce no mar... Nado, mas há sal a mais... Procuro os únicos refúgios onde consigo respirar sem assistir a assaltos de olhar consumista a prateleiras. Foi o rebuçado que serviu de convencimento... «Vá lá... Enquanto vamos às lojas que queremos, podes ir à Wook, à Bertrand e à Fnac...» Pois, pois... Mas até lá chegar vou distribuindo e recebendo uma inusitada quantidade de "desculpe" e "dá licença"... Depois é o caos de sempre para me arrancarem daquele universo onde moram duas das paixões da minha vida: livros e música. E hoje tinha a benesse de um concerto na Fnac. O único e distinto motivo para ser um ponto na multidão... Foi curto e não me soube a Domingo... Mas soube-me a diferente... E estive ao lado de um pedaço da minha terra... E tinha à espera a saudação de conforto do quentinho da lareira. Como se Trás-os-Montes me tivesse vindo fazer uma visita para jantar, tal a forma como o ar fica impregnado de aromas de oliveira, enquanto as chamas dançam, num abraço de morte a quem já azeite deu. As árvores morrem de pé... Mesmo queimadas, num último momento de dignidade de quem aquece quem frio tem. Nunca mais chega a próxima semana...

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