Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Cousas do descanso


Os ares macedenses revitalizam até a mais penada das almas. Mesmo considerando a habitual invasão do mês de Agosto, não deixam de ser revigorantes as incursões às maravilhas que marcam a paisagem concelhia. No decorrer de quase três semanas, foi-me possível redescobrir os encantos representados pelos reencontros que pautam o período de férias. Sejam os mesmos com amigos que já não se viam há muito tempo ou com a família que se mantém sempre disponível para mais uma "merenda". Contudo, existe mundo para além das pessoas que, de uma forma ou de outra, marcam o percurso das nossas vidas. Não há período de descanso de Verão que não seja marcado pelo desfilar de música "popular" (para não utilizar a adjectivação mais comum...). Mesmo a contragosto, reconheço que, no meu caso particular, uns dias de Agosto passados em Macedo não seriam os mesmos sem os acordes, mesmo que ouvidos à distância, de Quim Barreiros e demais artistas em tudo semelhantes. É típico, dizem uns. Piroso ou pimba, apelidam-no outros. Seja como for, Agosto é mês de arraiais, de "tunning", de discotecas ambulantes, de poliglotas, de festas com carácter mais ou menos "popularucho". Mesmo que possa incomodar, é sabido que, sem a presença massiva destas manifestações "culturais", o calendário seria distorcido e saltaríamos de Julho para Setembro...
Como não sou adepto de grandes ajuntamentos, aproveito, na maior parte do tempo, para me refugiar em locais onde me transformo num autêntico asceta. Quando não me recolho ao conforto familiar do sofá, onde aproveito para colocar a leitura em dia (ou, neste mês, para assistir, fora-de-horas, às transmissões olímpicas), invisto o meu tempo a deambular pelos caminhos que pouca mais gente percorre. Foi dessa forma que, numa gorada tentativa de descobrir a Fraga dos Corvos, me perdi em plena Serra de Bornes. Apesar do contratempo e de alguma atrapalhação, aproveitei a ocasião para mais uns registos fotográficos. Já em Vilar do Monte recebi preciosas informações para a próxima incursão.
Coroada de êxito revelou-se a excursão, na companhia dos meus "pirralhos", à Terronha de Pinhovelo. Tendo efectuado um reconhecimento prévio, a aventura foi fascinante, particularmente para os "pequenos arqueólogos". De tal forma que já me solicitaram novas expedições. Especialmente, depois de lhes aguçar o apetite com uma visita ao Museu Arqueológico e de terem devorado a edição nº 5 dos "Cadernos Terras Quentes". Por mencionar o Museu Arqueológico, ainda que insignificante, deixo aqui um voto de louvor à iniciativa, à sua localização e às instalações. Bem como à simpatia de quem nos recebe. Porém, como não há bela sem senão, os "pirralhos" protestaram de forma veemente contra o parco espólio constante no dito museu (apesar das minhas explicações para a infância das investigações arqueológicas no concelho). Da minha parte, lamentei a ausência na exposição da moeda visigótica de Witiza (sei que está em boas mãos).
Ainda em termos arqueológicos, um lamento enorme em relação ao estado deplorável em que se encontra o único registo de megalitismo no concelho: a Mamoa de Santo Ambrósio. Entristeceu-me profundamente verificar tal estado, mesmo tendo sido informado das limitações com que se depararam os arqueólogos que procederam às escavações.
E, como nem só de pretendentes a Indiana Jones se fazem umas férias macedenses, não poderiam faltar as aventuras "azibescas". O local está, a cada ano que passa, mais aprazível. Em Setembro, fora das multidões, aproveitarei, seguramente, para uns momentos mais calmos nas suas imediações. E não deixarei de aproveitar a permanência para um passeio na nova atracção turística que representam as "charretes".
Como um bom transmontano tem que ser "bom garfo", nada como aproveitar uma tarde domingueira para "marfar" um bom leitão assado em forno a lenha na magnífica envolvência das centenárias árvores que marcam a paisagem do cabeço onde se situa o Santuário da Senhora do Campo. Pena, pena, é só ter o Azibo no horionte do campo visual. Porque, caso estivesse mais próximo, seria caso para se dizer que se estava muito perto do paraíso. A intervalar o repasto, umas voltas mais por estradas de terra batida. Uma nota para quem resolveu (e bem) construir a sua vivenda fora do bulício "citadino", entre a Senhora do Campo e Latães. Deveria ter mais cuidado com os seres canídeos que se revelam demasiado ameaçadores para quem está de passagem...

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