Como diria o ex-seleccionador nacional: "E o burro sou eu?"... Neste caso particular, sem descartar a probabilidade de, em algumas circunstâncias, ter algumas atitudes que se assemelhem ao retratado, o dito foi apanhado desprevenido, por entre as minhas deambulações estivais por terras macedenses. Por tal, desta vez (pelo menos), o burro não sou eu. Subjectivamente, óbvio é...
Porque, caso alguma alma desprevenida tenha tido o ensejo de apreciar um tolo, numa corrida desenfreada em chinelos de dedo, debaixo de um calor infernal, pelas margens da Albufeira do Azibo, com o objectivo de captar para a posteridade uma assustada ave, seguramente que optaria por considerar que o dito tolo era mais asno que o sobredito do retrato. "Anyway", valeu a pena. Não apenas pelos registos fotográficos conseguidos. O mergulho retemperador que se seguiu à louca corrida à Obikwelu foi recompensa bastante. A única desdita reside na invasão ocorrida às águas da albufeira por uma extensa família de arbustos aquáticos. Na minha ignorância, desconheço se a presença dos magotes arbustivos é sinónimo de saúde aquática. Na minha sabedoria de nadador-amador, fugidio de idênticos magotes, mas de veraneantes invasores das magníficas praias do Azibo, "enlouquece-me" não poder repetir os mergulhos de anos anteriores, afastado da "civilização" representada por plantações de chapéus-de-sol. Talvez o busílis da questão resida na tentativa de obter a exclusividade de uma área onde os meus ouvidos não sejam massacrados por gritos histéricos e por areia esvoaçante. Parece que, infelizmente, criei "maus" hábitos no decorrer da minha adolescência, quando frequentava a "barragem" (ainda não era "albufeira"), deslocando-me às "escadinhas", ora de um lado, ora do outro, alternando entre umas pedaladas por Vale de Prados ou umas hippies boleias pelo IP4.
Todavia, verdade seja dita, com ou sem invasões, o Azibo persiste em manter-se como um local único. A qualquer amante da natureza apraz verificar a proliferação de "vida" no ambiente da albufeira. Bastam uns minutos de "papo para o ar" para apreciar a magnificência do voo das aves de rapina. Um pouco mais de atenção às margens permite apreciar o bailado das limícolas. Ou a paz de espírito que representam as cegonhas. Ou ainda a maior paz que transmitem os peixes juvenis que se acercam de águas menos profundas. No entanto, não há bela sem senão: circulam, de igual forma, uns "moscardos" que me presentearam com umas "bolotas" no ventre e no dorso que, para além do desconforto propriamente dito, não há "fenistil" (passe a publicidade) que lhes faça frente.
Como nem só de "barragem" vive Macedo, resolvi efectuar umas incursões por algumas das aldeias do concelho. Entre maior ou menor abandono, pode verificar-se um interesse pela recuperação de algum património. Deixo aqui a magnífica visão obtida a partir da Terronha de Pinhovelo. E o agradecimento aos idosos que, pacientemente, aturaram as minhas questões sobre a sua localização. Senti um arrepio agradável ao inspeccionar o local habitado por presumíveis ancestrais macedenses. Contudo, os acessos encontram-se num estado deplorável e o povoado coberto por um extenso matagal. Fica aqui o registo da minha estranheza, já que no site da Câmara Municipal surge a informação de que o local arqueológico é visitável. Só se for por tolos como eu...
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