Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



terça-feira, 1 de setembro de 2009

Murmúrios da persistência dos tempos

Num tempo em que as tradições agonizam, vergadas ao inexorável poder de um mundo de siglas de novas tecnologias, reconforta assistir à irredutibilidade de uns quantos que persistem na manutenção do que moribundo poderia parecer. Atingir a fasquia da décima edição seria coisa pouca para um dos muitos festivais de Verão que inundam o país de norte a sul. Alcançá-la através de um Festival de Música Tradicional é obra de monta e um claro sinal de resistência heróica, num universo dominado por hip-hops, raps e afins. Universo esse em que o intrínseco valor da música (classificam-na como tal e eu respeito) extravasa o ritmo dos acordes para se remeter a avaliações externas sobre qual das instalações sonoras automóveis debita mais decibéis… Cousas de discotecas ambulantes e de testosterona mal dirigida… Adiante… O parto, há um decénio, de um Festival com uma clara marca de ressuscitação de valores perdidos ter-se-á assemelhado a um condenado à nascença. A perseverança, a qualidade musical presente e, porque não, o reavivar dos gostos do público macedense injectaram vitalidade a um evento que já ultrapassou fronteiras. Não surpreenderá, por isso, a proliferação de grupos culturais macedenses, a demonstrar que o cordão umbilical que nos liga à tipicidade das raízes nunca foi, afinal, cortado. Uma prova viva e indelével de que o fenómeno da nova vaga de “World Music” não se confina ao espaço das denominadas elites culturais. Será por isso que, durante dois dias, Macedo receberá um pouco da atmosfera andina, podendo respirar-se um pouco de Machu Pichu e da envolvência mágica dos descendentes Incas. Numa inusual mistura com jograis medievais dos tempos modernos ou com dignos representantes de ancestrais cultos transmontanos, nas figuras dos Caretos ou dos Pauliteiros. Ou ainda no rufar de tambores ou artesanais latos. Para lá deste troar ou do canto das profundezas da familiar gaita-de-foles, poderá assistir-se à genial fusão de sonoridades meridionais com folk nórdico, temperada com um cheirinho de tons medievais e uma voz divinal. Os Dazkarieh transportam consigo o encantamento da darbouka, do bouzouki ou da niquelharpa. Cousas raras irmanadas de forma sublime com instrumentos contemporâneos… Inverosímil parece uma outra irmandade, gerada pela aliança entre o portuguesíssimo fado e a tropicalidade dos sons brasileiros, condimentados por um toque de percussão em formato jazz. A batida do Edu Miranda Trio é um cocktail musical que não deixa a alma quieta. A magistral interpretação de “Fado lisboeta” retira o espírito à letra do fado de Amália… «Eu só entendo o fado; pela gente amargurada à noite a soluçar baixinho; que chega ao coração num tom magoado; tão frio como as neves do caminho»… Fosse caso de as neves já preencherem os caminhos e os Zambaruja cá estariam para aquecer a alma e a gente. Aquecê-las-ão, de igual forma, ao ritmo inebriante de sons em que surgem misturadas tradições do folclore de Castela e Leão com tons da modernidade, acalentados por reminiscências de influência celta e aquecidos pela sonoridade única da dulzaina castelhana. A ementa está recheada pelo exotismo da heterogeneidade de sons de distintas culturas. Sem dúvida que é um apelativo a uma refeição musical distinta. À semelhança de anos anteriores… Lá terei que ir a Macedo de novo… Que chatice!…

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