Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



terça-feira, 29 de setembro de 2009

Eleições Legislativas 2009 - Curiosidades macedenses - Freguesias Norte

Escolha-se, aproximadamente, 1/3 das freguesias do concelho: 13, mais concretamente. Não uma escolha aleatória, mas territorial, ainda que os critérios possam entrar na esfera do discutível. Recaiu a mesma nas 13 freguesias que abarcam o norte da “bota” concelhia, a partir de uma linha imaginária que une, na parte mais estreita do concelho, o Poente com o Nascente: Lamalonga, Vilarinho de Agrochão, Murçós, Soutelo Mourisco, Vilarinho do Monte, Arcas, Ferreira, Espadanedo, Edroso, Ala, Corujas, Lamas e Podence. Numa análise primária, constata-se que, com maior ou menor vantagem, a “laranjada” voltou a pintar o mapa em 11 delas, sendo as excepções Soutelo Mourisco, colorido a “rosa” e a já anteriormente mencionada Corujas, a propósito das Europeias, a relembrar, uma vez mais, ao “rapaz das feiras” que deveriam por lá realizar a festança de se terem alcandorado a 3ª força política da nação (mesmo que a digna Corujas tenha contribuído apenas com 0,011% para esse resultado). Por sua vez, a freguesia de Ferreira que, há 4 anos, ocupava o lugar de Corujas em termos “centristas”, passou, desta vez, a ser o bastião dos “laranjas” a norte, brindando-os com 61,54% dos votos (já houve um “Cavaquistão”, agora passa a existir um “Ferreiristão laranja” - será uma homenagem ao apelido da líder?). Já Soutelo Mourisco deve merecer a atenção do próximo “quase futuro ex-primeiro-ministro”, olhando para os 46% com que os eleitores deram a vitória aos “rosas”. A mesma freguesia deu, de igual forma, o maior score a outro partido, o da “estrelinha vermelha”, com 10% (dois dígitos que o auto-proclamado líder da esquerda não desdenharia). A já célebre Corujas deu o primeiro lugar do pódio aos das “duas setinhas com um bola ao centro” com uns magníficos 47,01%! Descaracterizando a tendência que se verifica por estas nortenhas bandas, Murçós é o bastião “da foice e do martelo”, com 5,83%. O campeonato dos pequeninos foi, neste quadrado territorial, ganho pelos outros “foice e martelo” e pelos dissidentes do já mencionado “rapaz das feiras”, tendo ambos conseguido 0,39% das intenções de voto. Quanto ao primeiro, a sua mensagem consegue atingir 5 freguesias, sendo que em três delas só convence 1 eleitor (Edroso, Vilarinho do Monte e Podence), em Espadanedo dá um duo e finalmente, em Lamas, existe um trio de “trabalhadores portugueses”. Já o segundo passa a mensagem a mais uma freguesia, ocorrendo, em quatro delas, o mesmo fenómeno de “ascetismo”: Arcas, Vilarinho do Monte, Corujas e Podence. As duas restantes, Lamalonga e Vilarinho de Agrochão, representam os duos. A “esperança” conseguiu tocar meia dezena de freguesias, sendo o fenómeno mais visível em Lamalonga, com um trio de “esperançosos”. Vilarinho de Agrochão, Espadanedo, Ala e Podence viram apenas um votante atingido pela “onda verde”. Ainda resistem 4 “monárquicos” a norte: 2 em Ala e 1, respectivamente, em Ferreira e Lamas (dados os números, podem os ditos passar a ser, na região em apreço, o “partido do táxi“). Caso a designação partidária fosse levada à letra, estaríamos com um grave problema concelhio: teríamos 2042 “nortenhos” numa postura “anti-vida”, já que só um trio é que é “pró-dita” (1 em Edroso, outro em Ala e outro mais em Podence). Novas tecnologias só chegam a Ala, Lamas e Podence, com três votantes a não receberem só as vulgares SMS. Estranho que só haja um ecologista-humanista em Espadanedo e outro em Podence. Os “radicais dextros” quase desapareceram do mapa, restando um feroz resistente em Vilarinho do Monte. E já não há “operários”… Como que num passe de mágica, esfumaram-se… Agora mais a sério… Dois partidos políticos apresentam, nesta região norte, uma percentagem superior de votação, relativamente aos valores concelhios. O PSD e o CDS-PP superam-nos em pontos percentuais, respectivamente, 5,74 e 1,85. Já os partidos da chamada “esquerda” mostram tendência contrária: PS, BE e CDU com menos, respectivamente, 3,50, 2,54 e 1,18. Numa leitura superficial, estes números reflectem o carácter mais conservador-tradicionalista na zona norte, numa analogia à imagem política do país. O mesmo fenómeno se verifica na contribuição desta região para os resultados totais concelhios. No que respeita a eleitores inscritos, os mesmos representam 21,65% do total concelhio. Já no referente aos votantes nestas eleições (equivalendo a uma taxa de abstenção de 50,98%, ligeiramente superior à concelhia), perfazem 21,05% do total de votantes concelhios nestas eleições. Este valor, numa situação de distribuição equitativa, deveria representar a contribuição do conjunto das 13 freguesias em questão para o total de votos verificado no concelho por cada organização partidária. Obviamente que, a tal se verificar, representaria uma anormal coincidência. Da análise à participação para o universo de votos macedenses, ressaltam alguns dados interessantes. O primeiro dos quais nada tem a ver com organizações partidárias. Ou antes, terá a ver, ainda que como manifestação em forma de protesto: os votos em branco. Atingem os mesmos a fasquia de 27,21% do total concelhio, o que supera o número que deveria ser a média, ou seja, os já referidos 21,05%. Sendo subjectivo o critério, este dado poderá apontar para um superior fenómeno de não identificação com o quadro partidário vigente. Em contrapartida, a contribuição dos votos nulos cifra-se nos 18,24%. Daqui se poderá inferir, alternativamente, ou um eventual maior grau de alfabetização, ou a menor utilização dos boletins de voto para protestos “alternativos”. No âmbito dos chamados partidos com assento parlamentar, mantém-se a tendência conservadora-tradicionalista já apontada. Os votos no PSD perfazem 23,99% do total concelhio e os do CDS-PP, 23,74%, valores acima do que deveria ser a média. Já no que concerne ao PS, 18,66% dos votantes socialistas encontram-se nesta faixa territorial. A acentuar a tendência de menor peso da esquerda nesta região, o peso percentual de votos no BE restringe-se a 12,37% da totalidade do concelho, ficando a CDU, por sua vez, com uma representatividade de apenas 9,52%. Deste quadro podem reter-se algumas tendências, passíveis do complemento de outras, eventualmente, mais aprofundadas. Sublinhe-se a que aponta para uma natural alternância entre os chamados partidos do centro, histórica e tendencialmente com supremacia para o PSD. Note-se a posição do CDS-PP como inequívoca terceira força política, alcançando este partido votações acima da média nacional e concelhia, nalguns casos, com uma posição que o coloca entre os dois lugares cimeiros. A soma dos dois partidos vulgarmente associados à direita ultrapassa, em média nesta região, votações bem acima dos 60%. Este facto é, sem dúvida, o reflexo de um carácter tendencialmente conservador no concelho de Macedo de Cavaleiros, particularmente mais evidenciado na sua região setentrional. No outro extremo, é possível constatar a evolução do BE, cuja votação quase triplicou, comparativamente às Legislativas anteriores, ainda que os valores não ultrapassem o valor “marginal” de 3,62%. Quanto à CDU, a mesma não atinge, sequer, o dígito neste território, quedando-se por 0,98%, espelho da pouca implantação que, historicamente, se reflectiu numa região marcada pela pouca penetração de valores que atentavam contra uma corrente marcada por algum dogmatismo. Por último, uma referência para a natural queda em valores absolutos e percentuais do PS, com a correspondente subida generalizada das outras forças políticas, incluindo, salvo raras excepções, as residuais forças partidárias de segunda linha. Os restantes 2/3 das freguesias que compõem o tecido concelhio serão objecto de “dissecação” noutro dia. Num qualquer próximo amanhã…

2 comentários:

manuel cardoso disse...

ah! Corujas está aqui neste... pois, reparo agora no esquema dos capítulos... mil desculpas... é o que dá a leitura em diagonal....

Cavaleiro Andante disse...

Desculpas não aceites por considerá-las dispensáveis. Ainda bem que as leituras em diagonal não têm aplicação em certas vereações. Que assim se mantenham...