Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Derivações de umas Lamas que já foram de Podence

O presente jamais poderá ter a incumbência de apagar o passado. Poderá, quando muito, reescrevê-lo na forma de um assomo de orgulho, transmissível às gerações vindouras. Uma enorme fatia da reedição dos meus pretéritos tempos traz subjacente o que foi alterado pela Lei 55 de 2003: a designação de Lamas de Podence, retirando-lhe o agente possessivo. Para um “lamo-macedense“, nada mais se fez que transpor para a legalidade o que já legal era, pelo menos para os filhos de Lamas, desejosos de se verem livres dos grilhões de serem da freguesia vizinha. Isso não tinha jeito nenhum e passei a ser um descendente de Lamas de Lamas e “mai nada”! Tal como os de Grijó deram uma vassourada na pretensa vassalagem à freguesia limítrofe. E ainda bem que não há nenhuma freguesia vizinha que se chame Cavaleiros. Caso contrário, lutaria determinadamente de forma a ser apenas de Macedo!… Mas, sendo “apenas” de Macedo de Cavaleiros, não posso ter a veleidade de trocar, simplesmente, de raízes. Não renegando a vertente genética com proveniência na “Imbernia Lamacense do Bernardo” e salvaguardando a memória do Dr. Urze Pires, que me arrancou artificialmente do ventre materno no Hospital da Misericórdia, julgo pretensioso ser um “filho de Lamas”, considerando-me, antes, um genuíno “neto” de Lamas. E um “cibinho” de “neto” de Corujas… e de Vinhais. “Filho, filho, sou filho de Macedo”… Só para enquadrar as “cousas”… Retornando a Lamas de Podence… Quando ainda dava os primeiros passos em arte nanomicro (agora está na moda) parietal, através de traços figurativo-esquemáticos em lousas, convenci-me de dois disparates (os primeiros de muitos…). O primeiro deles relacionava-se com o “pontapé na bola”: acreditava que o Clube de Futebol União de Lamas, nos seus tempos áureos, mesmo desconhecendo em que recinto jogava, era o representante máximo do desporto da minha “segunda terra”. E tentava convencer os meus primos e amigos lamacenses da veracidade de tal facto… Santa ingenuidade… E santo isolamento… O segundo dos disparates possui uma ligação umbilical com o que aqui me traz hoje: a toponímia e a etimologia de Lamas de Podence. Versava o dito disparate sobre a dificuldade que a invernia trazia para transpor o percurso entre o Pontão e a casa da Avó. Como não havia carro que subisse, por entre frondosos carvalhais, pela enlameada vereda, era fácil perceber o porquê “daquilo” se chamar Lamas. Ficava, contudo, confuso na época estival, altura em que a dita vereda tomava o nome de estrada. Como, de igual forma, me remetia para a confusão o facto “daquilo” ser dos vizinhos do lado, ou seja, de Podence. Para colmatar o estado confusional, cheguei a sugerir, julgando ter descoberto a pólvora, que nos três meses de inferno, o “povo” deveria adoptar a designação de “Poeiras de Verão” e nos restantes nove meses, “Lamas de Inverno”. Como os adultos se riam em forma de icterícia e eu só concebia um conceito de sorriso, julgava a proposta aceite por unanimidade e aclamação e ia jogar “ó rou-rou” outra vez… Entretanto, cresci, deixei de acreditar no Pai Natal, comecei a ler “A Bola” e asfaltaram o caminho que alternava entre lama e pó. Assim como o Vasco Santana me ensinou que “chapéus há muitos”, os jornais desportivos ajudaram-me a sair do gatinhar geográfico, demonstrando-me que “Lamas há muitas”. Por isso sou capaz de levar com espírito positivo o estiramento do esternocleidomastoideu que me massacra vai para dois anos e persisto em incluir a literatura de cordel desportiva na minha ementa cultural diária… Só não percebi porque Lamas se manteve Lamas depois de pintarem a estrada de negro… Até que a curiosidade, leituras para lá do universo desportivo e outros valores me conduziram, entre outras “cousas raras“, a Herculano e aos PMH, a Hübner e ao CIL… “E prontos, mai loguinho hai puri mais, q‘agora já stou pr’áqui mêo a caniar e daqui a um cibo tanho o catancho do garnizo do b‘zinho, armado im Zé Cabra, a smoucar-me az'urêlhaze”…

2 comentários:

martim gonçalves MACEDO disse...

Sinto um arrepanhamento do esternoclidomastóideo, qual dificuldade que o ex-Presidente “Thomaz” sentiria a colocar a gravata, ao se abordar estas questões da toponímia.

Cavaleiro Andante disse...

Como diz José Mattoso, na sua introdução à biografia de D. Afonso Henriques: «Dada a enorme escassez de informações, verifica-se a necessidade de preencher as suas lacunas por meio de raciocínios dedutivos, de informações indirectas e de hipóteses explicativas, algumas das quais de base muito frágil, mas em todo o caso indispensáveis para se alcançar a compreensão possível dos factos e do seu encadeamento.» É precisamente desta forma que vejo, inúmeras vezes, a História e, concomitantemente, outras questõesa ela associadas, como são os caso da Toponímia, da Antroponímia, da Teonímia e de todas as "nímias" que me ajudam a perceber o alcance do que fui (na ascendência), do que sou (moi-même) e do que serei (na descendência)...