Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



sábado, 5 de setembro de 2009

Neologismos e genuinidade transmontana


O advento das novas tecnologias trouxe a inevitabilidade: a profusão de neologismos. Não coloco em causa se, num mundo de facilitismo, será mais correcto questionar alguém acerca do seu endereço de correio electrónico ou simplificar a questão com a redução a e-mail ou, simplesmente, mail… De idêntica forma, torna-se mais fácil afirmar que escrevo num blog (ou num blogue, na versão aportuguesada), ao invés de o fazer em relação a uma página pessoal e, neste caso, transmissível a quem tenha paciência para a ler. Afinal, um blog nada mais é que um anglicismo resultante da contracção de weblog, ou seja, “um diário de bordo na rede”. Até aqui, tudo bem… Se há uma estratosfera, que haja uma blogosfera… Confesso que prefiro esta forma à oficialização de termos “electrónicos”, tal como foi feito pelo Governo Francês em relação a “courriel” como substituto de “courrier électronique”… Feita a transposição para a realidade portuguesa, não me estou a ver a dar o meu “correiel”… Mas regressemos aos neologismos… Não me provocam prurido alguns dos que vão grassando pela língua portuguesa. Outros há, no entanto, que possuem a capacidade de arranhar o meu canal auditivo. Para lá do célebre “pilhão” (ainda bem que não “hablamos castellano”), surge agora o “depositrão”. Ainda por cima, instalado na minha cidade!... Suspeito que, um destes dias, haverá uma qualquer adulteração de nomes de vulgares utensílios do quotidiano… Como passará a denominar-se um recipiente do lixo? Ou uma sanita? Também são “depositrões”, mas “depositrão” há só um… Fica o desafio linguístico à imaginação… Mas a suprema verborreia em termos de atentado linguístico vem da proliferação de “ódromos”… Até agora, assustava-me mentalmente com a moda dos “sambódromos” ou “fumódromos” do lado de lá do Atlântico. A dita chegou ao lado de cá, precisamente aos meios eruditos universitários, com a criação dos “queimódromos”. Quando pensava que a província transmontana estaria a salvo, eis que surge a novidade de existirem exemplares de raça mirandesa provenientes do concelho de Macedo a disputarem um prémio num concurso de chegas de bois. E onde decorreu? Num “CHEGÓDROMO”???!!! Ora bem… “Dromos” é um sufixo, radical grego, que exprime a ideia de corrida. Estará muito bem aplicado em autódromo, hipódromo ou velódromo. Na realidade, são recintos onde ocorrem corridas. Atentando nos exemplos dados, há corridas de samba? Já se viu fumo a correr? E quem ganhou a última corrida de queimas? E nunca vi nenhuma corrida de chega de bois… Cá para mim, tal prova desenrola-se num lameiro ou num qualquer recinto vedado onde um par de touros tenta disputar a primazia pela força. Na verdade, há, por norma, um que corre… Mas é para fugir, não para receber a bandeira de xadrez. Transmontanamente falando, “bou ó campu ber a tchega de beis”, não vou ao “tchigódrumu”… Como estamos em período de debates eleitorais, porque não anunciar o próximo como decorrendo num “debatódromo”? Razão tem o arquitecto-filósofo Paul Virilio no seu “Cibermundo – a política do pior”. Este “apóstolo céptico” defende que a actual sociedade tecnológica está a reduzir a Humanidade à uniformidade, transformando o Homem num ser alienado. A sociedade de corrida em que vivemos metamorfoseou a democracia num poder “dromocrático”… Viva a “dromocracia”, os “chegódromos”… e os “depositrões”! E viva também, enquanto subsiste, a tipicidade transmontana…

1 comentário:

karina disse...

alguma onformação sobre benrezes ou banrezes?