Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Legislativas 2009 - Curiosidades macedenses - Freguesias Centro-Sul

Efectuada a análise (possível) às freguesias da zona norte concelhia, proceda-se a uma avaliação semelhante para outro terço das que compõem o concelho de Macedo, mais concretamente as 12 que podem considerar-se como fazendo parte do núcleo que envolve a freguesia onde se encontra a sede concelhia, ou seja, a região central, expandindo a análise até sul, onde a serra de Bornes se eleva no horizonte. Se as anteriores correspondiam, grosso modo, à parte setentrional englobada no conceito de Terra Fria, estas, por sua vez, encontram a sua localização numa zona de transição, marcada, em grande parte, pela portela ou depressão de Macedo: Sezulfe, Amendoeira, Vale de Prados, Santa Combinha, Cortiços, Carrapatas, Grijó, Vilar do Monte, Castelãos, Vale Benfeito, Bornes e Burga. Assumindo o risco de avançar com uma visão provisória, parece existir uma correlação entre a topografia, o perfil climático, particularmente no que às temperaturas e precipitação diz respeito, e as tendências de votação. É o que a análise aos números reflecte em primeira instância. Ainda que o partido laranja tenha a maioria de votos por uma margem considerável, nota-se uma clara diminuição dessa mesma vantagem, comparativamente com as freguesias mais a norte. Por outro lado, enquanto que na anterior região analisada, o partido da rosa apenas obteve a vitória numa das 13 freguesias, consegue aqui arrecadar o primeiro lugar do pódio em 4: Vale de Prados, Santa Combinha, Cortiços e Vilar do Monte. Ocorrendo, ainda um empate na freguesia da Burga. De uma forma geral, em termos percentuais, o PSD e o CDS-PP descem a sua votação, ocorrendo um fenómeno inverso relativamente ao PS. Fenómeno esse que se verifica de modo mais marcante nos partidos mais à esquerda, respectivamente, o BE e a CDU. O primeiro duplica a sua votação, quer em termos absolutos, quer percentuais, enquanto que o segundo, a triplica em ambos os critérios. O PSD obtém a sua votação mais elevada em Castelãos, com 53,75% dos votos e a mais baixa em Santa Combinha, com apenas 17,24%. Já os socialistas obtêm a sua melhor performance em Vilar do Monte, com uns inusitados 59,77%, redundando a freguesia de Carrapatas no seu maior desastre, com 17,22%. Desastre foram, de igual forma, os 1,92% conseguidos pelo CDS na Burga, em contraste com os 24,14% em Santa Combinha. Por sua vez, Carrapatas é, à semelhança do já ocorrido nas Europeias, o bastião do BE, com 15,89%, mesmo sendo aí a 4ª força política. Inversamente, em Vilar do Monte, os bloquistas ainda não conseguiram passar a mensagem a nenhum dos votantes. Sem surpresas, a CDU obtém a sua melhor votação nos Cortiços, com 9,2%, entrando aí no pódio, sendo “desconhecida” para os eleitores de Vale Benfeito e Burga. No campeonato dos pequeninos, os “trabalhadores portugueses” levam de novo vantagem, deixando a sua marca em 7 das 12 freguesias, conseguindo, inclusive, um trio de votos em Castelãos e Bornes. Seguem-se-lhe os “desertores centristas”, reconhecidos em 4 freguesias (Amendoeira, Vale de Prados, Cortiços e Vale Benfeito), com a sua marca mais profunda na Amendoeira, onde há 4 “dissidentes”. Nas 3 primeiras freguesias onde há PND, há também a marca do PNR (terá havido confusão de siglas?), sendo esta especialmente marcante em Vale de Prados, onde existem 4 “radicais”. Por seu lado, os “ecologistas” do MPT convencem um eleitor em cada uma das seguintes freguesias: Amendoeira, Carrapatas, Grijó, Vilar do Monte e Bornes. Um eleitor possui também o “movimento da esperança” na Amendoeira, em Vale de Prados, no Vilar do Monte e em Vale Benfeito. Já os homens das mensagens multimédia, obtêm mérito em Sezulfe e Cortiços, com um eleitor, e em Grijó, com um duo. Subsistem três resistentes que gostariam de ver D. Duarte a tomar as rédeas do “reino” e o mesmo número se aplica aos “pró-vida”. Novamente, mais a sério… O conjunto das freguesias representam 21,99% dos eleitores inscritos no concelho, tendo nestas eleições contribuído com 22,36% do total de votos registados. No que concerne aos 5 maiores partidos, a sua representatividade para o total de votos no concelho, por força política, aproxima-se da média, se exceptuarmos que esta região contribui com 30% do total de votos na CDU. Para o grupo constituído por PSD, PS, CDS e BE, a contribuição é em termos percentuais, respectivamente, 23.17, 21.24, 21.68 e 22.74. Faça-se um mero exercício teórico, dividindo os 5 maiores partidos na tradicional “direita” (PSD + CDS) e “esquerda” (PS + BE + CDU), e comparando o somatório obtido nas 13 freguesias consideradas como “Norte” com as 12 referenciadas como “Centro-Sul”. A “Norte”, a “direita” arrecada 63,18% dos votos, contra os 31,93% da “esquerda”. Por sua vez, o “Centro-Sul” tende a atenuar as diferenças, com 56,63% para a “direita” e 38,44% para a “esquerda”. Facilmente se detecta um fenómeno com paralelo na abrangência do país onde, a implantação dos partidos mais à esquerda ocorre mais a sul e nas imediações de centros urbanos, ao passo que as forças políticas mais identificadas à direita possuem a sua força nas regiões mais conservadoras do Norte. Para lá das já mencionadas condições topográficas e climatéricas, que conduzem, inevitavelmente, a um maior isolamento e às consequências daí advindas, não são de descartar explicações de âmbito cultural e histórico, com reminiscências, talvez, no contraste medieval entre os senhorios do norte e o poder concelhio a sul. Convém não esquecer, de igual forma, as justificações que podem provir de um maior laicismo a sul, em contraste com a superior implantação da religiosidade a norte, com a influência que daí adveio. Esta dicotomia norte-sul não é apenas aparente e possui eco na evolução histórica do país, a começar pela facilidade com que Romanos penetraram nas regiões meridionais, em contraste com os quase irredutíveis luso-galaico-astúres no setentrião. Passando pelo início da nacionalidade, com o nosso Conquistador a afastar-se de Guimarães para Coimbra, motivado por outras questões que não só a cruzada interna contra os muçulmanos. Ou ainda o fenómeno ocorrido na sequência da crise da sucessão fernandina, com o país a ficar dividido entre os que tomaram voz por Castela e os que apoiaram o Mestre de Avis. Será um risco transpor uma realidade nacional para a “micro-pátria” macedense. Contudo, a mesma não deixa de ser uma imagem do que se passa a um nível mais abrangente e eu não acredito, propriamente, em coincidências… E a verdade é que já possuo os dados referentes às restantes 13 freguesias… E as “coincidências” mantêm-se…

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