
Efectuada a análise (possível) às freguesias da zona norte concelhia, proceda-se a uma avaliação semelhante para outro terço das que compõem o concelho de Macedo, mais concretamente as 12 que podem considerar-se como fazendo parte do núcleo que envolve a freguesia onde se encontra a sede concelhia, ou seja, a região central, expandindo a análise até sul, onde a serra de Bornes se eleva no horizonte. Se as anteriores correspondiam, grosso modo, à parte setentrional englobada no conceito de Terra Fria, estas, por sua vez, encontram a sua localização numa zona de transição, marcada, em grande parte, pela portela ou depressão de Macedo: Sezulfe, Amendoeira, Vale de Prados, Santa Combinha, Cortiços, Carrapatas, Grijó, Vilar do Monte, Castelãos, Vale Benfeito, Bornes e Burga. Assumindo o risco de avançar com uma visão provisória, parece existir uma correlação entre a topografia, o perfil climático, particularmente no que às temperaturas e precipitação diz respeito, e as tendências de votação. É o que a análise aos números reflecte em primeira instância. Ainda que o partido laranja tenha a maioria de votos por uma margem considerável, nota-se uma clara diminuição dessa mesma vantagem, comparativamente com as freguesias mais a norte. Por outro lado, enquanto que na anterior região analisada, o partido da rosa apenas obteve a vitória numa das 13 freguesias, consegue aqui arrecadar o primeiro lugar do pódio em 4: Vale de Prados, Santa Combinha, Cortiços e Vilar do Monte. Ocorrendo, ainda um empate na freguesia da Burga. De uma forma geral, em termos percentuais, o PSD e o CDS-PP descem a sua votação, ocorrendo um fenómeno inverso relativamente ao PS. Fenómeno esse que se verifica de modo mais marcante nos partidos mais à esquerda, respectivamente, o BE e a CDU. O primeiro duplica a sua votação, quer em termos absolutos, quer percentuais, enquanto que o segundo, a triplica em ambos os critérios. O PSD obtém a sua votação mais elevada em Castelãos, com 53,75% dos votos e a mais baixa em Santa Combinha, com apenas 17,24%. Já os socialistas obtêm a sua melhor performance em Vilar do Monte, com uns inusitados 59,77%, redundando a freguesia de Carrapatas no seu maior desastre, com 17,22%. Desastre foram, de igual forma, os 1,92% conseguidos pelo CDS na Burga, em contraste com os 24,14% em Santa Combinha. Por sua vez, Carrapatas é, à semelhança do já ocorrido nas Europeias, o bastião do BE, com 15,89%, mesmo sendo aí a 4ª força política. Inversamente, em Vilar do Monte, os bloquistas ainda não conseguiram passar a mensagem a nenhum dos votantes. Sem surpresas, a CDU obtém a sua melhor votação nos Cortiços, com 9,2%, entrando aí no pódio, sendo “desconhecida” para os eleitores de Vale Benfeito e Burga. No campeonato dos pequeninos, os “trabalhadores portugueses” levam de novo vantagem, deixando a sua marca em 7 das 12 freguesias, conseguindo, inclusive, um trio de votos em Castelãos e Bornes.

Seguem-se-lhe os “desertores centristas”, reconhecidos em 4 freguesias (Amendoeira, Vale de Prados, Cortiços e Vale Benfeito), com a sua marca mais profunda na Amendoeira, onde há 4 “dissidentes”. Nas 3 primeiras freguesias onde há PND, há também a marca do PNR (terá havido confusão de siglas?), sendo esta especialmente marcante em Vale de Prados, onde existem 4 “radicais”. Por seu lado, os “ecologistas” do MPT convencem um eleitor em cada uma das seguintes freguesias: Amendoeira, Carrapatas, Grijó, Vilar do Monte e Bornes. Um eleitor possui também o “movimento da esperança” na Amendoeira, em Vale de Prados, no Vilar do Monte e em Vale Benfeito. Já os homens das mensagens multimédia, obtêm mérito em Sezulfe e Cortiços, com um eleitor, e em Grijó, com um duo. Subsistem três resistentes que gostariam de ver D. Duarte a tomar as rédeas do “reino” e o mesmo número se aplica aos “pró-vida”. Novamente, mais a sério… O conjunto das freguesias representam 21,99% dos eleitores inscritos no concelho, tendo nestas eleições contribuído com 22,36% do total de votos registados. No que concerne aos 5 maiores partidos, a sua representatividade para o total de votos no concelho, por força política, aproxima-se da média, se exceptuarmos que esta região contribui com 30% do total de votos na CDU. Para o grupo constituído por PSD, PS, CDS e BE, a contribuição é em termos percentuais, respectivamente, 23.17, 21.24, 21.68 e 22.74.

Faça-se um mero exercício teórico, dividindo os 5 maiores partidos na tradicional “direita” (PSD + CDS) e “esquerda” (PS + BE + CDU), e comparando o somatório obtido nas 13 freguesias consideradas como “Norte” com as 12 referenciadas como “Centro-Sul”. A “Norte”, a “direita” arrecada 63,18% dos votos, contra os 31,93% da “esquerda”. Por sua vez, o “Centro-Sul” tende a atenuar as diferenças, com 56,63% para a “direita” e 38,44% para a “esquerda”. Facilmente se detecta um fenómeno com paralelo na abrangência do país onde, a implantação dos partidos mais à esquerda ocorre mais a sul e nas imediações de centros urbanos, ao passo que as forças políticas mais identificadas à direita possuem a sua força nas regiões mais conservadoras do Norte. Para lá das já mencionadas condições topográficas e climatéricas, que conduzem, inevitavelmente, a um maior isolamento e às consequências daí advindas, não são de descartar explicações de âmbito cultural e histórico, com reminiscências, talvez, no contraste medieval entre os senhorios do norte e o poder concelhio a sul. Convém não esquecer, de igual forma, as justificações que podem provir de um maior laicismo a sul, em contraste com a superior implantação da religiosidade a norte, com a influência que daí adveio.

Esta dicotomia norte-sul não é apenas aparente e possui eco na evolução histórica do país, a começar pela facilidade com que Romanos penetraram nas regiões meridionais, em contraste com os quase irredutíveis luso-galaico-astúres no setentrião. Passando pelo início da nacionalidade, com o nosso Conquistador a afastar-se de Guimarães para Coimbra, motivado por outras questões que não só a cruzada interna contra os muçulmanos. Ou ainda o fenómeno ocorrido na sequência da crise da sucessão fernandina, com o país a ficar dividido entre os que tomaram voz por Castela e os que apoiaram o Mestre de Avis. Será um risco transpor uma realidade nacional para a “micro-pátria” macedense. Contudo, a mesma não deixa de ser uma imagem do que se passa a um nível mais abrangente e eu não acredito, propriamente, em coincidências… E a verdade é que já possuo os dados referentes às restantes 13 freguesias… E as “coincidências” mantêm-se…
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