E já que estou nesta onda de "recuerdos" infanto-juvenis de âmbito escolar, seria injusto restringir-me à glorificação de episódios "trochianos". A verdade é que tudo começou na "Menin'Ád'laide".

Ainda mal tinha largado os "cueiros" e já me via de volta de uma lousa preta e de uns cadernos mal "amanhados". Ou a precocidade da escrita...

A verdade é que foi a "Menin'Ád'laide" que colocou o imberbe a ler e a escrever antes do tempo. Mesmo que tenha recorrido a umas "taponas" ou a uns "coques" pelo meio. Que nessa altura ainda não havia CONFAP's e Comissões de Protecção de Menores, mas havia respeitinho.

E as "lostras" seriam extensíveis ao conforto do lar, caso a ascendência tomasse conhecimento dos indícios de "mau comportamento".

Para evitar males maiores, o melhor era recorrer ao expediente da mnemónica para não esquecer nenhum dos "versos" da cantilena da tabuada. Certo é que já fui para a "Primária" com a lição meio estudada...

Nessa época pós-25 de Abril, em que os valores da religião, da pátria e da família permaneciam enraizados, ainda se rezava, timidamente, com hino nacional à mistura. E ainda era época de reguadas e de nomeações para o próximo a presentear a "senhô prussora" com uma varinha de transformação de orelhas rosadas em exemplares escarlate.

Assustadora era aquela tábua decorada com uns "furinhos", destinada a sugar a palma das mãos sempre que se saía dos eixos. Soubesse-se lá qual era o conceito de "eixos"... É que o dito podia variar, consoante o sol nascesse a Este ou a Oriente. Visto está que a variação também não era muita... Variadas eram as matérias que os "indefesos" meninos (e meninas) tinham que interiorizar. Bem haja, D. Maria Cândida, pelas indeléveis marcas que me deixou. Não as dos açoites que, felizmente, foram bastante reduzidos. Refiro-me, antes, às capacidades de raciocínio matemático, com as contas de dividir e multiplicar "com muntos númaros" que, ainda hoje, me permitem não ser calculadora-dependente. Ou ao "massacre" que representava a infindável lista de unidades de medida. "Castigos" esses que me capacitam para ajudar a minha descendência a entender o que para eles, segundo os preceitos de ensino da actualidade, é inentendível. Coisas do "velho ensino"...

Aquele que, passados bastantes anos, ainda me permite ter noções elementares sobre geografia ou história de Portugal.

"Tadinhos" dos meninos de então, que eram obrigados a conhecer Portugal de lés-a-lés, com rios, serras, distritos e cidades à mistura, na "ponta da língua"!

A verdade é que agradeço ter tido o ensino que tive e, particularmente, a professora da "velha guarda" que teve a paciência para mo proporcionar na "velhinha" escola do Toural. Com o novo complexo escolar à porta, espero que tenha a mesma sorte que, em boa hora, foi destinada à escola da "Praça"...
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