Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



sábado, 14 de março de 2009

Cousas de guardas e escola técnica

Apesar do (des)ordenamento territorial e urbanístico que tomou conta da minha "vila", não me coíbo de a visitar regularmente. As origens possuem um apelativo muito peculiar. A cada visita, sou incapaz de resistir à tentação de efectuar a "volta dos tristes". Apesar de, na minha modesta opinião, tudo me parecer um pouco desfigurado, insisto em percorrer as artérias da "vila" em busca de todos aqueles sítios que contêm algo de familiar. Um deles é a zona onde se situa o quartel da GNR. Em relação ao mesmo, o mais alto representante político macedense reclama por novas instalações. A efectivar-se a pretensão, intriga-me qual o destino a ser dado ao actual edifício. Desejo, profundamente, que não lhe esteja destinado o mesmo fim que foi dado ao Solar dos Vasconcelos... É que, nas minhas deambulações macedenses, por muitas voltas que dê à rotunda defronte da GNR, numa vã tentativa de me convencer que naquele local reside uma força policial, não consigo abstrair-me da imagem sempre presente da "Escola Técnica". Comparativamente com o actual parque escolar, será unânime que não possuía condições dignas para albergar uma "cambada" de "teenagers" que estavam, a grande maioria das vezes, mais interessados no próximo "furo" para poder saltar o muro do "campo da bola". Enquanto decorriam os jogos de "muda ós 5 e acaba ós 10", queimavam-se as calorias e acumulava-se o odor desagradável que se transportava para a aula seguinte... Já existia o "2 em 1"... Não apenas nesse âmbito, já que a "Escola Técnica", talvez por nunca ter sido mimada com a nomenclatura mais civilizada de "Liceu", também se caracterizava por ser uma instituição escolar do tipo "2 em 1". Os champôs limitaram-se, mais tarde, a plagiar o que se fazia em Macedo... Aquilo que hoje é uma casa de habitação no "Toural" foi, durante alguns anos, uma dependência da "Secundária". Poucas aulas me recordo de ter tido lá, para além de algumas de Francês, no meio de tacos levantados e de pó de giz que invadia as minúsculas salas sempre que era necessário apagar o quadro. O que ficou mais marcado na memória foi a sequência de episódios de falsos alarmes de bomba que, pelo menos durante um ano lectivo, se acumularam. Nunca soube quem eram os autores, mas o "campo da bola" era mesmo ali ao lado... Desses tempos em que iniciei os meus contactos com uma panóplia de gente com a mania que já era crescida, guardo gratas recordações de todos aqueles que contribuíram para a minha formação, uns mais que outros, é certo. Não caberiam aqui todos. Mas parece-me de toda a justiça expressar-lhes a minha anónima gratidão em jeito de singela homenagem. Para o fazer, parece-me que o mais adequado é resgatar a memória de uma figura ímpar, única e inimitável. Ele que me perdoe a ousadia, esteja onde estiver, mas é desta forma que dele me recordo: o "Padre Trocha". Era uma figura indescritível. Tinha tanto de ingénuo (ou aparentava) como de "maus fígados" (ou aparentava, também). Tinha tanto de intelectual (pelo menos convencia-nos disso com as suas tiradas de latim) como de "labrego" (tal era a figura inapresentável que era a sua imagem de marca). O seu inseparável Fiat Ritmo era uma extensão da sua própria imagem. Numa véspera de fim-de-semana ofereceu-se para me dar boleia até Lamas. Desconheço se a possibilidade de se ter perdido um jovem derivou do odor nauseabundo que tive que suportar nos "longos" 6 Km, aliado à lixeira de papéis acumulados que mal deixavam espaço para me sentar, ou do estilo de condução a 20 à hora, mas invariavelmente posto em prática na faixa de rodagem do lado esquerdo. Ainda hoje sinto um leve arrependimento de, nessa horrenda viagem, não ter experimentado a modalidade de "Car-jumping"... Não experimentei, tive que "gramar a pastilha" e hoje tenho a recompensa de estar a recordar esse episódio. Mas houve outros... Porém, já não tenho paciência para os relatar... Talvez amanhã, ou noutro dia qualquer...

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