

O frio bateu à porta, qual porta-voz de boas vindas a um fim-de-semana mais. A chuva que lhe faz companhia escreve um convite à permanência no aconchego caseiro, defronte do conforto de um “strafogueiro” consumido pelas chamas, ajudado por um “capão“ sobre o qual se vai manuseando o assador que nos há-de presentear com uns “bilhós“.

Contudo, os eventos permanecem imunes aos contratempos do termómetro e vão desfilando ao sabor do lado prazenteiro de cada um. A começar, já amanhã, às 09h30, através da “Lição de Joana”, uma acção de formação para a qual o Centro Cultural terá as suas portas abertas. Uma oportunidade para os profissionais da educação e da animação sócio-cultural absorverem uma forma distinta de leitura, envolta em encenação. Igualmente numa vertente diferente, está acessível em alguns cafés uma outra abordagem aos livros, através das “Leituras com Cafeína”.

Saúde-se esta tentativa de promover hábitos que, normalmente, andam arredios. Hábito ancestral reside no consumo de cogumelos silvestres. Recentemente, li algures uma frase que, pela sua originalidade, ouso transcrever: “Todos os cogumelos são comestíveis… Alguns, apenas uma vez”. Já lá vão uns largos anos desde que ouvi uma história macabra acerca dos ditos espécimes comestíveis em dose única. Segundo o relato, perante a suspeita de “intragabilidade”, aquilo que seria uma refeição mais, foi despejada para o curral.

O atrevimento guloso dos galináceos que por lá andavam redundou num precoce tombar… Para evitar males maiores, decorre, a partir de amanhã, lá para os lados da capital dos Caretos, um curso de identificação de cogumelos silvestres. Uma forma de, em contacto com a Natureza, aprender algo mais sobre esse divino manjar que, inúmeras vezes, já trouxe dissabores.

Já o Parque Municipal de Exposições acolhe, no Domingo, o já aqui mencionado Concurso de Churra Badana. Uma oportunidade para apreciar uma raça ovina em vias de extinção e cujo território mais marcante reside no concelho de Macedo. Ainda no Domingo, pelas 15h, a população de Ferreira poderá assistir à exibição dos dotes vocais do Grupo de Cantares da Casa do Professor.

Para os que apreciam outros encantos, como a beleza que a paisagem transmontana toma com a chegada dos dias invernais, fica o conselho para uma deslocação de pouco mais de 10km até à antiga e histórica Salselas. Não que as condições meteorológicas dêem permissão a investidas à ancestralidade dos locais que marcam esta freguesia. Por aqui são visíveis exemplares que testemunham a passagem desde tempos imemoriais.

Todavia, esta incursão a Salselas possui uma vertente mais etnográfica que propriamente histórica, ainda que uma e outra sejam indissociáveis. O Museu Rural de Salselas é um exemplo vivo de preservação de uma cultura que vai sendo apagada pelo tempo. No mesmo são retratados as actividades tradicionais relacionadas com labores agrícolas, bem como nos é apresentada uma fiel reprodução dos modos de vida dos nossos avós, bem vincada na presença e na disposição de artefactos que mais não fazem que relembrar a típica casa transmontana.

É de louvar o esforço colocado por uma freguesia nordestina e macedense na recriação de modos de vida que, paulatinamente, vão sendo abandonados a favor dos valores da modernidade e da deserção para outras paragens. O futuro faz-se hoje…
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