Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Roteiros macedenses


O frio bateu à porta, qual porta-voz de boas vindas a um fim-de-semana mais. A chuva que lhe faz companhia escreve um convite à permanência no aconchego caseiro, defronte do conforto de um “strafogueiro” consumido pelas chamas, ajudado por um “capão“ sobre o qual se vai manuseando o assador que nos há-de presentear com uns “bilhós“. Contudo, os eventos permanecem imunes aos contratempos do termómetro e vão desfilando ao sabor do lado prazenteiro de cada um. A começar, já amanhã, às 09h30, através da “Lição de Joana”, uma acção de formação para a qual o Centro Cultural terá as suas portas abertas. Uma oportunidade para os profissionais da educação e da animação sócio-cultural absorverem uma forma distinta de leitura, envolta em encenação. Igualmente numa vertente diferente, está acessível em alguns cafés uma outra abordagem aos livros, através das “Leituras com Cafeína”. Saúde-se esta tentativa de promover hábitos que, normalmente, andam arredios. Hábito ancestral reside no consumo de cogumelos silvestres. Recentemente, li algures uma frase que, pela sua originalidade, ouso transcrever: “Todos os cogumelos são comestíveis… Alguns, apenas uma vez”. Já lá vão uns largos anos desde que ouvi uma história macabra acerca dos ditos espécimes comestíveis em dose única. Segundo o relato, perante a suspeita de “intragabilidade”, aquilo que seria uma refeição mais, foi despejada para o curral. O atrevimento guloso dos galináceos que por lá andavam redundou num precoce tombar… Para evitar males maiores, decorre, a partir de amanhã, lá para os lados da capital dos Caretos, um curso de identificação de cogumelos silvestres. Uma forma de, em contacto com a Natureza, aprender algo mais sobre esse divino manjar que, inúmeras vezes, já trouxe dissabores. Já o Parque Municipal de Exposições acolhe, no Domingo, o já aqui mencionado Concurso de Churra Badana. Uma oportunidade para apreciar uma raça ovina em vias de extinção e cujo território mais marcante reside no concelho de Macedo. Ainda no Domingo, pelas 15h, a população de Ferreira poderá assistir à exibição dos dotes vocais do Grupo de Cantares da Casa do Professor. Para os que apreciam outros encantos, como a beleza que a paisagem transmontana toma com a chegada dos dias invernais, fica o conselho para uma deslocação de pouco mais de 10km até à antiga e histórica Salselas. Não que as condições meteorológicas dêem permissão a investidas à ancestralidade dos locais que marcam esta freguesia. Por aqui são visíveis exemplares que testemunham a passagem desde tempos imemoriais. Todavia, esta incursão a Salselas possui uma vertente mais etnográfica que propriamente histórica, ainda que uma e outra sejam indissociáveis. O Museu Rural de Salselas é um exemplo vivo de preservação de uma cultura que vai sendo apagada pelo tempo. No mesmo são retratados as actividades tradicionais relacionadas com labores agrícolas, bem como nos é apresentada uma fiel reprodução dos modos de vida dos nossos avós, bem vincada na presença e na disposição de artefactos que mais não fazem que relembrar a típica casa transmontana. É de louvar o esforço colocado por uma freguesia nordestina e macedense na recriação de modos de vida que, paulatinamente, vão sendo abandonados a favor dos valores da modernidade e da deserção para outras paragens. O futuro faz-se hoje…

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