
Quando a velhinha N15 entrava na sua agonia de substituição de tráfego pelo IP4, suspirei... De alívio e de nostalgia... Ainda a novidade do novo traçado se encontrava à espera da respectiva inauguração e decidi passar as barreiras legais, cometendo a proeza de circular por onde a ausência do cortar de fitas ainda não permitia. Nesse dia, prometi a mim mesmo que um dia haveria de me despedir decentemente das "Curvas de Murça". Entretanto, a adrenalina foi-se dissipando e a paciência foi-se esvaindo ao sabor do conforto. E nunca mais chegou o dia da despedida... Mas o conforto foi sendo tomado de assalto pelas insuficiências do IP4 e pelo desafio em que se transformou, numa negra e sangrenta pintura de "roleta russa". Até que um dia alguém teve vergonha na cara e decidiu avançar para a reposição de uma elementar justiça (mesmo que os transmontanos residentes sejam cada vez menos). A A4 vinha a caminho, rodeada de duas cerejas: o nascimento do IC5 e a transformação do IP2. Como parecia "fruta" a mais, o Tribunal de Contas decidiu recusar o visto prévio aos contratos das concessões rodoviárias. Legalidades... Ou uma ilegalidade mais cometida sobre "aqueles gajos de lá de cima que nos recebem com posta á mirandesa e bandas de música quando lá vamos em período eleitoral"... Manobras de diversão de legalidades à parte, não há nada que reponha uma vida. Recentemente tinha feito menção, em conversa familiar, às ausências de punição para os gangs que vão proliferando neste país que, dizem, conquistou a liberdade. A maior conquista foi, contudo, a da insegurança... Isto a propósito do João Melo. Já se esfumaram oito anos... E, finalmente, contrariando o meu pessimismo, houve condenação para quem perpretou um hediondo crime, alvejando um jovem que se limitava a cumprir o seu dever. 25 anos não é pena máxima, é pena mínima. Porque não vão ser 25 anos... E porque os anos que vão ser sê-lo-ão, também, à custa da família do João, a qual, com os seus impostos, contribuirá para sustentar quem lhes ceifou um filho. Infelizmente, nada há que o traga de volta. Contudo, discordo da completa privação de liberdade, assim como discordo, na grande maioria dos casos, da aplicação da pena de morte. Não seria muito mais profícuo para a sociedade impor a quem, sabe-se lá se por motivos genéticos, culturais, educacionais ou sociais, se colocou à margem, um regime de trabalho compulsivo, em jeito de compensação a essa mesma sociedade, através de um qualquer serviço comunitário? Não há matas para limpar? Não há estradas para asfaltar? Porque temos que pagar em triplicado?
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