Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém hai puri irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as'tanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, dàs bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim nos arraiolos ou o meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Anda'di, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te no motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couratcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRASMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS :







sábado, 12 de setembro de 2020

Mais atoardas do excelso Pelouro da "Coltura"


"Rais'parta"! Poderiam ter optado por qualquer freguesia "pra botar" no MACEDO NÃO PARA (para quê?...).. "Ma não, queis são guitchos!"... Foram logo optar por Bornes, Chacim, Lamas e a União das Freguesias de Espadanedo, Edroso, Murçós e Soutelo Mourisco! De científicas comissões, "toma lá que já as bais a mamar", que quem domina o concelho "semos" nós, e "mandemos" na história do dito, que nós é que sabemos da poda... E já veremos como te "bais amanhar"... Pois... As três primeiras já fazem parte do cardápio que o "P'louro da Coltura" quer, à força de muitas forças, rumores das neblinas da serra, enviar para a fogueira das vaidades, qual Inquisição dos tempos modernos. Quanto à incomparável união da serra, louvores aos seus responsáveis, no forno já está, na grandiosidade dos séculos que lhe pinta as entranhas. Se sobre o "Bornes wikipédico da Coltura" parecemos já estar conversados, na sagacidade da sabedoria popular, cada cavadela, sua minhoca, de deturpações minhas, na "Coltura", a cada cagadela sua troca. Ou, na pretensa arrogância do avaliado, quando a "Coltura" estiver a descascar as maçarocas do milho, já este ignóbil fez pipocas...  

Ora, regressemos ao repetidamente magnífico MACEDO NÃO PARA... E a Chacim... «A história do concelho de Macedo de Cavaleiros cruza-se a (este "a" está mesmo lá) com a história de Chacim...». Até aqui, nada a opor. É "berdade, berdadinha"... E prossegue a dissertação com «...uma pequena freguesia que hoje tem cerca de 265 habitantes, mas que até 1853 foi a sede do município»... "Oh c'um caralhitchas! Mas atão algua freguesia do mou concelho pode ser tchamada de piquena? Bô???!!!". Porém, que "num troç'á porc'ó rabo por ua cousa assim"... Mas, e "atão Cortiços"? Era sede do quê? Em regressão temporal até ao tal ano de 1853, o concelho de Macedo de Cavaleiros foi parido inicialmente com 32 freguesias (digo eu, que não faço parte da Comissão Científica da "Coltura"): uma desanexada do concelho de Bragança, outra do de Izeda, duas do de Torre de D. Chama, onze do extinto concelho de Chacim e... dezassete do extinto concelho de Cortiços. DEZASSETE!!! Mas perdoe-se o lapso, porque dizem os documentos oficiais que, formalmente, o neófito concelho foi formado à custa de Chacim, mesmo que os conterrâneos de Cortiços possam ficar "imbutchinados" pela secundarização política, coisa que não merecem, de facto. Afinal, foram os maiores contribuidores para a nova divisão administrativa...

E prossegue a douta dissertação sobre a nobre Chacim, fazendo referência ao Real Filatório. Reconheço que o nome é pomposo... R E A L  F I L A T Ó R I O... No entanto, em documento oficial algum, tempos outros de régias vontades, o dito vem referenciado como tal. Na tacanhez do emanado pelo "mais vale parecê-lo que sê-lo", nós tínhamos uma REAL FÁBRICA DE SEDAS, não um tal de Real Filatório! O tal de filatório era a máquina de fiação... Em relação ao qual se refere o boletim oficial: «O trabalho de investigação realizado por vários investigadores do nosso país não parece ter revelado, até ao momento, a existência desta dobadoura mecância sendo o trabalho realizado manualmente pelas mulheres». "Jesus Cristo, balha-me Deus No'Senhor"!... Os investigadores a que se referem fazem parte da vossa Comissão Científica? Que desapontamento... Começo a desejar ter-me submetido à dita Comissão Científica proposta pela senhora Chanceler da "Coltura"... Desconheço se em terras nas quais o desprezível Junot foi nomeado Duque por Napoleão terá havido seda. Mas houve uma escritora, esposa do dito, ao que parece, sob o pseudónimo de Duquesa de Abrantes. Não deve a douta ter reparado que o dito filatório foi construído em Lisboa e transportado, sob escolta militar, até Chacim, lá para o longínquo mês de Julho de 1787... Pois... Era de madeira, e perecível é a dita... Ah! E depois da venda em hasta pública, o dito filatório, se ainda se mantivesse nas instalações, deve ter sido consumido pelo fogo que assolou o complexo transformado, entretanto, em estábulo... 

Um tal de complexo em relação ao qual, diz o boletim oficial: «A fábrica laborou até 1807, aquando das primeiras invasões francesas»... Dizem os ignorantes não constituintes da dita Comissão Científica que a Real Fábrica de Sedas ainda laborava em 1820. E que só encerrou definitvamente em 1834. Coisa de somenos importância. Afinal acertaram no século em que fechou a laboração... Desconheço é se acertaram quando dizem que «A investigação levou à classificação do edifício por parte do IPPAR». "Bô? Adonde é q'stá o Decreto?»... 

"E ó depeis"... A história de Chacim é de tal forma grandiosa que o primeiro volume, "Chacim - Espaço de Lendas, Terra do Mordomo-mor do Rei", só nos faz viajar até ao séc. XVI. Embora assim seja, aconselharia vivamente a "Coltura" a passar-lhe uma vista de olhos... Talvez no próximo MACEDO NÃO PARA pedissem desculpa aos chacinenses pelos ultrajes... E pela omissão do tanto que Chacim possui... D. Nuno Martins de Chacim, o tal que, conjuntamente com o primo Mendo Gonçalves, deu o epíteto "dos Cavaleiros" a Macedo (o "de Cavaleiros" é adulteração do séc. XIX), deverá estar a desembainhar a espada neste momento...  

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

O conhecimento wikipédico do Pelouro da "Coltura"


Ou deixa ver se consigo traduzir isto para «de wikipedique quenouledege ofe de area ofe "colture"» (ofe mai taune, ofe corse). Macarrónicas elipses de superfícies não cónicas, numa vertente plana de eixos... Ops... Já estou a divagar por áreas que assumi não serem as minhas e, disparate por disparate, o melhor é ficar pela disparatada corrupção iletrada de um idioma universal. Dúvidas tantas, de corrupios a vontade, que melhor é não adensar muito a escrita, de acusações derivadas, não vão ressuscitar o meu serralheiro favorito, de nobel condecoração, e acusá-lo de não ser licenciado na materna língua camoniana. Descansa, José, que a jangada de pedra aportou ao território de Guerra Junqueiro, Trindade Coelho e, mais recentemente, Rentes de Carvalho. E sofreu um inusitado desvio, deixando o inevitável Torga do outro lado, fixando-se em terras de Sancirilo, queria dizer, A. M. Pires Cabral. A propósito, todos deveriam ler Sancirilo. Qual 1984, qual Admirável Mundo Novo, qual Triunfo dos Porcos (ainda que lhe tenham adulterado a tradução original)? O bem nosso Pires Cabral, qual Nostradamus dos tempos modernos, colocou a pena em forma de profecia... Mas, paciência aos santos, também não sou letrado em Literatura... De meter a foice em seara alheia, ainda me arrisco a nova comissão examinadora... Mas adiante, que vai a cenoura atrás do burro, ou o inverso, que "mai fai"...

Descansem que, desta vez, não vou "racontracoisar" nada, e como gosto do neologismo "coisar", que de tanto vazio, tanta utilidade tem. Mas adiante, dizia eu, não vá o abade mor ameaçar-me de excomunhão, regressemos à Wikipédia, magnífico analgésico para todas as dores derivadas do desrespeito pela nossa gente, de palavras outras o plágio, "deixe lá isso, homem, que esta gente come aquilo que lhe damos". Mas não é assim. Na minha banal angústia por aplacar as ânsias estomacais pela excelência, não como aquilo que me dão, e não troco uns "bôs tchítcharos" por um "maquedonaldes" qualquer. E, pelos vistos, querem "intcher'a pança ós mous" conterrâneos com comida plástica mental. Mas voltemos à Wikipédia... E a Bornes...

«O povoamento do território a que corresponde a actual freguesia de Bornes é bastante remoto e a comprovar esse facto estão vários documentos do século XII. Por eles se sabe que a origem da povoação estaria na época pré-romana, dada a defesa castreja proporcionada pela serra Monte de Mel.» E avancemos para a magnífica publicação «MACEDO NÃO PARA». Bem, pantominices minhas, esta coisa do "pára" sem acento não me assenta. Mas isso é só porque sou contra o "desacordo". E quem lê estas baboseiras culpa não tem das minhas preferências linguísticas... Ah! Voltemos ao MACEDO NÃO PARA... Publicação apelativa, louve-se o gosto, mas...

«O povoamento de Bornes remonta ao século XII, como é comprovado em vários documentos que colocam a origem da povoação numa época pré-romana. Tal convicção é firmada pela defesa castreja proporcionada pela Serra de Monte Mel»... "Bô, adonde é q'ou já bi ua cousa mêa parecida"? Ultraje aos neurónios, cansados que estão, esta é uma transcrição bem ao jeito de trabalho de final do 8º ano, bem ao jeito de "muda-l'a ordim das palabras, q'injaldremos ua nota mim boa da prussora". 

Ora... Os documentos do séc. XII provam uma origem pré-romana de Bornes? "Or om'zesta! Atão?"... Defesa castreja? Em Bornes? Ficaria grato que me indicassem os locais com vestígios de povoados fortificados... Nem as prospecções da Associação Terras Quentes, nem a bibliografia, do Abade de Baçal até Francisco Sande Lemos, alvitram tal coisa. Deve ter sido a comissão científica... 

E, prosseguindo, só para achincalhar mais um "cibo":

1 - Wikipédia: «O mais antigo documento escrito relativo à freguesia remonta a 1110, data em que duas famílias fazem a doação dos herdamentos que possuíam em “Bornis” ao arcebispo de Braga, D. Maurício»

2 - MACEDO NÃO PARA: «Segundo vários registos, o documento mais antigo que referencia o nome da freguesia data de 1110, quando duas famílias terão feito uma doação dos herdamentos que possuíam em "Bornis" ao arcebispo de Braga»   

"Ó menos", poderiam não ter omitido o nome do arcebispo. Ah! E não foram duas famílias, foram três! E uma delas, caso tivessem ido à apresentação do livro "Bornes & Burga - Nobreza de Monte Mel", teriam percebido a importância que teve na história... nacional. 

E metendo novamente a foice em seara alheia... "A orografia desta desta zona do concelho é um vedadeiro chamariz para os praticantes de parapente e asa-delta"... "Ó balha-me Deus"! Porque copiaram frases de um documento escrito antes da instalação das eólicas? 

Senhores responsáveis pelo Pelouro da "Coltura", estas elocubrações acerca da "coltura" oficial são apenas uma pequenissima amostra das atrocidades cometidas contra a verdade da nossa história. Um destes dias, haverá mais, porque Bornes, e as restantes freguesias, merecem mais respeito do que as atoardas que saíram no boletim oficial...

Uma última dúvida existencial ao Pelouro da "Coltura": era à comissão responsável pelos disparates históricos saídos no boletim oficial que pretendiam submeter-me? Duplamente, "ó balha-me Deus"! Já sentiram os beliscos a que os pouparam?    


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

"A Chanceler da Coltura"... Há sempre um tempo de regressar...




...nas intermitências do tempo, de algozes tantos da essência, como se o tempo, esse mágico instrumento capaz de atrocidades tantas, fosse devorado por uma máquina do olvido. Porém, nas inconsistências dos olvidos, ouvidos há que recordam... Mais não seja, as atoardas proferidas contra a terra adoptiva, num destemido discurso aos alunos no qual, em jeito de pregão à beira Tejo, era verbalmente vomitado que a melhor coisa que Macedo tinha era a placa de saída. Depois, como prémio para tão arrojada infâmia, entregam-nos a Educação da tal terra contra a qual vociferávamos, saindo-nos o joker da Cultura. E, na incongruência do braço esquerdo que conduz a estrelas no meio do MEU jardim, ou na inclemência dos 20.000 euros (sim, "binte mil ouros, dos de berdade") que as ditas letras estreladas nos custaram, impeditivos de dotações orçamentais para a Cultura, ainda temos o privilégio de nos apercebermos que o Município, o MEU Município, está refém da intocável vontade das influências emanadas pelos auto-despedidos. Um espécie de remake de "Godfather", sem Marlon Brando, sem mão branda, a lembrar os antípodas do apregoado... 
A MINHA terra é a MINHA terra. Longe, na distância de um ponto do coração, na proximidade das memórias do velhinho hospital onde fui parido. Sim, não fui parido nas pedras do Tejo, não desfazendo da magnífica linha que encantos tantos me trouxe na capital. Contudo, não há como a ribeira de Nogueirinha, tempos outros de ir lavar as tripas para o fumeiro, haverá "garruços", "samarras" e "miotes de lã" para os lados das tágides?
E, se não é a dotação orçamental, é o conteúdo, e se conteúdo não é, a Cultura queria "botar-me" uma bancada de examinação, comissão cientifica lhe chamou a douta, como se o padre precisasse que lhe ensinem o Pai Nosso. Recusei, obviamente, na tão propalada arrogância de quem tem a humildade de não ter a pretensão de ver uma comissão científica humilhada por quem foi parido nas pedras. E as Juntas de Freguesia, talvez a douta as considere menores, de responsáveis nas pedras paridos também, do Tejo não beberam, preferindo o Azibo, o Sabor, o Tuela ou o Macedo... Já "beremos" as cenas dos próximos episódios, nos quais ao "sim, senhôre, conte conósco", se segue um "aparecesse-me que dezta bêze num bai ter sorte"...   
Deveria ser uma carta aberta. Mas não deixa de o ser. De interrogações muitas, no resumo do possível, porque se deixam, senhores que afirmam apoiar a história do VOSSO concelho, manietar pelo raptor? Porque deixam o tentáculo, aquele que publicamente disse que "para aquele gajo, nem um euro da Câmara!", continuar a destilar ódios, usufruindo da presença da nomeada? Porque não percebem que já estão em minoria, sendo já públicas as dissensões provocadas pelo polvo? Na minha humilde opinião de "não licenciado em História, nem na magnífica Língua de Shakespeare", que "mai fai" ser um falso trio contra uma quadra com um falso, ou duplicar as vontades ao abrigo do "daqui por um ano há mais"? "Pur u menos, rafodim-se os anéis, mas ficum nos dedos, c'um caralhitchas!". E, aceitem as minhas sinceras desculpas por não traduzir a essência para Inglês... Não pretendo arriscar-me a mais uma proposta de examinação, arriscando-me, em simultâneo, a confundir Inglês com Mirandês, ou, "puri, a botar zcrita im cirílico, ou lá o que caralhitchas tchamam asquéis tchabazcos qu'screbim nos nomes cum muntos ob's", ou quiçá, a soltar um "ma racontrafoda o caralho" aos que são contra a xenofobia e "ó depeis" ostracizam, em ingénua doutorice, num processo de ignóbil autofagia, os autóctones. De tanto auto, ainda digo que ninguém consegue fazer a minha caricatura por ser detentor de traços demasiadamente perfeitos... "Rais'partam" as teorias comportamentais que não conseguem abafar os descendentes de Narciso... E "prontos, são nos fígados que se rebolbim d'ás bezes"... "Or sim"?
Ah!... Já "amanharam ua forma de dezfitchare os Museus do Ti Bino e do Ti Martim"?... Ou estão a pensar numa comissão científica constituída por Senna Martinez, Sanches Baêna, Carlos Mendes, Elsa Luís, Saul Gomes, Ferreira do Amaral, Pedro Barbosa, e outros nomes de "somenos" importância? Bem me parecia que não... "Bá, num le dou as bizcas todas, nim nos ases. Juguemos ó tchincalhão, puri? Bem m'ou finto! Só tânho um tantinho d'zcola a jogar'ó Quingue (é assim que se 'screbe, s'nhora prussora?)"...

    

sábado, 6 de junho de 2015

"Remebering" São Pedro

Não vou contar nenhuma história alicerçada num plágio ao Gabriel Garcia Márquez, nem me atreveria a alvitrar crónicas de anunciadas mortes, antes preferindo o sensacionalista feliz Verão da senhora Forbes, em versão contentamento restrito com o título. Poderá a senhora Forbes não se lembrar do “São Pedro”… Eu lembro-me…
…da 1ª edição, no longínquo 1983, a mente não me atraiçoe, rapazola esguio, nada habituado a hercúleos esforços do músculo, de “ocupação de tempos livres” a época, adveio a fava na rifa das selecções. A bem da verdade, talvez me tenha saído o prémio, esquissos da memória, lembro-me do saudoso “João Ginja”, de longa data amigo da família, em solene anúncio na forma de um «Rapaz, arranjou-se uma ocupação para as tuas férias. É pertinho de casa, mas vai ser duro.» E foi… Ou não, de acréscimo à experiência a recordação. Construíam-se as actuais Biblioteca Municipal e Junta de Freguesia. Era só saltar o muro para o olival que ainda por lá restava, era dos Padres Marianos, diziam. Erguia-se o esqueleto da obra a cimento e tijolos, escaldava, por esses dias, em quase impossibilidades de respiração, ia valendo o armazém de sacos de cimento onde as agruras eram, ainda assim, dificilmente suportáveis. Por lá rondava o encarregado, o simpático “Sô Joaquim”, dizia-se ainda meu primo, «Não te esforces, rapaz, que tens mãos macias.» Mas eu esforçava-me. Desajeitado, mas esforçava-me. 
Era uma espécie de “pintche”, sem saber bem o significado de tal coisa para lá da associação ao alcatrão. Tinha ouvido os homens que tiraram o pó do Toural a chamarem “pintche” à dita substância negra… Cheguei a pensar que ironizavam por apresentar características dos “copinhos de leite” provenientes de latitudes nórdicas… “Santa inocência”… Um dia, já depois de ter aprendido a fazer uma parede (que, qual milagre, ainda hoje se mantém hirta na Biblioteca!), disseram-me para ir com o “Manel Lázaro” para a “Feira”. Pensei que iria montar tendas, ou coisa que se lhes assemelhasse. Mas o “Manel” perguntou-me se conseguia aguentar com o peso dos ferros que serviriam de estrutura às “barracas da feira”. Seria a “Feira de São Pedro”…

Bem vistas as coisas, isto é presunçosamente histórico! Julgo, não me atraiçoe a mente, repetições de parágrafos outros, que terei participado, a ferros, parafusos, excessivo calor, porcas e chaves-de-porcas, na primeira edição da Feira de São Pedro! “Rais’partam as alembraduras”!

Avolumaram-se as experiências, em universos outros, rasgaram-se folhas de calendário, irreversíveis marchas do tempo. Da pureza a essência, de alguns nomes e formas ficam as letras, as memórias, a gratidão, o desenho mental de sorrisos e vocalizações, idos tempos de conceitos outros. Soam a longínquos, em paradoxos de permanência sob valores distintos, maleficamente distintos, onde se apregoa o umbigo em detrimento do cordão umbilical. Talvez pelo absurdo mantenha esta ligação às figuras que ajudaram a desenhar o lírico que sou. “Roubem-me a comida, mas jamais conseguirão roubar-me a fome”. Lirismos abjectos, o proclamarão os de anticorpos detentores… Fomes outras…


Transformaram-se os parafusos, de metamorfoses em inevitável evolução, o imberbe certame ultrapassou o acne, as dores do crescimento, as crises existenciais. Surgiram as luzes da ribalta, as mediáticas refregas intestinas, os passos menores, ou os maiores que a perna, os sucessos e insucessos. Repentinamente, ou talvez não, despertaram os Nostradamus, que Restelo não tendo e vozes havendo, encomendaram o féretro, anunciaram a cerimónia fúnebre aos cinco ventos, porque insuficiente o dobro do par. De súbito, em desenfreadas corridas, apressaram-se a mudar a cor das gravatas… “Ninguém escreve ao coronel”
…  

terça-feira, 2 de junho de 2015

Mundiais Dias da Criança


Dizem que todos deveríamos ser criança uma vez por outra, alternativamente, num sôfrego alternativamente que conduz a ser criança vez nenhuma. Por isso, ser criança está irremediavelmente restringido às crianças. Ponto final… Sofrer alegremente numa regressão à infância é saudosismo, é descurar um qualquer futuro cuja existência se desconhece, revivalismos bacocos apregoados como sintomas de irresponsabilidade, num endémico processo que menospreza a aparência. Não pode menosprezar-se a aparência, em jeito de retrocessos a tempos que convém apagar da biografia. Ou deturpações do carpe diem… Nutro desprezo pela aparência, num crónico “as iludências aparudem” gerado na infância, inversões de quotidianos muitos, ingénuas aprendizagens, repentinos laivos de uma rebeldia conscientemente controlada.
O ser ao invés do ter, sem receios de represálias por frustradas tentativas de idolatria pelas aparências, propósitos na incontrovérsia responsavelmente assumida de ausência de fenómenos alienígenas a que, quais líderes de matilha, rosnam como rabos-de-palha, ou incontidas indignações apregoadas sem qualquer pejo de atingir cumes pisando e repisando mãos. Não sobrarão dedos na queda…


Amanhã serei criança. Hoje sou criança. Ontem fui criança. Numa nostalgia pela pureza dos pontapés na bola, da porrada que ainda não equivalia a “bullying”, das “lapadas q’abriam a cabeça ó berde”. Ou pelos imperdíveis episódios da Heidi ou do Vickie, vistos inúmeras vezes nas casas dos vizinhos do Toural, num tempo em que, nessa vizinhança, as únicas fogueiras que existiam não eram as das vaidades. Cresceram esses vizinhos, passaram, salvo raras excepções, a epopeias-fantasma de convenientes desconhecidos, ou convenientes conhecidos quando as conveniências assim são convenientes. E capazes são de por nós na rua passar, saudando quando são previsíveis proveitos, ou ignorando quando o futuro vizinho é detentor de uma taxa de juro que supera os rendimentos da saudável saudação. Apetece-me ser criança, nessas alturas apetece-me ser inconvenientemente criança, numa “bárbara agressão” com uma “fisga de grampos”, “pernas pra que te quero”, indomáveis correrias a contar as peripécias aos parceiros de “terrorismo”. E, “rais’partam” as saudades, tenho mesmo saudades… dos malucos dos carinhos de rolamentos, sem pretensões de um carrinho ser melhor do que o do vizinho, apenas numa algazarra que incomodava os saudosos “Sô Joaquim”, “Sô Alberto” ou o “Sô Carlos”, porque lhes surripiavam as ferramentas, os parafusos, as tábuas ou os rolamentos. Depois riam-se e apreciavam a alucinante forma de incipiente Fórmula 1 imberbe. Mais pé esfolado, menos calça rasgada… Mudam-se os tempos… Hoje perguntam-me se é verdade que temos um “Umbigo do Mundo”. Invariavelmente, respondo: «Só um?»… Resposta infantil…        

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Ruminações na essência

A sério que me apavora a essência rejeitada. Como uma paciência em permanência desafiada, pela "comida da vizinha", ou por qualquer outra coisa que more para lá das fronteiras concelhias. "Será chuva, será gente", vergonha será, certamente? Vulgarize-se o tempo, venda-se a própria alma, se necessário for, ruboresça a face direita e permaneça a simétrica em alva postura. E aqueça-se o forno nesta invernia de contrastes, onde surge o sol obnubilado por máscaras aquiescentes da sombra. Agarro-me, a silvas o afogado, agouros estes de enfrentar as pétalas a ameaças de espinhos. Pairam as tempestades, e somem-se na efemeridade de um sopro divino, torpor este libertado pela sucessão dos dias... E dos eventos... E da vida... Sim, porque há vida para lá da crónica de uma moribundez selvaticamente anunciada, morrinha esta de molha-papalvos, não mata, mas mói... E molha, até os ossos praguejarem contra o enregelar de um sol da Islândia... Pois, a Islândia... E o Valter Hugo Mãe...
Que, pasme-se, visitou Macedo de Cavaleiros. Mas é lá terra para se visitar?...Já não vem cá ninguém, apologistas da desertificação dixit, terra de dois tostões, enclausurada entre o nada e o vazio, desprovida de interesse, povoada a desconforto... E mais um rol de pouca coisa que, de tão pouca não ser, indigna os que pululam, de conjectura em conjectura, em vãs tentativas de esvaziar o que, afinal, cheio parece estar. Mas isso, foi o "Ti Tonho que mo dixo"... E "bá, há que le dar um dezeconto, q'o home debe de ser mêo tchaloto"... Mas o Valter Hugo Mãe esteve cá, como outros já cá estiveram, e outros hão-de estar. Mesmo que, do Restelo as vozes, estes confins onde o sol parece não nascer, ocasos em sucessão a ocasos, permanentes trevas de um nunca acabado entristecer, não mereça a visita de tão ilustres figuras literárias. Louve-se o encanto da determinação, ou a permanência da crença. Mas o "tsunami literário", epíteto de Nobel prémio, esteve cá... Azares de uns, sorte de outros...
E poderia, tempo tivesse, para uma sublimação dos sentidos numa breve incursão a mais um local onde nada se passa, tudo se passando. Tempo houvesse... Ou esternutações com odor a sarcástico mundo onde... Nada se passa... De passagem, apenas. Só de passagem, ilustra-se a calçada a passos esguios, fome de ser, a solarenga em sorriso aberto de esperança. Está lá, ao virar dos "segadores", olhar espalmado por ruminações nesta não renegada essência, opípara degustação dos sentidos, e os rostos de Cristo desenhados a outros voos. Vá lá... Mas vá mesmo... Ou "o rosto que mudou o mundo"...
Em tempo de abelhas e conversas apícolas, "rais'parta que num se passa nadinha", unção de vetustas vozes em juvenis poses, da opulência de nadas feito o eco... E ecoa, inúmeras vezes ecoa, num buraco escavado à disparidade de ver a sublime essência a residir do lado de lá, sempre do lado de lá, obtusamente do lado de lá. Porém, a mim dá-me jeito vê-la do lado de cá. Mas só porque me dá jeito... Há mais de quatro décadas... "Catantcho pró Cabaleiro Andante que s'aputou co'esta terra!"... São as "Cousas", inexorabilidade dos dias, são as "Cousas"...

 
 
    

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Encantamentos... Feira da Caça e outras coisas...


Interregnos, buscas de uma interioridade nem sempre lembrada, a festa exaltada na passagem dos dias, algures, num algures de encantamentos tantos, nem sempre bebidos com a mesma intensidade com que se degusta uma qualquer ginjinha no pavilhão de entrada, ou nos que se lhe seguem. Ruminam-se os dias, incessantes buscas da alma das pedras, bem no âmago de um qualquer dentro nunca auscultado, trocas de conversas de circunstância, aqui e ali uma paragem mais, lábios ressequidos pela espera da excelência que sabemos existir. Mora na crença profunda do xisto, ou da originalidade que dela resta...
Depois, são as tentativas de exaltação da essência, produto nem sempre vendável, ou os vendilhões de um qualquer inexpugnável templo em incessantes assaltos ao inatacável. Um salpicão há-de sempre ser um salpicão ou, verborreias tantas, um "tchouriço" só é um "tchouriço" nas agrestes terras dos... "tchouriços". O resto são imitações, caras por vezes, travestidas a industriais invólucros desprovidos do suave aroma a terra. Viva a heterogeneidade, ou o que sobra "d'intchidos" povoados a compostos gaseificados que epitetam a originalidade a arrogância da essência. A essência não se adorna a epítetos... É adornada pela própria natureza de que se reveste, desentendida ao sabor das vagas da conveniência, aspirada em incessantes inspirações do não inspirável. Está cá, não há osmose que lhe valha... O fiolho nunca há-de ser funcho pelas "terras de trás do sol posto"...
Mas há-de ser chá de hepáticas inconveniências, ou de estomacais desarranjos, junte-se-lhe um "cibo" de cidreira, ou "uas folhecas de sálbia, qu'é mim boa pr'ázia". Seguidamente, é só tomar, em breves tragos de aromáticos perfis a pedaços de raízes. Mais uma ginjinha e amansa a densidade...
Recruta-se uma qualquer de rapina, sonha-se com alados voos de inalcançáveis horizontes. Olha-se, olhos nos olhos, penetrante olhar impenetrável, desvios contrários de opostas direcções. Prossegue-se, depois, rumo ao interior, apreços tantos pelo êxito da diferença, sorrisos em riste, e jogos inversos também. Revivem-se, antecipadamente, os Caretos, acariciam-se mucosas com hidromel, olha-se com esperança para um qualquer futuro desenhado a painéis, antes de prosseguir por ambientes decorados a festa, internamento em atmosfera embriagada a sabores de fumeiro, queijos, pão, bolos, e demais exemplares que não deixam adormecer o pecado. E bebe-se mais uma ginjinha, "rais'partam" as ginjinhas, sempre a desafiar os incautos para mais uma rodada de amigos, ou pretensos, ou ocasiões para saldar dívidas antigas a bandeira branca. Mais não seja, abafa-se o som do troar dos canhões, pacíficas meditações pintadas a inusitados chapéus e a canos amaciados a brilho de silêncio. 
E conhecem-se mais pedras paridas em pétreo reino, trocam-se galhardetes de apreço pela terra, partilham-se histórias ao som de um sempre inspirador toque de gaitas-de-foles, um petisco mais, «prefere alheira de caça ou normal?», venham de lá umas linguiças bem temperadas, ou o complemento de uma inigualável posta à mirandesa, condimentada a "Valle Pradinhos" ou "Quinta do Lombo", néctares da terra, ou saia o vinho da casa em jarro. De sobremesa? Sorrisos... Apenas sorrisos...