Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



terça-feira, 2 de junho de 2015

Mundiais Dias da Criança


Dizem que todos deveríamos ser criança uma vez por outra, alternativamente, num sôfrego alternativamente que conduz a ser criança vez nenhuma. Por isso, ser criança está irremediavelmente restringido às crianças. Ponto final… Sofrer alegremente numa regressão à infância é saudosismo, é descurar um qualquer futuro cuja existência se desconhece, revivalismos bacocos apregoados como sintomas de irresponsabilidade, num endémico processo que menospreza a aparência. Não pode menosprezar-se a aparência, em jeito de retrocessos a tempos que convém apagar da biografia. Ou deturpações do carpe diem… Nutro desprezo pela aparência, num crónico “as iludências aparudem” gerado na infância, inversões de quotidianos muitos, ingénuas aprendizagens, repentinos laivos de uma rebeldia conscientemente controlada.
O ser ao invés do ter, sem receios de represálias por frustradas tentativas de idolatria pelas aparências, propósitos na incontrovérsia responsavelmente assumida de ausência de fenómenos alienígenas a que, quais líderes de matilha, rosnam como rabos-de-palha, ou incontidas indignações apregoadas sem qualquer pejo de atingir cumes pisando e repisando mãos. Não sobrarão dedos na queda…


Amanhã serei criança. Hoje sou criança. Ontem fui criança. Numa nostalgia pela pureza dos pontapés na bola, da porrada que ainda não equivalia a “bullying”, das “lapadas q’abriam a cabeça ó berde”. Ou pelos imperdíveis episódios da Heidi ou do Vickie, vistos inúmeras vezes nas casas dos vizinhos do Toural, num tempo em que, nessa vizinhança, as únicas fogueiras que existiam não eram as das vaidades. Cresceram esses vizinhos, passaram, salvo raras excepções, a epopeias-fantasma de convenientes desconhecidos, ou convenientes conhecidos quando as conveniências assim são convenientes. E capazes são de por nós na rua passar, saudando quando são previsíveis proveitos, ou ignorando quando o futuro vizinho é detentor de uma taxa de juro que supera os rendimentos da saudável saudação. Apetece-me ser criança, nessas alturas apetece-me ser inconvenientemente criança, numa “bárbara agressão” com uma “fisga de grampos”, “pernas pra que te quero”, indomáveis correrias a contar as peripécias aos parceiros de “terrorismo”. E, “rais’partam” as saudades, tenho mesmo saudades… dos malucos dos carinhos de rolamentos, sem pretensões de um carrinho ser melhor do que o do vizinho, apenas numa algazarra que incomodava os saudosos “Sô Joaquim”, “Sô Alberto” ou o “Sô Carlos”, porque lhes surripiavam as ferramentas, os parafusos, as tábuas ou os rolamentos. Depois riam-se e apreciavam a alucinante forma de incipiente Fórmula 1 imberbe. Mais pé esfolado, menos calça rasgada… Mudam-se os tempos… Hoje perguntam-me se é verdade que temos um “Umbigo do Mundo”. Invariavelmente, respondo: «Só um?»… Resposta infantil…        

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