Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



terça-feira, 15 de abril de 2008

Mais Linha do Tua - Cousas de Escárnio e Maldizer


Copyright Ricardo Taveira

Não tencionava escrevinhar mais sobre este tema. Não que o dito tenha deixado de me dizer respeito. Pelo contrário: sou um dos quase 3.000 signatários da petição Tua Viva e, para além disso, vou consultando, diariamente, a evolução do "contador". Todavia, no decorrer dos serviços noticiosos da estação televisiva que todos (ainda) pagamos, surgiu, estranhamente, a notícia sobre a dita petição. Sendo a estação pública, haverá algo na manga do género "complot anti-pretensões da EDP"?...
No desenvolvimento desta notícia, somos informados de que, amanhã, dia 16 de Abril, se reunem os autarcas de Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Alijó para "concertar posições para negociar compensações pela construção da barragem". A crer nas notícias veiculadas no site da RTP, o único autarca que se manifesta, abertamente, contrário às pretensões da EDP é o Presidente da Edilidade Mirandelense, José Silvano. (Deixo de lado as rivalidades históricas entre Macedo e Mirandela para aplaudir esta atitude de verdadeira raça!). O que lamento, a ser verdade, são as afirmações atribuídas, no mesmo site, a Artur Pimentel, Presidente da Câmara de Vila Flor: "Nós temos sempre pena das pessoas que nos são queridas e morrem, mas temos de olhar para o futuro e o futuro é a barragem não é a linha do Tua". Sr. Presidente, com o devido respeito, que comparação infeliz! Ou, mesmo que não creia em tal suposição, ainda não deve ter passado pela verdadeira fatalidade de perder uma pessoa querida que morre. Sou um acérrimo defensor da manutenção da Linha do Tua. Mas não apenas, como diz, por ser "um saudosista da linha do Tua". A Linha do Tua representa muito mais que saudades: representa património, história, suor e lágrimas. Mas, caso acredite no progresso a qualquer custo, porque não experimenta, em nome de um qualquer futuro, explicar aos seus munícipes a destruição, por exemplo, da magnífica Fonte Romana ou do Arco de D.Dinis? Ou ainda a Igreja de S.Bartolomeu? Ou, quiçá, a escadaria de acesso aos Paços do Concelho?... E, já agora, proponha-lhes, de igual forma, o encerramento do fantástico Parque de Campismo (não faça isso, porque também sou saudosista, passei lá momentos inolvidáveis da minha juventude)...
Menos chocantes são as afirmações atribuídas ao Sr. Presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, Eugénio de Castro "lembrando que há mais de cem anos a construção da linha do Tua foi em si uma grande ofensa ao ambiente". Provavelmente, terá sido um atentado ao «ambiente de isolamento» em que viva (e ainda vive) o Nordeste Transmontano...
Saudosista, pela resignação patente, é a iniciativa - ainda assim, de louvar - da NEPA (Núcleo de Estudos para a Protecção Ambiental da UTAD) : «Fo[Tua]grafia» - Registo da última Primavera intacta na Linha do Tua, efectuado por fotógrafos profissionais. Mais não acrescente, deixará para a posteridade o registo de um ambiente único, inalienável e insubstituível. Este reparo em forma de lamento fica na esperança de que, daqui por uns largos anos, ainda seja possível registar Primaveras intactas na percurso da Linha do Tua. E, preferencialmente, sem o recurso a imagens subaquáticas...

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