Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém hai puri irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as'tanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, dàs bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim nos arraiolos ou o meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Anda'di, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te no motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couratcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRASMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS :







terça-feira, 15 de setembro de 2020

Os melros da Comissão Científica do "P'louro da Coltura"


De confissões o prólogo, "arrepia-se-m'aspinha" sempre que olho para uma publicação e "bêjo a nha terra" enaltecida. De frustrações tamanhas, cansado estou dos mediáticos da social comunicação a perguntarem-me se "Macedo se afudou no Azibo"... Fico "um cibo spritado" com as interrogações, apenas porque "le boto miúda proa na terra parideira"...  

Mas de irreprimíveis arrepios se me preenche a alma, se alma tenho, na crença do infinito se alimenta, "q'ó corpo, mou filho, já deve estar racontra...cosido co butelo, co'as casulas, co'as tchouriças" e demais acepipes de uma terra única. E "que mim gozto d'um cibinho de centêo, untado c'um tantinho d'azeite, e uas alcaparras temp'radinhas, c'um dasquéis caldos de balulas mastragadas co'a hórtaliça... e ua seladinha de beldroegas ou d'azedas"... Do pecado mortal se alimentam também as entranhas... "Abonda daí o farragatcho pra tchigar as brasas ó pote"...

"E ós melros"... Não os da ornitologia, mas os do ditado, no cada tiro seu... Também poderíamos chamar os pardais, mas acabou-se o milho, e o primeiro já não podemos chamar à liça... Mas chega de "trocadalhos", do "carilho" os dizem, nas quase insondáveis atoardas da promoção "coltoral". Sejamos objectivos, na objetividade insofismável de um pseudo-careto, paixões tantas pela genuinidade, que a virgindade da essência foi perdida em tempo único, no inesquecível uso de fato colorido e máscara diabólica emprestados, juventude ida de pulos e algazarras tantas, "no mêo dos mous de Podence". 

E bem ali ao lado, segundo veiculado pela Vaga Mundos, "aproveite para conhecer a Fraga da Pegada, um geossítio com gravuras e incrustações que datam da Idade do Ferro e da Idade Média"... Elevações ao blogue de viagens, de peixe vendido como vendido lhe foi, poupanças à aleivosia da Comissão Científica queria, mas a gestão da Chanceler da "Coltura" permissão não me dá... "Atão a Cumissão num besit'ós sítios nim oube os que déis sabim?". E "bota lá maiz'uas mangações ó pobo"! Antes de tentarem (sim, tentarem) promover o território não fazem os TPC? Ou deturpam a abreviatura estudantil, metamorfoseando-a num "ide TPC, Todos Pró C..., que sois uma cambada de ignorantes perante a nossa excelsa Comissão Científica"! Ilustríssima Senhora Chanceler da "Coltura", os seus apaniguados não lhe transmitiram a datação cronológica das gravações da Fraga da Pegada? Há um tempo antes da dita Idade do Ferro... Instância última, caso não creia no constante no "Podence & Santa Combinha - Universo de Caretos, Terras de Abades", à bibliografia disponível recorrer poderá, de licenciados em Arqueologia está repleta... 

Quase ao lado, mortífera peste ao legado, "A Praia da Ribeira, vencedora das 7 Maravilhas Praias de Portugal, tem relvado, parque infantil e campos de jogos onde até há lugar para campeonatos de voleibol de praia". Há? Existencial dúvida da ignorância...

A página virando, de saltos quilométricos a jornada, Chacim como próxima paragem... "Não deixe também de visitar a Igreja Matriz (Igreja de São Sebastião e Santa Eufémia), a Capela do Desterro, o Pelourinho e de atravessar o riacho pelas pontes medievais do Bairrinho e da Paradinha."... "Bô, ora c'uma deztas"!!! Voltaram à Wikipédia? A sua Comissão Científica não sabe que a igreja é dedicada à mártir Santa Comba? E, descendo um "cibinho", de facto atravessa-se o riacho pela ponte do Bairrinho. E, num saltinho de "quilometrozecos", nada de transcendente para quem conhece o território via Google Maps, a ponte da Paradinha atravessa o "riacho" do Azibo."Bá, é só um tantinho dezbiado e fica na mesma freguesia"...

Depois atravessamos a serra e há um percurso que "tem início e fim na aldeia de Vilar do Monte, passa pelo Convento Jesuíta"... Confirma-se, de facto, que os Jesuítas por estas bandas andaram. Bastaria terem lido os volumes correspondentes a Castelãos & Vilar do Monte, Cortiços e Grijó, de recurso à Comissão Científica teria poupado as gastas teclas do meu computador de não licenciado em História... "Bá, prontos"... Tivemos conventos, "sim, s'nhora", em Sesulfe e Fornos de Ledra. E em Chacim, onde se mantém no activo. "Ó depeis, que mai fai, maiz'um menoz'um"? Se a seguir a uma quinta, pode vir uma Sexta, porque não pode a excelsa Comissão, detentora de não menos excelsa sabedoria sobre o território, "botar" mais um convento? Para exaltar o meu reduzido "knowledge", até podem inventar a Companhia de Jesus feminina...

E "prontos", a seguir regressamos à sede de concelho. Onde nos é sugerido: "Visite a Igreja Matriz de São Pedro (a antiga)"... Da próxima vez que me deslocar à terra parideira, seguindo as irrefutáveis sugestões da "Coltura", qual  Indiana Jones de modernos tempos, percorrerei as artérias da "nha bila", armado em Salteador da Nova Igreja Matriz de São Pedro Perdida... 

E gratidão à VagaMundos pela promoção à minha terra parideira. Caso eu fosse a Abrantes, também venderia o peixe do Tejo como mo vendessem...

sábado, 12 de setembro de 2020

As descoordenadas geográficas da "Coltura"

 


Oh estarrecimento da alma!... Então queriam submeter-me a esta Comissão Científica? 

Enquanto, agradavelmente, folheava o último MACEDO NÃO PARA, chegada que estava a página 12, os sentidos visuais, em momentâneo arrepio, confrontados que foram com uma deslocada fotografia no artigo sobre a União das Freguesias de Espadanedo, Edroso, Murçós e Soutelo Mourisco. Ao choque inicial, sobrepôs-se a ideia de que deveria ser um equívoco gráfico, daqueles que acontecem a quem faz. Mas não, santa inocência! Então, se Bornes e Chacim já tinham sido historicamente mal tratados nas páginas anteriores, porque não haveria de manter-se a coerência? "Bamos lá atão indrominar os póbos da serra!"...

Procuro diminuir a minha ignorância percorrendo o texto, nesta insaciável vontade de conhecer cada vez melhor o meu concelho. Já o filósofo Platão dizia, "tudo o que sei devo-o à minha ignorância". E detenho-me logo na expressão"a aldeia mais pequena de Portugal", numa referência a Soutelo Mourisco. Os meus parcos conhecimentos dizem-me que, nem à data referenciada de 2013, tal se aplicava. Quer dizer, expliquemo-nos: com efeito, era a freguesia mais pequena de Portugal em termos populacionais. Todavia, não vá a minha ignorância trair-me, talvez os conceitos tenham mudado entretanto e, futuramente, veja o nome administrativo alterado para União das Aldeias de Espadanedo, Edroso, Murçós e Soutelo Mourisco. Mas. nesse caso, o que faríamos com Valongo, Bousende, Vilar Douro e Cabanas?... Mas adiante, que não é o equívoco erro de palmatória...

Prossegue a dissertação, dando destaque, a "bold", à Igreja Matriz em estilo barroco na aldeia de Edroso. Acreditando nos licenciados em História de Arte, o tal de barroco apenas pode encontrar-se no interior do templo. Porque o exterior, minha cara Comissão Científica do "P'louro da Coltura", é quinhentista, aí incluído um conjunto de pedras incrustadas na parede lateral da igreja que nos remetem para tempos medievais. Mas entendo... Talvez a dita Comissão Científica se tenha equivocado (de novo), nunca tenha visitado Edroso, nem tenha percorrido a bibliografia disponível... Ou percorreu, e confundiu o barroco de Murçós ou Bousende, ou o tardo-barroco de Soutelo Mourisco, e "bota lá disto, q'ó que serbe pra uas debe serbir prás outras"! Coitado do incauto viajante que, interessado em património, e procurando a enorme rota do barroco no concelho, siga as instruções emanadas pela "Coltura". No mínimo, ficará atónito na presença da fachada "barroca" da igreja de Edroso... E porque omitiram as restantes e magnificas igrejas da União das Freguesias? Ah! E conhecem um dos exemplares mais belos de arquitectura religiosa em capelas, situado no local onde existiu uma outra aldeia, quase à entrada de Edroso? E não vou "botar-me" a falar de sítios arqueológicos no território... "Num se me fitchab'á matraca"...

Mas a cereja no topo do bolo estava reservada para o texto referente à tal foto que ladeia, na página dedicada à União das Freguesias, a da frontaria da igreja de Edroso. Porque a tal foto refere-se à Necrópole do Sobreirinho, a qual, segundo os mínimos conhecimentos geográficos e arqueológicos que possuo, se situa em Comunhas, na vizinha freguesia de Ferreira. Acrescenta o dito texto: "Nesta aldeia (Edroso) pode visitar a Necrópole do Sobreirinho"... Eu sei que se situa a meio caminho entre Comunhas e Edroso, mas... Regresso ao incauto viajante em busca do magnífico património concelhio, seguindo as instruções do boletim, perdido pelo meio de Edroso a perguntar pela dita necrópole... Terá havido um deslocamento do sítio arqueológico ou houve alguma reorganização administrativa que desconheço? Porque, na minha modesta opinião, isto é uma falta de respeito em relação a Edroso e a Comunhas, na vizinha freguesia de Ferreira... A César o que é de César...

Por mencionar respeito (ou a falta dele)... Então, depois do processo que se resume à selvática tentativa de "assassinar" a Associação Terras Quentes, fechando museus da sua responsabilidade, retirando-os das suas instalações, cortando-lhes os apoios e ostracizando-os ao abrigo de uma perseguição que faz recuar aos tempos do Santo Ofício, têm o desplante de a mencionar no "boletim oficial"? De facto, que tiro no pé esta minimalista homenagem a quem desenterrou o passado do concelho... De facto, muito do que sei (sabemos) sobre a história do nosso concelho deve-se a essa associação à qual a "Coltura" pretende injectar algo mais virulento do que o tão propalado COVID. De facto, só conseguem "botar faladura" acerca da Necrópole do Sobreirinho ou do Povoado do Bovinho porque alguém foi destemido e teve a coragem de os estudar. Mas como agora há uma Comissão Científica que o melhor que consegue é adulterar a nossa história e o nosso património, que se dane todo e aquele que queira trazer alguma luz às nossas populações...

A finalizar... Pergunta inocente, na inocência de quem conhece as 66 aldeias do nosso concelho: então Espadanedo não tem património que mereça ser realçado no boletim oficial? Excelentíssima Chancelaria da "Coltura", conhecem a igreja de São Miguel? E o seu espaço envolvente?... E o magnífico percurso que vai de Soutelo Mourisco a Vilar Douro e depois até Cabanas? E já alguma vez se atreveram a fazer um desvio a Valongo (não o do litoral, o nosso mesmo)?... Já percorreram as entranhas da serra, num entardecer onde se vê a epiderme da terra enrugada pelo últimos raios de sol? 

Talvez a Comissão Científica que arrastou Comunhas para fora do seu território o desaconselhe. Dessa forma, continuará o "P'louro da Coltura" na sua cruzada contra aqueles que, de facto, valorizam e sabem valorizar a história e o património de um território ímpar. Do "pouquetchinho" que sei sobre história contemporânea, não era a "outra senhora" que insistia em manter as populações ignorantes, sob ameaças e manipulaçoes constantes? O "lápis azul" parece ter adquirido outras cores, mais estreladas, mais avermelhadas, numa vã tentativa de castrar o espírito crítico daqueles que não acreditam em neo-Tarrafais ou neo-Peniches...   


Mais atoardas do excelso Pelouro da "Coltura"


"Rais'parta"! Poderiam ter optado por qualquer freguesia "pra botar" no MACEDO NÃO PARA (para quê?...).. "Ma não, queis são guitchos!"... Foram logo optar por Bornes, Chacim, Lamas e a União das Freguesias de Espadanedo, Edroso, Murçós e Soutelo Mourisco! De científicas comissões, "toma lá que já as bais a mamar", que quem domina o concelho "semos" nós, e "mandemos" na história do dito, que nós é que sabemos da poda... E já veremos como te "bais amanhar"... Pois... As três primeiras já fazem parte do cardápio que o "P'louro da Coltura" quer, à força de muitas forças, rumores das neblinas da serra, enviar para a fogueira das vaidades, qual Inquisição dos tempos modernos. Quanto à incomparável união da serra, louvores aos seus responsáveis, no forno já está, na grandiosidade dos séculos que lhe pinta as entranhas. Se sobre o "Bornes wikipédico da Coltura" parecemos já estar conversados, na sagacidade da sabedoria popular, cada cavadela, sua minhoca, de deturpações minhas, na "Coltura", a cada cagadela sua troca. Ou, na pretensa arrogância do avaliado, quando a "Coltura" estiver a descascar as maçarocas do milho, já este ignóbil fez pipocas...  

Ora, regressemos ao repetidamente magnífico MACEDO NÃO PARA... E a Chacim... «A história do concelho de Macedo de Cavaleiros cruza-se a (este "a" está mesmo lá) com a história de Chacim...». Até aqui, nada a opor. É "berdade, berdadinha"... E prossegue a dissertação com «...uma pequena freguesia que hoje tem cerca de 265 habitantes, mas que até 1853 foi a sede do município»... "Oh c'um caralhitchas! Mas atão algua freguesia do mou concelho pode ser tchamada de piquena? Bô???!!!". Porém, que "num troç'á porc'ó rabo por ua cousa assim"... Mas, e "atão Cortiços"? Era sede do quê? Em regressão temporal até ao tal ano de 1853, o concelho de Macedo de Cavaleiros foi parido inicialmente com 32 freguesias (digo eu, que não faço parte da Comissão Científica da "Coltura"): uma desanexada do concelho de Bragança, outra do de Izeda, duas do de Torre de D. Chama, onze do extinto concelho de Chacim e... dezassete do extinto concelho de Cortiços. DEZASSETE!!! Mas perdoe-se o lapso, porque dizem os documentos oficiais que, formalmente, o neófito concelho foi formado à custa de Chacim, mesmo que os conterrâneos de Cortiços possam ficar "imbutchinados" pela secundarização política, coisa que não merecem, de facto. Afinal, foram os maiores contribuidores para a nova divisão administrativa...

E prossegue a douta dissertação sobre a nobre Chacim, fazendo referência ao Real Filatório. Reconheço que o nome é pomposo... R E A L  F I L A T Ó R I O... No entanto, em documento oficial algum, tempos outros de régias vontades, o dito vem referenciado como tal. Na tacanhez do emanado pelo "mais vale parecê-lo que sê-lo", nós tínhamos uma REAL FÁBRICA DE SEDAS, não um tal de Real Filatório! O tal de filatório era a máquina de fiação... Em relação ao qual se refere o boletim oficial: «O trabalho de investigação realizado por vários investigadores do nosso país não parece ter revelado, até ao momento, a existência desta dobadoura mecância sendo o trabalho realizado manualmente pelas mulheres». "Jesus Cristo, balha-me Deus No'Senhor"!... Os investigadores a que se referem fazem parte da vossa Comissão Científica? Que desapontamento... Começo a desejar ter-me submetido à dita Comissão Científica proposta pela senhora Chanceler da "Coltura"... Desconheço se em terras nas quais o desprezível Junot foi nomeado Duque por Napoleão terá havido seda. Mas houve uma escritora, esposa do dito, ao que parece, sob o pseudónimo de Duquesa de Abrantes. Não deve a douta ter reparado que o dito filatório foi construído em Lisboa e transportado, sob escolta militar, até Chacim, lá para o longínquo mês de Julho de 1787... Pois... Era de madeira, e perecível é a dita... Ah! E depois da venda em hasta pública, o dito filatório, se ainda se mantivesse nas instalações, deve ter sido consumido pelo fogo que assolou o complexo transformado, entretanto, em estábulo... 

Um tal de complexo em relação ao qual, diz o boletim oficial: «A fábrica laborou até 1807, aquando das primeiras invasões francesas»... Dizem os ignorantes não constituintes da dita Comissão Científica que a Real Fábrica de Sedas ainda laborava em 1820. E que só encerrou definitvamente em 1834. Coisa de somenos importância. Afinal acertaram no século em que fechou a laboração... Desconheço é se acertaram quando dizem que «A investigação levou à classificação do edifício por parte do IPPAR». "Bô? Adonde é q'stá o Decreto?»... 

"E ó depeis"... A história de Chacim é de tal forma grandiosa que o primeiro volume, "Chacim - Espaço de Lendas, Terra do Mordomo-mor do Rei", só nos faz viajar até ao séc. XVI. Embora assim seja, aconselharia vivamente a "Coltura" a passar-lhe uma vista de olhos... Talvez no próximo MACEDO NÃO PARA pedissem desculpa aos chacinenses pelos ultrajes... E pela omissão do tanto que Chacim possui... D. Nuno Martins de Chacim, o tal que, conjuntamente com o primo Mendo Gonçalves, deu o epíteto "dos Cavaleiros" a Macedo (o "de Cavaleiros" é adulteração do séc. XIX), deverá estar a desembainhar a espada neste momento...  

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

O conhecimento wikipédico do Pelouro da "Coltura"


Ou deixa ver se consigo traduzir isto para «de wikipedique quenouledege ofe de area ofe "colture"» (ofe mai taune, ofe corse). Macarrónicas elipses de superfícies não cónicas, numa vertente plana de eixos... Ops... Já estou a divagar por áreas que assumi não serem as minhas e, disparate por disparate, o melhor é ficar pela disparatada corrupção iletrada de um idioma universal. Dúvidas tantas, de corrupios a vontade, que melhor é não adensar muito a escrita, de acusações derivadas, não vão ressuscitar o meu serralheiro favorito, de nobel condecoração, e acusá-lo de não ser licenciado na materna língua camoniana. Descansa, José, que a jangada de pedra aportou ao território de Guerra Junqueiro, Trindade Coelho e, mais recentemente, Rentes de Carvalho. E sofreu um inusitado desvio, deixando o inevitável Torga do outro lado, fixando-se em terras de Sancirilo, queria dizer, A. M. Pires Cabral. A propósito, todos deveriam ler Sancirilo. Qual 1984, qual Admirável Mundo Novo, qual Triunfo dos Porcos (ainda que lhe tenham adulterado a tradução original)? O bem nosso Pires Cabral, qual Nostradamus dos tempos modernos, colocou a pena em forma de profecia... Mas, paciência aos santos, também não sou letrado em Literatura... De meter a foice em seara alheia, ainda me arrisco a nova comissão examinadora... Mas adiante, que vai a cenoura atrás do burro, ou o inverso, que "mai fai"...

Descansem que, desta vez, não vou "racontracoisar" nada, e como gosto do neologismo "coisar", que de tanto vazio, tanta utilidade tem. Mas adiante, dizia eu, não vá o abade mor ameaçar-me de excomunhão, regressemos à Wikipédia, magnífico analgésico para todas as dores derivadas do desrespeito pela nossa gente, de palavras outras o plágio, "deixe lá isso, homem, que esta gente come aquilo que lhe damos". Mas não é assim. Na minha banal angústia por aplacar as ânsias estomacais pela excelência, não como aquilo que me dão, e não troco uns "bôs tchítcharos" por um "maquedonaldes" qualquer. E, pelos vistos, querem "intcher'a pança ós mous" conterrâneos com comida plástica mental. Mas voltemos à Wikipédia... E a Bornes...

«O povoamento do território a que corresponde a actual freguesia de Bornes é bastante remoto e a comprovar esse facto estão vários documentos do século XII. Por eles se sabe que a origem da povoação estaria na época pré-romana, dada a defesa castreja proporcionada pela serra Monte de Mel.» E avancemos para a magnífica publicação «MACEDO NÃO PARA». Bem, pantominices minhas, esta coisa do "pára" sem acento não me assenta. Mas isso é só porque sou contra o "desacordo". E quem lê estas baboseiras culpa não tem das minhas preferências linguísticas... Ah! Voltemos ao MACEDO NÃO PARA... Publicação apelativa, louve-se o gosto, mas...

«O povoamento de Bornes remonta ao século XII, como é comprovado em vários documentos que colocam a origem da povoação numa época pré-romana. Tal convicção é firmada pela defesa castreja proporcionada pela Serra de Monte Mel»... "Bô, adonde é q'ou já bi ua cousa mêa parecida"? Ultraje aos neurónios, cansados que estão, esta é uma transcrição bem ao jeito de trabalho de final do 8º ano, bem ao jeito de "muda-l'a ordim das palabras, q'injaldremos ua nota mim boa da prussora". 

Ora... Os documentos do séc. XII provam uma origem pré-romana de Bornes? "Or om'zesta! Atão?"... Defesa castreja? Em Bornes? Ficaria grato que me indicassem os locais com vestígios de povoados fortificados... Nem as prospecções da Associação Terras Quentes, nem a bibliografia, do Abade de Baçal até Francisco Sande Lemos, alvitram tal coisa. Deve ter sido a comissão científica... 

E, prosseguindo, só para achincalhar mais um "cibo":

1 - Wikipédia: «O mais antigo documento escrito relativo à freguesia remonta a 1110, data em que duas famílias fazem a doação dos herdamentos que possuíam em “Bornis” ao arcebispo de Braga, D. Maurício»

2 - MACEDO NÃO PARA: «Segundo vários registos, o documento mais antigo que referencia o nome da freguesia data de 1110, quando duas famílias terão feito uma doação dos herdamentos que possuíam em "Bornis" ao arcebispo de Braga»   

"Ó menos", poderiam não ter omitido o nome do arcebispo. Ah! E não foram duas famílias, foram três! E uma delas, caso tivessem ido à apresentação do livro "Bornes & Burga - Nobreza de Monte Mel", teriam percebido a importância que teve na história... nacional. 

E metendo novamente a foice em seara alheia... "A orografia desta desta zona do concelho é um vedadeiro chamariz para os praticantes de parapente e asa-delta"... "Ó balha-me Deus"! Porque copiaram frases de um documento escrito antes da instalação das eólicas? 

Senhores responsáveis pelo Pelouro da "Coltura", estas elocubrações acerca da "coltura" oficial são apenas uma pequenissima amostra das atrocidades cometidas contra a verdade da nossa história. Um destes dias, haverá mais, porque Bornes, e as restantes freguesias, merecem mais respeito do que as atoardas que saíram no boletim oficial...

Uma última dúvida existencial ao Pelouro da "Coltura": era à comissão responsável pelos disparates históricos saídos no boletim oficial que pretendiam submeter-me? Duplamente, "ó balha-me Deus"! Já sentiram os beliscos a que os pouparam?    


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

"A Chanceler da Coltura"... Há sempre um tempo de regressar...




...nas intermitências do tempo, de algozes tantos da essência, como se o tempo, esse mágico instrumento capaz de atrocidades tantas, fosse devorado por uma máquina do olvido. Porém, nas inconsistências dos olvidos, ouvidos há que recordam... Mais não seja, as atoardas proferidas contra a terra adoptiva, num destemido discurso aos alunos no qual, em jeito de pregão à beira Tejo, era verbalmente vomitado que a melhor coisa que Macedo tinha era a placa de saída. Depois, como prémio para tão arrojada infâmia, entregam-nos a Educação da tal terra contra a qual vociferávamos, saindo-nos o joker da Cultura. E, na incongruência do braço esquerdo que conduz a estrelas no meio do MEU jardim, ou na inclemência dos 20.000 euros (sim, "binte mil ouros, dos de berdade") que as ditas letras estreladas nos custaram, impeditivos de dotações orçamentais para a Cultura, ainda temos o privilégio de nos apercebermos que o Município, o MEU Município, está refém da intocável vontade das influências emanadas pelos auto-despedidos. Um espécie de remake de "Godfather", sem Marlon Brando, sem mão branda, a lembrar os antípodas do apregoado... 
A MINHA terra é a MINHA terra. Longe, na distância de um ponto do coração, na proximidade das memórias do velhinho hospital onde fui parido. Sim, não fui parido nas pedras do Tejo, não desfazendo da magnífica linha que encantos tantos me trouxe na capital. Contudo, não há como a ribeira de Nogueirinha, tempos outros de ir lavar as tripas para o fumeiro, haverá "garruços", "samarras" e "miotes de lã" para os lados das tágides?
E, se não é a dotação orçamental, é o conteúdo, e se conteúdo não é, a Cultura queria "botar-me" uma bancada de examinação, comissão cientifica lhe chamou a douta, como se o padre precisasse que lhe ensinem o Pai Nosso. Recusei, obviamente, na tão propalada arrogância de quem tem a humildade de não ter a pretensão de ver uma comissão científica humilhada por quem foi parido nas pedras. E as Juntas de Freguesia, talvez a douta as considere menores, de responsáveis nas pedras paridos também, do Tejo não beberam, preferindo o Azibo, o Sabor, o Tuela ou o Macedo... Já "beremos" as cenas dos próximos episódios, nos quais ao "sim, senhôre, conte conósco", se segue um "aparecesse-me que dezta bêze num bai ter sorte"...   
Deveria ser uma carta aberta. Mas não deixa de o ser. De interrogações muitas, no resumo do possível, porque se deixam, senhores que afirmam apoiar a história do VOSSO concelho, manietar pelo raptor? Porque deixam o tentáculo, aquele que publicamente disse que "para aquele gajo, nem um euro da Câmara!", continuar a destilar ódios, usufruindo da presença da nomeada? Porque não percebem que já estão em minoria, sendo já públicas as dissensões provocadas pelo polvo? Na minha humilde opinião de "não licenciado em História, nem na magnífica Língua de Shakespeare", que "mai fai" ser um falso trio contra uma quadra com um falso, ou duplicar as vontades ao abrigo do "daqui por um ano há mais"? "Pur u menos, rafodim-se os anéis, mas ficum nos dedos, c'um caralhitchas!". E, aceitem as minhas sinceras desculpas por não traduzir a essência para Inglês... Não pretendo arriscar-me a mais uma proposta de examinação, arriscando-me, em simultâneo, a confundir Inglês com Mirandês, ou, "puri, a botar zcrita im cirílico, ou lá o que caralhitchas tchamam asquéis tchabazcos qu'screbim nos nomes cum muntos ob's", ou quiçá, a soltar um "ma racontrafoda o caralho" aos que são contra a xenofobia e "ó depeis" ostracizam, em ingénua doutorice, num processo de ignóbil autofagia, os autóctones. De tanto auto, ainda digo que ninguém consegue fazer a minha caricatura por ser detentor de traços demasiadamente perfeitos... "Rais'partam" as teorias comportamentais que não conseguem abafar os descendentes de Narciso... E "prontos, são nos fígados que se rebolbim d'ás bezes"... "Or sim"?
Ah!... Já "amanharam ua forma de dezfitchare os Museus do Ti Bino e do Ti Martim"?... Ou estão a pensar numa comissão científica constituída por Senna Martinez, Sanches Baêna, Carlos Mendes, Elsa Luís, Saul Gomes, Ferreira do Amaral, Pedro Barbosa, e outros nomes de "somenos" importância? Bem me parecia que não... "Bá, num le dou as bizcas todas, nim nos ases. Juguemos ó tchincalhão, puri? Bem m'ou finto! Só tânho um tantinho d'zcola a jogar'ó Quingue (é assim que se 'screbe, s'nhora prussora?)"...

    

sábado, 6 de junho de 2015

"Remebering" São Pedro

Não vou contar nenhuma história alicerçada num plágio ao Gabriel Garcia Márquez, nem me atreveria a alvitrar crónicas de anunciadas mortes, antes preferindo o sensacionalista feliz Verão da senhora Forbes, em versão contentamento restrito com o título. Poderá a senhora Forbes não se lembrar do “São Pedro”… Eu lembro-me…
…da 1ª edição, no longínquo 1983, a mente não me atraiçoe, rapazola esguio, nada habituado a hercúleos esforços do músculo, de “ocupação de tempos livres” a época, adveio a fava na rifa das selecções. A bem da verdade, talvez me tenha saído o prémio, esquissos da memória, lembro-me do saudoso “João Ginja”, de longa data amigo da família, em solene anúncio na forma de um «Rapaz, arranjou-se uma ocupação para as tuas férias. É pertinho de casa, mas vai ser duro.» E foi… Ou não, de acréscimo à experiência a recordação. Construíam-se as actuais Biblioteca Municipal e Junta de Freguesia. Era só saltar o muro para o olival que ainda por lá restava, era dos Padres Marianos, diziam. Erguia-se o esqueleto da obra a cimento e tijolos, escaldava, por esses dias, em quase impossibilidades de respiração, ia valendo o armazém de sacos de cimento onde as agruras eram, ainda assim, dificilmente suportáveis. Por lá rondava o encarregado, o simpático “Sô Joaquim”, dizia-se ainda meu primo, «Não te esforces, rapaz, que tens mãos macias.» Mas eu esforçava-me. Desajeitado, mas esforçava-me. 
Era uma espécie de “pintche”, sem saber bem o significado de tal coisa para lá da associação ao alcatrão. Tinha ouvido os homens que tiraram o pó do Toural a chamarem “pintche” à dita substância negra… Cheguei a pensar que ironizavam por apresentar características dos “copinhos de leite” provenientes de latitudes nórdicas… “Santa inocência”… Um dia, já depois de ter aprendido a fazer uma parede (que, qual milagre, ainda hoje se mantém hirta na Biblioteca!), disseram-me para ir com o “Manel Lázaro” para a “Feira”. Pensei que iria montar tendas, ou coisa que se lhes assemelhasse. Mas o “Manel” perguntou-me se conseguia aguentar com o peso dos ferros que serviriam de estrutura às “barracas da feira”. Seria a “Feira de São Pedro”…

Bem vistas as coisas, isto é presunçosamente histórico! Julgo, não me atraiçoe a mente, repetições de parágrafos outros, que terei participado, a ferros, parafusos, excessivo calor, porcas e chaves-de-porcas, na primeira edição da Feira de São Pedro! “Rais’partam as alembraduras”!

Avolumaram-se as experiências, em universos outros, rasgaram-se folhas de calendário, irreversíveis marchas do tempo. Da pureza a essência, de alguns nomes e formas ficam as letras, as memórias, a gratidão, o desenho mental de sorrisos e vocalizações, idos tempos de conceitos outros. Soam a longínquos, em paradoxos de permanência sob valores distintos, maleficamente distintos, onde se apregoa o umbigo em detrimento do cordão umbilical. Talvez pelo absurdo mantenha esta ligação às figuras que ajudaram a desenhar o lírico que sou. “Roubem-me a comida, mas jamais conseguirão roubar-me a fome”. Lirismos abjectos, o proclamarão os de anticorpos detentores… Fomes outras…


Transformaram-se os parafusos, de metamorfoses em inevitável evolução, o imberbe certame ultrapassou o acne, as dores do crescimento, as crises existenciais. Surgiram as luzes da ribalta, as mediáticas refregas intestinas, os passos menores, ou os maiores que a perna, os sucessos e insucessos. Repentinamente, ou talvez não, despertaram os Nostradamus, que Restelo não tendo e vozes havendo, encomendaram o féretro, anunciaram a cerimónia fúnebre aos cinco ventos, porque insuficiente o dobro do par. De súbito, em desenfreadas corridas, apressaram-se a mudar a cor das gravatas… “Ninguém escreve ao coronel”
…  

terça-feira, 2 de junho de 2015

Mundiais Dias da Criança


Dizem que todos deveríamos ser criança uma vez por outra, alternativamente, num sôfrego alternativamente que conduz a ser criança vez nenhuma. Por isso, ser criança está irremediavelmente restringido às crianças. Ponto final… Sofrer alegremente numa regressão à infância é saudosismo, é descurar um qualquer futuro cuja existência se desconhece, revivalismos bacocos apregoados como sintomas de irresponsabilidade, num endémico processo que menospreza a aparência. Não pode menosprezar-se a aparência, em jeito de retrocessos a tempos que convém apagar da biografia. Ou deturpações do carpe diem… Nutro desprezo pela aparência, num crónico “as iludências aparudem” gerado na infância, inversões de quotidianos muitos, ingénuas aprendizagens, repentinos laivos de uma rebeldia conscientemente controlada.
O ser ao invés do ter, sem receios de represálias por frustradas tentativas de idolatria pelas aparências, propósitos na incontrovérsia responsavelmente assumida de ausência de fenómenos alienígenas a que, quais líderes de matilha, rosnam como rabos-de-palha, ou incontidas indignações apregoadas sem qualquer pejo de atingir cumes pisando e repisando mãos. Não sobrarão dedos na queda…


Amanhã serei criança. Hoje sou criança. Ontem fui criança. Numa nostalgia pela pureza dos pontapés na bola, da porrada que ainda não equivalia a “bullying”, das “lapadas q’abriam a cabeça ó berde”. Ou pelos imperdíveis episódios da Heidi ou do Vickie, vistos inúmeras vezes nas casas dos vizinhos do Toural, num tempo em que, nessa vizinhança, as únicas fogueiras que existiam não eram as das vaidades. Cresceram esses vizinhos, passaram, salvo raras excepções, a epopeias-fantasma de convenientes desconhecidos, ou convenientes conhecidos quando as conveniências assim são convenientes. E capazes são de por nós na rua passar, saudando quando são previsíveis proveitos, ou ignorando quando o futuro vizinho é detentor de uma taxa de juro que supera os rendimentos da saudável saudação. Apetece-me ser criança, nessas alturas apetece-me ser inconvenientemente criança, numa “bárbara agressão” com uma “fisga de grampos”, “pernas pra que te quero”, indomáveis correrias a contar as peripécias aos parceiros de “terrorismo”. E, “rais’partam” as saudades, tenho mesmo saudades… dos malucos dos carinhos de rolamentos, sem pretensões de um carrinho ser melhor do que o do vizinho, apenas numa algazarra que incomodava os saudosos “Sô Joaquim”, “Sô Alberto” ou o “Sô Carlos”, porque lhes surripiavam as ferramentas, os parafusos, as tábuas ou os rolamentos. Depois riam-se e apreciavam a alucinante forma de incipiente Fórmula 1 imberbe. Mais pé esfolado, menos calça rasgada… Mudam-se os tempos… Hoje perguntam-me se é verdade que temos um “Umbigo do Mundo”. Invariavelmente, respondo: «Só um?»… Resposta infantil…