
Caso fosse possível activar uma qualquer espécie de máquina do tempo e facultar o regresso de algumas egrégias figuras do concelho, estou certo que desejariam regressar rapidamente ao mundo do além. É confrangedor assistir à delapidação do pouco património que a "vila" (ainda) possui. Desconheço (será que desconheço?...) os reais motivos por detrás de mais um homicídio arquitectónico. No seio da minha ingenuidade reside a secreta esperança de ver nascer, no local onde desapareceu mais uma jóia, algo que não se assemelhe a mais um edifício "fosforeira portuguesa". Como já por aqui disse, em Macedo só consigo ver prédios em formato caixa de fósforos (com a excepção da aberração cheia de "berlicoques" que marca a praça central) ou casas em estilo "Banrezes", tal a degradação que apresentam. Salvam-se desta catástrofe alguns exemplares onde imperou o bom senso da inovação com preservação (refiro-me, a título exemplificativo, ao edifício onde mora o "Bibau").

Para quem tenha dúvidas acerca deste meu devaneio, deixo um exemplar do que era a Rua Alexandre Herculano no centenário da morte de quem lhe deu nome, acompanhada de um outro da mesma artéria na proximidade da celebração do bicentenário do seu nascimento. A primeira fotografia foi captada na minha "vila" de Macedo de Cavaleiros; a segunda foi tirada numa povoação elevada à categoria de cidade e que, pelos vistos, tomou designação semelhante. Esta última palavra conduziu-me ao dificílimo exercício de detectar semelhanças. Consegui verificar que o monte sobranceiro à Bela Vista (ainda) é o mesmo! Já no que respeita às diferenças, só consigo descortinar que, na via de circulação, os dois exemplares caninos foram substituídos por outros espécimes de quatro patas, vulgo rodas (esta segunda parte é só para agradar aos apologistas do progresso a qualquer custo). Quanto às pessoas, na segunda "strugafia" devem ter-se escondido, talvez pela vulgarização do invento de Eastman... Mas o que é que isto tem a ver com a Páscoa? Pouco... Mas estive em Macedo neste fim-de-semana prolongado e fui acometido por uma dor de alma quando os semáforos da Avenida da Estação (que agora é do Dom Nuno) me detiveram e deparei com mais um "delete" na parca história macedense...
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