Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quinta-feira, 9 de abril de 2009

Páscoa Macedense

E "prontos"... Está a terminar mais um período de abstinência e estou certo que o coelho, após a entrega dos ovos, passará a dedicar-se, de novo, à "má vida". Não vou encharcar o blog com o significado da Páscoa, seja ele numa perspectiva religiosa, seja numa outra qualquer mundana. A verdade é que o período pascal de três dias que se aproxima representa mais uma oportunidade para regressar às origens, rever o meu mundo e repor os níveis de "açucar e gorduras" no sangue. Há uns largos anos, este dia representava uma azáfama na vida caseira. Era preciso "partir as carnes pró folar"... Soltava-se a "espádua" para se partir em pedaços, resgatavam-se os salpicões e as linguiças e não se podia esquecer o "cibo de tchitcha gorda". A Sexta-feira Santa era dia de madrugar. Acendia-se o forno a lenha, amassava-se a farinha, os ovos e o azeite, deixavam-se a levedar, devidamente tapados com cobertores velhos, daqueles que, na cama, possuíam a capacidade de picar até a mais insensível das peles. Por enorme que fosse a tentação, não se podia petiscar nenhum dos apetitosos pedaços de carne... Era dia de abstinência... Mas valia a pena a espera. O resultado final era sempre apetitoso. Sei que este exemplar é uma repetição das aventuras do ano passado, mas não tenho outra para aguçar o apetite... E como este ano não fomos afectados pela "panca" das "amassadeiras"... De qualquer forma, sei que hoje anda alguém às voltas da folarada e que, mais logo à noitinha, quando chegar à casa materna, hei-de ter à espera a minhas "bolas", cozidas no interior de umas velhas latas de atum, reaproveitadas, há longos anos, para o efeito. Nos tempos em que o dito atum foi consumido, era obrigado a ir à Missa de Páscoa. Por "incompatibilidades clericais", há imensos anos que não repito essa manifestação da mais pura religiosidade. Mas não deixo de recordar, com bastante agrado, a representatividade que essa rotina detinha para o agregado familiar. O que não apreciava muito era a ementa que se seguia à Missa, invariavelmente composta por um fantástico (actualmente) cabrito assado. Na altura, não passava de um massacre, compensado posteriormente, pelas amêndoas e pelo folar. A Segunda-feira de Páscoa era outro dia cheio de tradição. Desde as primeiras horas matinais que o sino da igreja iniciava o seu concerto, anunciando a visita do "Senhô Padre". Recorria-se à proliferação de flores que pintalgavam o olival para decorar o acesso às escadas, desenhando no chão (ou tentando) alguns motivos religiosos. Era efémera a visita da Cruz. Repetia-se uma oração previamente preparada, dava-se o beijo nos pés do Senhor e, acima de tudo, que era o que mais interessava aos visitantes, recolhia-se o envelope... Depois... Depois era "até pró ano"... Com mais dinheirinho no envelope, "se faxavor"... BOA PÁSCOA!

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