
E "prontos"... Está a terminar mais um período de abstinência e estou certo que o coelho, após a entrega dos ovos, passará a dedicar-se, de novo, à "má vida". Não vou encharcar o blog com o significado da Páscoa, seja ele numa perspectiva religiosa, seja numa outra qualquer mundana. A verdade é que o período pascal de três dias que se aproxima representa mais uma oportunidade para regressar às origens, rever o meu mundo e repor os níveis de "açucar e gorduras" no sangue. Há uns largos anos, este dia representava uma azáfama na vida caseira. Era preciso "partir as carnes pró folar"... Soltava-se a "espádua" para se partir em pedaços, resgatavam-se os salpicões e as linguiças e não se podia esquecer o "cibo de tchitcha gorda". A Sexta-feira Santa era dia de madrugar. Acendia-se o forno a lenha, amassava-se a farinha, os ovos e o azeite, deixavam-se a levedar, devidamente tapados com cobertores velhos, daqueles que, na cama, possuíam a capacidade de picar até a mais insensível das peles. Por enorme que fosse a tentação, não se podia petiscar nenhum dos apetitosos pedaços de carne... Era dia de abstinência... Mas valia a pena a espera. O resultado final era sempre apetitoso.

Sei que este exemplar é uma repetição das aventuras do ano passado, mas não tenho outra para aguçar o apetite... E como este ano não fomos afectados pela "panca" das "amassadeiras"... De qualquer forma, sei que hoje anda alguém às voltas da folarada e que, mais logo à noitinha, quando chegar à casa materna, hei-de ter à espera a minhas "bolas", cozidas no interior de umas velhas latas de atum, reaproveitadas, há longos anos, para o efeito. Nos tempos em que o dito atum foi consumido, era obrigado a ir à Missa de Páscoa. Por "incompatibilidades clericais", há imensos anos que não repito essa manifestação da mais pura religiosidade. Mas não deixo de recordar, com bastante agrado, a representatividade que essa rotina detinha para o agregado familiar. O que não apreciava muito era a ementa que se seguia à Missa, invariavelmente composta por um fantástico (actualmente) cabrito assado. Na altura, não passava de um massacre, compensado posteriormente, pelas amêndoas e pelo folar. A Segunda-feira de Páscoa era outro dia cheio de tradição. Desde as primeiras horas matinais que o sino da igreja iniciava o seu concerto, anunciando a visita do "Senhô Padre". Recorria-se à proliferação de flores que pintalgavam o olival para decorar o acesso às escadas, desenhando no chão (ou tentando) alguns motivos religiosos. Era efémera a visita da Cruz. Repetia-se uma oração previamente preparada, dava-se o beijo nos pés do Senhor e, acima de tudo, que era o que mais interessava aos visitantes, recolhia-se o envelope... Depois... Depois era "até pró ano"... Com mais dinheirinho no envelope, "se faxavor"... BOA PÁSCOA!
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