Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quinta-feira, 16 de abril de 2009

Cousas de manipulação jornalística


Mesmo a mais incauta e distraída das mentes se apercebe da paixão que nutro por (quase) tudo o que tem a sua génese (ou o seu desenvolvimento) no Reino Maravilhoso. Dentro desse universo, uma das paixões que ocupa um lugar de destaque é a Linha do Tua. Talvez já tudo tenha sido dito, escrito e mostrado sobre esse património único, ainda que esteja destinado ao afogamento e à posterior colocação na galeria das recordações. Parece-me inglória a luta tenaz desenvolvida por todos os que, seja através de petições, de páginas electrónicas ou de blogs, persistem na esperança da revitalização de uma jóia condenada. Ainda assim, protestarei até que a "voz me doa" (ou até que os "tentáculos eléctricos" transformem os carris, os túneis e pontes da Linha do Tua numa versão ferroviária da Aldeia da Luz ou de Vilarinho das Furnas). Os protestos adensam-se sempre que assisto à hipocrisia dos governantes que prometem aquilo que sabem não poder cumprir ou quando, por influência cuja proveniência é duvidosa, saem notícias desenhadas por uma (inocente?) deturpação de factos com uma marcada pretensão de alienar a consciência até aos mais atentos. «A linha ferroviária do Tua registou, ao longo das últimas décadas, acidentes com consequências maiores que os dos dois últimos anos, diz um histórico da Protecção Civil». Acrescenta a dita notícia que afinal, «desabamento de terras e pedras, descarrilamentos, uma explosão, viaturas e pessoas colhidas pelo comboio fizeram, ao longo do século XX, pelo menos 16 mortos e vários feridos». Fico perplexo ao verificar que, para nenhuma das mortes, tenha sido apontada como causa o descarrilamento de qualquer composição. A minha perplexidade aumenta quando tomo conhecimento que o mais grave acidente ocorrido se deveu à incúria de um fogueteiro meu conterrâneo que provocou a explosão de uma carruagem no longínquo ano de 1943, tendo sido contabilizados 9 mortos (56% do total de mortes no séc. XX!!!). Se lhe acrescentarmos mais 5 derivados da distracção de camionistas que foram colhidos pelo comboio em passagens de nível, nas décadas de 50 e 60, a percentagem sobe para uns incríveis 87,5%! Dos 2 restantes, nenhum envolveu descarrilamentos, mas pessoas que foram colhidas, uma na década de 60 e outra no início do século. Esta última, a primeira vítima, teve o infeliz destino de ter o término da sua vida pelo sonho que ajudou a construir. Tudo somado e analisado, chega-se à "dificílima" conclusão que as anteriores 16 mortes causadas pela Linha do Tua ao longo de 120 anos de história se deveram a distracções e nunca a descarrilamentos. O que pretendem os jornalistas, ou a Protecção Civil, ao tentarem atirar com areia para os olhos? Justificar o injustificável? Tentar apagar da memória a negligência da qual resultaram, infelizmente, as 4 mortes do séc. XXI? Ou pretendem mesmo apagar a memória de um percurso emblemático, único e insubstituível? Não conseguem, por muito esforço que coloquem no alcançar desse objectivo. Há coisas lindas, não há???...

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