Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



segunda-feira, 13 de abril de 2009

Resquícios Pascais mais Pascais

Mesmo que a descaracterização de Macedo me influencie negativamente, não resisto a aventurar-me pelo IP4, especialmente em datas marcantes. Afinal, as origens são sempre as origens e é nelas que me revejo sempre que sinto necessidade de repor energias. Não só as que facultam um aliviar das vicissitudes da vida no litoral, mas também as que confortam o estômago com os mimos que só em Trás-os-Montes é possível obter (está bem, isto é um transmontano a "botar faladura")... A começar pela ceia de Quinta-feira, confortavelmente instalado à lareira, na companhia de um folar quentinho como aperitivo, seguido de um saboroso cabrito grelhado, devidamente regado com uma pomada aconchegante. Por respeito pelas tradições, a Sexta-feira Santa foi dia sem "tchitcha". Ainda assim, o bacalhauzinho assado na brasa pela avó e o arrozinho de marisco fantasticamente elaborado pela cunhada constituiram uma ementa que fez esquecer a "penitência". Para melhor digerir os abusos, nada como rejuvenescer com uma incursão à Serra de Bornes, mesmo que no seu dorso já tenha uma nova plantação de "mega-vegetação branca dotada de apenas três ramos". Quem deve ficar possesso com a proliferação de "ventoinhas gigantes" são os incendiários. Caso a saga continue, pegam fogo a quê?... Pode quebrar-se um pouco a estética mas o resultado final até não destoa em demasia do ambiente único da serra. Ficaram a ganhar as acessibilidades, pelo melhoramento que tornou o estradão numa pista onde não se sente muito o desconforto de uma via em terra batida. O único óbice foi a repentina queda de neve acompanhada por um vento feroz. Não fosse o diabo tecê-las, o mais prudente foi efectuar uma inversão de marcha e regressar ao local de partida, onde ainda era possível vislumbrar algum sol. Sábado foi dia de reunião familiar e de alterações profundas na rotina de silêncio. Para fugir ao tradicional em época pascal, o jantar teve a surpresa de umas "casulas secas" com butelo, trazidos da raia pelo mais velho do clã. Com os gritos dos mais novos a entrecortar as conversas dos "tios", renovaram-se votos de continuidade da coesão familiar e formularam-se desejos de sucesso e todas aquelas coisas bonitas que trazem as reuniões familiares. Devidamente acompanhados pela novidade da prova de um vinho elaborado no país latino mais a leste. A noite prolongou-se, entre conversas e "mais um copo" até à hora em que os pássaros iniciam o seu concerto matinal. Obviamente, o Domingo de Páscoa teve direito a almoço tardio e a alguma indisposição (coisas da idade e dos fantásticos - enquanto duram - abusos nocturnos). Nada que obstasse a uns reconfortantes nacos de posta na brasa... Ou a uma posterior merenda em casa do compadre, marcada por umas costelas e um lombo de "adôbo". Recomposta a ressaca, foi hora de repor os níveis de descanso para a viagem de regresso. Descanso esse que se prolongou de tal forma que, este ano, a única recordação da Visita Pascal se resume à audição do sino que anuncia a chegada dos visitantes que vêm recolher o envelope...

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