Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



domingo, 7 de fevereiro de 2010

Estórias da História

Não nego a minha apetência para me arrepiar com a magnitude do pulsar da minha terra, ainda que as contingências da vida me tenham transportado para longe do epicentro. Não obstante a distância que subtrai intensidade às ondas sísmicas, sou detentor de um sismógrafo emocional que, por via do inexplicável que Macedo me gera, detecta os mais ínfimos sinais de abalo. Talvez por isso sinta a "bota" com tanta emoção. E talvez por isso sinta o complexo neuronal em ebulição sempre que o nome da minha terra vem à baila. Este é um orgulho que não escondo... Presunçosamente, vou passeando Macedo e, por inerência, Trás-os-Montes, espalhando pelos cantos a magia de uma terra que não se explica. Sente-se, apenas... Naturalmente, o Azibo alcandorou-se a ex-libris macedense. Naturalmente, gosto de lhe percorrer as entranhas, invadindo a sua privacidade, sentindo-lhe o respirar. Mas também gosto de sentir a pele percorrida pelo vento de Bornes, olhar o avermelhado solo do "umbigo do mundo", invadir as aldeias perdidas no tempo para os lados da Nogueira, perder-me por ancestrais caminhos das "minhas" Lamas e Nogueirinha. Entre outras coisas mais que o desfilar do calendário me vai impelindo a trazer às Cousas. Ultimamente tenho descoberto o "the dark side of the moon" (aproveito para prestar homenagem às sonoridades que deixei transformarem-se em culto musical). Paradoxalmente, um "lado escuro" que iluminou e incrementou o brilho do meu orgulho macedense. A Associação Terras Quentes poderia não passar de uma instituição mais, uma das muitas que, inúmeras vezes, vão surgindo ao sabor de escatológicos interesses que não é função das Cousas escalpelizar. Contrariando a minha inicial sensibilidade de desconfiança, a ATQ, no quase último decénio, encarregou-se de dissipar a lendária neblina que envolvia dois pretensos cavaleiros, mais as suas maças. Desenterrou vestígios de um riquíssimo passado macedense, tesouros ainda não completamente abertos. Trouxe à luz do dia pedaços ocultos pela voragem do tempo e esquecidos no imaginário popular. Ressuscitou obras devoradas pela incúria humana e deu vida a artesanais marcas gravadas em rochas. Hoje, encho-me de orgulho pela bibliografia que vai sendo recheada por artigos sobre a Terronha de Pinhovelo. Ou pela que vai tendo como ídolo a Fraga dos Corvos de Vilar do Monte e a sua representatividade na 1ª Idade do Bronze Ibérica. E, como anteriormente referi, há tesouros ainda por desvendar. Xaires será um deles, seguramente. A Necrópole do Sobreirinho será outro, um daqueles locais onde abunda um misticismo ímpar, guardião de segredos únicos. O futuro da história da "bota" macedense está ao virar da esquina, espelhado, desde já, pela Sala-Museu de Arqueologia e pelo Museu de Arte Sacra. A última Feira da Caça e Turismo revelou uma nova faceta desse futuro, visível na exposição do projecto para a obra com que Macedo será dotado e que, não duvido, encherá os Macedenses de orgulho. Será o culminar de um processo de restituição da glória a um esquecido herói macedense que é, afinal, herói nacional. Poderá parecer incongruente, mas Macedo é um pedaço de Aljubarrota. A aldeia de "Sam Pedro de Maçaedo" do séc. XIII deu ao mundo o braço que, em pleno séc. XIV, permitiu que os manuais de História contenham, hoje, a Dinastia de Avis. E o Mestre ficou-lhe grato, extremamente grato... A mesma gratidão devo eu, como filho macedense, à boa hora em que a Câmara Municipal resolveu estabelecer um protocolo com a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, corporizado na Associação Terras Quentes. Poderá soar a irrisório, mas hoje conheço o âmago da existência da minha "vila" e do meu concelho muito à custa do labor da ATQ, do seu trabalho, das suas publicações e do seu site institucional. Mais grato ficarei, futuramente, quando vir renascer, de cara lavada, um dos locais que marcou de sobremaneira a minha aprendizagem. Ansioso estou por ver Macedo no mapa da História de Portugal... Muito à custa de um heróico acto de um tal de Martim Gonçalves de Macedo...

2 comentários:

deep disse...

Será a reabilitação de "um tal Martim Gonçalves de Macedo" que a História parece ter deitado ao esquecimento, ao que sei muito injustamente, não é assim?

Cavaleiro Andante disse...

Correcto! Alguma da injustiça já foi reparada através da edição de um livro. Um pouco mais foi acrescentado a propósito da homenagem feita no Campo do Pereiro em Castelãos. O futuro dirá se se concretiza a reposição da justiça histórica... :)