Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Cabos da Boa Esperança

«”A grande conclusão é que o Turismo é a grande esperança para o Nordeste Transmontano, o único sector em que os indicadores são positivos.” - Conclusões do seminário da Caça e Turismo, que decorreu em Macedo de Cavaleiros.» (Excerto de uma notícia da Rádio Brigantia)
No que me toca, enquanto Transmontano Nordestino, o indicador positivo é este mesmo: constatar que, publicamente, alguém responsável tocou na mais que provável galinha dos ovos de ouro para a não transformação de Trás-os-Montes, e mais especificamente no seu Nordeste, na coutada que já por aqui venho, insistentemente, referindo. É indesmentível que o deserto a que se referia um anterior ministro não se restringe à extensão que fica para além do Tejo… Nos meus áureos anos (se é que algum dia os tive) de bom rapaz, os meus amigos alentejanos diziam-me que éramos primos. O que nos distinguia é que eles tinham enviado os calhaus todos para o interior norte… Eu ria-me, dizendo que Trás-os-Montes e a Região Norte eram a autêntica paisagem. O resto eram conquistas… Mas tinham razão na consanguinidade. Mas por distintos motivos, revelados duas décadas após: o litoral é Portugal e o resto é, cada vez mais, paisagem. Pois aproveitemos a paisagem!!! E, “de caminho”, aproveitemos, também, uns “troquitos” de Portugal para o seu aproveitamento… Deixemo-nos de auto-estradas! Recentemente, um amigo dizia-me, a propósito dos meus incessantes protestos, que o asfalto era um pau de dois bicos. Tinha razão! De facto, se a auto-estrada coloca Trás-os-Montes mais perto, é incontestável que também facilita uma mais rápida fuga dos transmontanos que ainda restam… Deixemo-nos, de igual forma, de estéreis discussões acerca de Zonas Industriais! Mas nós temos indústria? E, caso esteja equivocado, confesso que é deprimente passear pelas ZI’s de cada uma das sedes de concelho do distrito bragançano… O que temos, então? Comércio, muito comércio, num conceito de comércio que não gera riqueza (a não ser para poucos)… Serviços, muitos serviços (cada vez menos, é certo, exceptuando o incremento de agências bancárias)… Agricultura, pouca agricultura, “pouq’tchinha, munto pouq’tchinha”… Somos uns depauperados, economicamente falando. Os indicadores económicos colocam-nos na cauda da cauda da cauda europeia. Isso, enquanto transmontano, é dor que suporto. O que é insuportável é a resignação. Entregámo-nos a um mutismo de reflexos pavlovianos, reagindo sempre que nos acenam com umas migalhas. Basta pensar na hipocrisia da EDP Solidária… Para os crentes, deixo uma sugestão: recheiem-me a minha conta bancária mensalmente, que eu não me importo de ser solidário… Adiante… Olhando para a mais meridional região de Portugal Continental: o Algarve. Quantos anos esperou por uma ligação rodoviária condigna? Imensos, imensos… Mas nunca deixou de ser Algarve. Tem indústria? Não, exceptuando umas conserveiras, alguma extracção de sal e a transformação de figos secos e amêndoa. Quer dizer… Tem indústria, se é que se lhe pode chamar indústria: a do turismo.
« - Olha-me para este ingénuo! A querer comparar o Algarve, a sua meteorologia e as suas praias com o interior transmontano»…
A verdade é que este ingénuo tem consciência que não temos figos secos (ou teremos poucos), mas temos a Batata de Trás-os-Montes, “tchouriços” e outras coisas mais. Não temos Vilamoura, mas temos o Azibo. Não temos o Corridinho, mas temos Pauliteiros e Caretos. E temos serras, montes e vales, rios e ribeiros, lobos e veados. E, não tendo o Atlântico, mergulhamos na intensidade do “Mar de Pedras” de Torga. E somos uma gente, da qual presunçosamente faço parte, única, distinta, talhada pelas rugas do tempo, enrijecida pelas agruras das geadas e afável pelo calor dos três de inferno. Seremos um pedaço esquecido, mas não devemos, jamais, esquermo-nos de nós próprios. Mas esquecemos, fazendo de conta que não existimos. A verdade é que existimos… Tratemos da nossa existência. Olhando com olhos de ver para a esperança do Turismo. Da última Feira vieram sinais de recuperação do que moribundo parece estar. A possibilidade de aproveitar o herói macedense para colocar o seu Senhorio no mapa da História de Portugal é um sinal de possibilidade de passagem do Cabo das Tormentas. Já vai longo o desabafo… Noutro dia, convidarei Martim Gonçalves de Macedo a tomar um prolongado café nas Cousas… Afinal, Aljubarrota, a Batalha, vivem de quê?...

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