Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Injustiças toponímicas

Ocorrem noites assim... Saudades, talvez... Poderia ter pasmado defronte de um qualquer programa televisivo, mas deu-me para reler algumas cousas sobre a minha essência. Infelizmente, são escassas, demasiadamente escassas. Cuidadosamente, retirei da prateleira a já gasta monografia de quase cinco décadas. Delicio-me a cada investida que faço nas memórias macedenses que nos foram legadas por um dos últimos grandes vultos da terra: Armando Valfredo Pires. Deixo-lhe aqui uma singela homenagem, na companhia do também macedense Adriano Moreira. Enquadrado no seu tempo, foi um Homem, um Transmontano de gema, um puro raça Macedense. Poderia não ter estado à frente dos destinos da Câmara Municipal, não ter sido Governador Civil ou Deputado da Nação. Poderia, até, nem ter exercido advocacia... Ainda assim, ter-nos-ia deixado um pedaço da sua têmpera. Não pela edição em si, mas pelo árduo trabalho que, naquele tempo, teve para recolher e compilar as informações que da mesma constam. Algo semelhante fez pela sua terra adoptiva, Chacim.Um nome que me remete para um dos personagens esquecidos na história macedense: Nuno Martins de Chacim. Os reinados de D. Afonso III e D. Dinis foram marcados por este homem da estirpe dos Bragançãos, por via bastarda, é certo, legítimo representante dos Chacins. A história deixa-nos um relato de usurpações e abusos, mas o que fica registado, de igual forma, é que atingiu os superiores cargos de Mordomo-mor e Meirinho-mor. No caso do segundo, temos na História de Portugal um filho do concelho macedense (inexistente à altura, é certo) que foi elevado a "primeiro polícia do Reino" ou, se quisermos efectuar uma transposição para os tempos modernos, o primeiro Ministro da Administração Interna que este país teve.E o que se faz em Macedo? Que me perdoem Alexandre Herculano, Antero de Quental, Vasco da Gama ou o Infante D. Henrique, que nada tiveram, directamente, a ver com a história macedense e têm lugar na sua toponímia. Ao percorrer, pacientemente, e uma vez mais, o "Macedo de Cavaleiros - rua a rua" de Manuel Cardoso deixei-me perder, de novo, nos estremecimentos que me causa sentir os pedaços de história fotográfica e toponímica da terra que me viu nascer.Se por lá detecto nomenclaturas carregadas de lógica, outras há que mais não são que preenchimento obrigatório. Contudo, não são essas que me provocam estupefacção, mas sim as omissões. A de Nuno Martins de Chacim é apenas uma delas, mas, talvez, não a mais importante. Sem dúvida que só bem recentemente se resgatou a memória de Martim Gonçalves de Macedo. De alguma forma, já lhe foi prestada a homenagem no monumento comemorativo da passagem do Mestre de Avis e do Condestável por terras de Castelãos. Causa-me alguma confusão, confesso, que todas as terras tenham os seus heróis imortalizados por uma qualquer placa toponímica ou por um qualquer exemplar de estatuária.O herói macedense, o verdadeiro herói macedense, o salvador da pátria em Aljubarrota permanece oculto no esquecimento das artérias macedenses. Espero que, um dia, seja feita justiça aos "de Macedo", os Senhores de Macedo de Cavaleiros. Não numa qualquer ruela escondida ou numa nova urbanização que venha a surgir. Já por aqui propus a homenagem merecida. Se o Jardim 1º de Maio já foi de Oliveira Salazar, Público ou da Câmara, porque não sofrer nova alteração e transformar o mais digno espaço macedense numa homenagem ao seu herói?

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