Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Motores efémeros

Ainda falta rasgar uma folha do calendário, é certo. A crueldade do tempo, entre a inspiração do hoje e a expiração do amanhã, não se sacia com movimentos de lentidão dos ponteiros. Nesse tempo que parece distante, o futuro mesmo ali ao lado, os montes entregues à devassidão do abandono, restolho de vidas ceifadas por adiadas promessas, encher-se-ão de seiva, em forma de pó, certo é. É efémero, um fim-de-semana apenas, e mais que ver veículos artilhados em manobras inusuais, a emoção de assistir ao regresso de vida. Montes ermos preenchidos por rugas na terra e pela gente com rugas que as lavrou. Caminhos que vão dar a lado nenhum, aquele onde ficam hospitalidades esquecidas e onde já ninguém se lembra de ir. Rasgos de idos tempos em que um qualquer Sino dos Mouros servia para chamar populações vizinhas à missa. Já não sei se há populações vizinhas ou, se as há, agonizam ao sabor de decrépitos edifícios escolares, vítimas, eles também, de um mundo que só tem olhos para o litoral. Silenciaram-se os sinos, vai-se calando a gente, mumifica-se a memória e ouve-se, cadenciadamente, o roncar dos motores. Qual espuma de tempos esquecidos, nuvens de pó anunciam uma passagem mais. Eleva-se a gente, espera-se um qualquer deslize, aguardam-se arrojadas trajectórias. E faz-se mais um disparo, tentando vislumbrar o próximo rasto poeirento, enquanto vai escorrendo uma bebida mais que arraste o pó que se vai acumulando na garganta. Olha-se a gente em redor, gente da terra e forasteira gente. Sente-se um pulsar diferente a cada olhar, não sei se da novidade, se da saudade. Protege-se o corpo de cada estocada no ribeiro que corre serra abaixo, salpica-se a alma escondido atrás de uma qualquer giesta e tenta-se captar o melhor momento para a posteridade. Sente-se o mar de xisto com ondas arbustivas, invasores do esquecimento. E olha-se, ao longe, talvez surja um pedaço de selvagem vida a questionar a paz invadida... O Rallye TT Serras do Norte é mais que um evento de desporto automóvel. É um presente, dado a gente habituada a prendas envenenadas, embrulhadas a papel de serviços públicos que fecham, dizem, por falta de gente. Querem que se cumpram requisitos. Quotas mínimas, afirmam, num território que querem deserto... Com barragens para alimentar o exterior da coutada...

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