

Não discordando de Mota Andrade, a propósito do encerramento de Escolas Primárias (aquelas que adoptaram a rara designação de EB1), não posso deixar de manifestar a minha estranheza pelas consecutivas políticas de "terra queimada". Dá-se por um lado, tira-se por outro. Deve ser penoso viver em algumas regiões transmontanas... Aliás, não deve, é! Remetendo-me exclusivamente ao meu concelho, posso imaginar as agruras de fixar residência em freguesias como Soutelo Mourisco ou Burga, só para citar dois exemplos, um a norte e outro a sul. É certo que deverão existir algumas compensações, caso contrário já seriam uma espécie de neo-banrezes ou neo-carvas. Mas também não é difícil levantar a suspeição para que as eventuais compensações não suportem a permanência de gente, a muito breve prazo. A cada incursão às profundezas da realidade concelhia, as rugas nos campos são inversamente proporcionais às equivalentes nas faces dos que resistem à desertificação. Diminuem as escolas, diminui a população, à medida que aumenta o abandono e o envelhecimento, reflectidos nas ruínas fruto das sementes do tempo. E aumenta, de igual forma, a proliferação de flora selvagem... Pelo menos, deve ganhar-se na produção autóctone de oxigénio... Começo a perceber a adiada promessa do heli do INEM. Para quê um helicóptero se, um destes dias, fica sem local disponível para poder aterrar? E, da maneira como se mantém a tendência para o envelhecimento da população, para a desertificação e para a baixa taxa de natalidade, não me espanta que, em poucos decénios, a província transmontana se transforme num "admirável mundo novo" pautado por coutadas para fazerem as delícias dos que agora só lá vão para conseguir uma "cruzita no papelinho"... Exceptuando Mirandela, Macedo e Bragança, que se situam no eixo central do distrito, receio pelo futuro dos restantes 9 concelhos do distrito... Venha de lá a A4 e o IC5... E que, do lado de lá da fronteira comece a vir bom vento e bom casamento...
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