Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



domingo, 13 de junho de 2010

Aberrações de um país de bananas

Um pouco de considerações utópicas... Faz de conta que nasci no outrora medieval concelho de Vale de Prados, o Grande... Faz de conta, ainda, que sou um pouco mais velho, que sobrevivo de uma qualquer mísera reforma ou que, detentor de outros rendimentos, possuo a minha courela, entretenimento de sobrevivência de um qualquer final de tarde... Carinhosa, mas arduamente, cuido dos hortícolas produtos, assistindo, de pesarosa forma, ao delapidar dos mesmos por eventuais amigos do alheio. Um dia, um qualquer dia, cansado das intrusões à minha propriedade, decido montar guarda, direito inequívoco de defesa do que meu é. É noite... Aproxima-se um vulto do local onde me encontro abrigado, pleno de boas intenções, perfeitamente demonstráveis através da indumentária, visível no facto de o dito vulto se apresentar encapuzado. Talvez tenha tentado algum tipo de abordagem comunicativa... Ou talvez o instinto tenha falado mais alto... A verdade é que, para lá destas irreais deambulações com cheiro a literário, existiu um real ser que, do alto dos seus respeitáveis 76 anos, decidiu defender o que seu era... É discutível o método, assim como o é o facto de ter ceifado uma vida. Contudo, era a vida de alguém que se apresentava encapuzado, munido de uma arma de fogo e que, qual cereja no topo do bolo, era procurado pela Polícia Judiciária. Atenuantes, só atenuantes... Na boa fé de idoso, após o cometimento do crime, entregou-se o presumível homicida às autoridades... De que lhe valeu tal honroso acto? O pedido da insuspeitável Justiça de uma pena de 15 anos de prisão efectiva, acrescida de uma indemnização de 384 mil euros! O colectivo de juízes acabou por dar a benesse de "apenas" 8 anos de prisão acompanhados da indemnização de 30 mil euros... Percebo, agora (tão ingénuo que sou), aquilo que, há uns anos, um inspector me dizia acerca de um assalto de que fui vítima, após se ter descoberto o autor material de tão louvável acto (autor que, como muitos semelhantes autores, ficou impune). A revolta levou-me a questionar o saudoso inspector acerca, entre outras coisas, do comportamento a ter perante a possibilidade de chegar a casa e ter no seu interior outro amigo do alheio. Dizia-me ele que o pior que poderia fazer era a opção por qualquer tentativa de defesa do património com recurso à violência. Estupefacto, fui ainda mais longe, atirando para o ar a horrível possibilidade de o amigo do alheio estar a "divertir-se" com a minha mulher ou com a minha descendência... A resposta, pronta e concisa: "O melhor é não lhe fazer nada!"... Ou então... A parte do "então" é melhor ficar no âmbito da privacidade... Não vá a Justiça incomodar mais um ser honrado deste país... País? Este país deveria condecorar aqueles que lhe fazem favores... Paradoxalmente, condena-os... Que bananas somos!!!

4 comentários:

Antero Neto disse...

Para o cúmulo ser completo, só faltava que o ourives que matou um assaltante fosse condenado. Felizmente, nesse caso prevaleceu o bom senso do julgador. Este caso de Macedo também me revoltou. Ainda se lhe aplicassem uma pena leve, com execução suspensa... Agora, 8 anos de prisão efectiva!!! Isto é um claro convite ao assalto e ao roubo generalizado!

deep disse...

Compreendo o desespero do senhor, ainda que a forma como procurou resolver o problema seja discutível - provavelmente já tinha apresentado queixa às autoridades dos roubos de que estava a ser vítima, sem resultado. A pena foi, também na minha óptica, muito pesada, sobretudo se considerarmos que havia atenuantes e se compararmos a situação com outras bem mais condenáveis que têm penas mais leves. É por casos destes que percebemos como a justiça está muito longe de ser recta.

Boa semana. :)

Isabel Preto disse...

Gostei de descobrir este Blog, com sabor a Macedo! Sou de Bragança, a viver longe...sinto falta da rudeza simples dessas gentes, como "num há igual"...Vou visitar-te mais "bezes".

Cavaleiro Andante disse...

Caro Antero, nada como uma sábia voz da Justiça para dar ânimo à minha revolta. Mais vozes se levantassem! Um abraço

Cara Deep, infelizmente, no (des)governo em que vivemos, já não existe o mínimo conceito de Justiça... Beijocas ;)

Cara Isabel, obrigado pela visita e seja sempre bem vinda ao mundo das "Cousas"...