Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



domingo, 1 de maio de 2011

Ventos da montanha

Imagem do berço, donatária de memória de vidas na corda bamba da incerteza, quando, numa qualquer Sexta-feira do estio, idos desacertos, se apela ao anjo Urze Pires e ao amigo dentista Simão, juntem-se-lhes os arcanjos "operadores de Mirandela", Mário Rafael e Mexedo, Caiado anestesista, amostra de vida, novel pedaço de memorandos futuros, haveria um dia de parir "cousas" da terra, "cousas" poucas brotadas do orgulho, de imberbe arrancado ao materno ventre por imitações de popular etimologia derivada de pretensos nascimentos de imperadores, cesariana ou cesárea a pintam, incisões num tempo em que os ponteiros eram pautados a sabe-se lá por que corrompido silêncio... Homenageiem-se as Mães, Adelina, Júlia original de Maria, matriarca de prole muita, não teve exemplo a seguir na filha que rebento único gerou; fite-se o tempo em recordações de adoptiva encarregada, Carolina mãe o foi também, desigualdades de etária faixa esbatidas, agruras de forçada ausência de alfa macho, contingências de prematuro finar. Louve-se a mãe outra, depósito de principado do reino que vem, fiel depositária dos genes, ópera de Verdi, caroços de amores muitos, "carabunhas" talvez, fusões que um dia esquissaram o sucesso, olhos ardentes, alavancas de profícua permanência de um Álvares qualquer, Álvaro-filho, etimologias o afirmam, ou profeta de nome. Exacerbem-se os genes, de hispano-godos talvez, ou suevos quiçá, primogénitos brasões de nacionalidades a encarnado pintadas, quarteto de meias-luas traçados, heráldicas tantas de insondáveis pesquisas, linhagens o argumentam, irrefutáveis pendões de pentágono completado a Bragança, Maia, Baião e Ribadouro. Mas, humanas mães o perdoem, de sapiens capacidade o perdão, erga-se o templo a progenitora outra, sacralize-se a terra, humanize-se o ventre de pétreo ser, telúricas formas do útero, coito do ar com o solo, inimagináveis fusões de impenetrável paixão. Sou filho das pedras... A montanha como mãe, o vento como pai, insano calor do inferno como progenitor, madre arrepiante geada de Inverno. Sou descendente dos lobos, cruzamento com rebanhos de ovelhas e cabras, histórias muitas de arrepiar, filho da Lua e do Sol, raposa a mãe, javali o pai, desconexas ligações o dirá o bom senso. Há nascimentos de uma gravidez do pó, entranha-se a terra nos órgãos, vem o sangue desenhado a eritrócitos com hemoglobina de xisto, e as defesas de leucócitos firmadas, hematologia o diz, vem levantada a castelos de brancos glóbulos de neve, muralhas erguidas a suor de intranspirável medula. Talvez este paradoxo de progenitores muitos prefácio tenha em rupestres pinturas de Foz Côa primas, siga-se o rasto de futuras submersões, Sabor selvagem o foi, lá para a Levada Velha ou em setentrional concelho auroques esboçados. E os tetra-tetravós, de sedentarização arcaicas formas, fugas muitas num Buraco da Pala de vizinho concelho, ou meridional Zedes, megalíticas erupções de antrópico sentir, vá-se em romaria ao bispo santo, Ambrósio de cegos milagres, mamoa escondida de desvendada ancestralidade. Sigam-se os trilhos, perscrute-se a ansiedade do destino sem meta riscada, trepa-se a Xaires, dos primórdios os metais, respira-se a essência de Bornes, dos Corvos dizem o penedo, Bronze o achado em arqueologias de regressivo sentir. Deglute-se uma refeição de Zoelas, território o fomos, netos e bisnetos, descendência da unicidade respeitada pela gente do Lácio. Romanos teremos sido, latinas empresas herdámos, lugares perdidos em testemunhos de tégulas ou sigillata, Egica ou Vitiza por cá deixaram legados, em cargas de distinta coloração do olhar, do escalpe também, Bárbaros que em Laetera cunharam monetários vícios. De Mouros, lendas muitas, vestígios poucos, nulos o digo, talvez Alfandica raro exemplo seja, lá longe ao virar da esquina do dorso de Montemé. Sou filho das carcaças de histórias muitas, honro as mães, as puras, as virgens, e as de donzelas tributos, as outras também. Sou filho de ventos da montanha, prole de um mistral em anómala simbiose com um suão, de oliveiras descendo, ouriço-azeitona serei, castanha que azeite dá, num pão de batata ceifada, centeio arrancado cozido num pote, e uma alheira com sabor a pedaços de solo enrijecido pela estiagem, enrugado pelo tormento dos nove de residência de Belzebu, saciado por flocos de neve ou choros intensos do céu. Neste dia de todas as Mães, honro as minhas, carnais e adoptivas, reais e imaginárias. Mastigo um pouco de ficcional parada, desfile de calhaus, xisto a um lado, granito a par, vertentes de alegre sentir. Sou filho das pedras... Honro-as também... Sou filho do Reino Maravilhoso... E sou filho da minha "vila"... Pátria-mãe...

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