Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



sexta-feira, 27 de maio de 2011

Fugas no Reino das Pedras

Os dias embrulhado pelo afago das pedras são assim. Calmos, extirpada a canícula de final de Maio assemelhada à de Augusto mês. Sedentos, de inenarráveis amizades seladas a amenas cavaqueiras sob a protecção de um publicitário guarda-sol. Extenuantes, por indescritíveis incursões às profundezas deste mar pétreo, aparentemente esquecido pelo carácter protector da divindade... Será o olvido premeditada forma de preservar a essência, nada mais que a essência? Hoje senti-lhe o âmago... "Por mares nunca dantes navegados"... Há gente assim, que a troco de nada, insondáveis (ir)realidades da modernidade, nos presenteia com o calor de um singelo sorriso pela partilha do muito que sabe acerca das entranhas deste oceano de calhaus que me viu nascer. Talvez hoje a palavra deslumbramento seja ínfima para traduzir o encantamento dos sentidos pelo saborear da verdadeira natureza em estado virgem. Mas não só... Há disponibilidades que não se pagam, preços que existência não têm, moram apenas num estranho recanto onde vive gente que já não acreditamos existir. Mas existe... Hoje confrontei-me com essa clara evidência. Mas públicos encómios não são o meu timbre e saberão os destinatários dissecar a gratidão... Adiante, que o todo-o-terreno vociferando vai, esfaimado que está por deglutir as artérias trajadas a pó e pedra, ornadas a herbáceas testemunhas de ancestral calcorrear. Esventram-se os aromas, reduzindo-os à paixão de, paulatinos inícios, barrarem qualquer incómodo causado por desenfreados insectos arrancados à sua paz. Cheira a terra, a terra-mãe, inconfundível e inimitável perfil aromático. Repentinamente, uma espécie de orgia dos sentidos. É a raposa que, sorrateira mas curiosa, observa os invasores. São as aves de rapina que nos sobrevoam, num aéreo bailado que sabe a eternidade. É o espanto de uma cegonha que nos observa do seu altaneiro ninho. São os sons a nada, numa orquestra de silêncio quebrada a intenso chilrear de quem rasga céus e pousa, espantado, nas arbustivas formas que pintam as encostas a cores de encanto. Ou um zumbido aqui, outro acolá. E o canto da brisa a acariciar o escalpe, ou a melodia do ribeiro que corre indiferente ao cágado que nas suas águas repousa. Isto não se explica, não se mostra, não se escreve sequer. Sente-se, apenas. Sente-se quando nos damos permissão a fundirmo-nos com a terra, numa improvável fusão em que as pedras são participantes e do elenco fazem parte as silvas, os cactos, as giestas, as estevas e sei lá que mais espécies que tentam vedar-nos o passo. Sente-se quando nos embrenhamos no desconhecido, sabendo de antemão que ali está o útero onde repousámos, o ventre que há-de aconchegar-nos se perdermos o norte, a mãe-terra, a protectora, a suave ondulação que nos embala. Hoje sentei-me no regaço da mãe...

1 comentário:

Luísa disse...

Como me encanta esse sentimento pela terra mãe...Estive nesse local que descreve, por pouco tempo, mas o suficiente para me aperceber que é ali que eu pertenço.