Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sobrevivências com rejuvenescimento do espírito

Será a repetição uma apologia à perversidade de insistentemente escutar a surdez alheia? Ou soará a tal… Para lá da potencial catalogação de insanidade, encaro o repetitivo ser como um audaz, mas tenebroso também, violentador do silêncio das massas. As encefálicas, as cinzentas, as corporais e, para que ostracizadas não se sintam, as alimentícias também. Só para compor o ramalhete das massas, dê-se albergue aos hidratos de carbono, momentâneos desvios da atenção ao essencial, fica-se a pensar no amido e segue o baile do silêncio, entrecortado pelo ruído de umas bolhas de água fervente, frutos da convecção que faltando vai à minha resignada gente. Afunda-se a alma e renega-se a física, num desfilar de fluidos em que as moléculas compulsivamente rejeitam o efeito calorífico, apenas por ausência do mesmo. Derivações de uma qualquer densidade pétrea, não a da terra, não a que emana de geológicas entranhas, mas a do betão que insistem em impingir, à força de atoardas orçamentais, expoente máximo da indignidade com que uma cambada de umbigos com excessivo perímetro vai cerceando a milenar constatação de que todos estamos dotados de resquícios de cordão umbilical. «- Or om’zesta! C’um catancho, o Cabaleiro debe-se ter sbarrado contra um candiólo e ficou tchalotinho, o pobre home! Puri, sbarou no carambelo, scarnatchou-se todo e botou-se scaleiras abaitcho. Foi o mou que mu dixo, oubiu-lo no pobo ó Ti Tonho Gago, ma num me spanta que lu tânha intendido ó scontra, q’o home ingalêa-se co’as palabras e dás bezes dize deis e são déze! Mas inda cm’assim, aparecesse-me q’o Cabaleiro já num dize cousa cum cousa»… Não confirmo nem desminto, talvez seja apenas a indumentária com que o dito traja, carapaça como armadura, antídoto à propaganda com que um bando de falsários leva a cabo aquilo que noutras bandas seria apelidado de genocídio, macabras limpezas, redutoras da etnicidade que lavra na alma de um povo, silenciosamente conduzido ao lenocínio. Sim, porque os ímpetos carnais são dotados de várias vertentes! E as formas de exploração da carne resumidas não são ao propriamente dito… Triste sina a de um povo que “s’amoutcha”, vergastado pelo despotismo dos iluminados de beneditinos corredores, amansado pelo marketing de “train à grande vitesse”, depauperado por extintas “Sem Custo para os Utilizadores”, indiferentemente sodomizado por IVA, IRS, IMI e demais paridos verdugos do pouco que lhe resta. Penitência para alheios pecados, dez “políticos-nossos” e cem “avé-confrarias”, jejum por quarenta dias… E uma sorridente auto-flagelação, alegre suplício da alma (e da carteira também), venham de lá campanhas mais, eleitorais umas, estomacais as outras. “Bou-me mas é fitchar a matraca, num me bânha puri um AVC ou, transmontanamente, um ABC - Agonia por Bias das Cousas”. (Mentalmente, confesso que o C me faz derivar insistentemente para uma vernácula forma vocabular que rima com tostões, assim meio a jeito de conotações caprinas, mas não quero ferir susceptibilidades)… E, verdade seja dita, por caprino linguajar, o queijo de cabra que degustei no fim-de-semana fez-me esquecer as agruras temporais. E as espirituais também! Trás-os-Montes regenera-me a alma! Ainda que este fim-de-semana seja apologético de uma fogueira das vaidades, repetidas mostras em tapetes de arranjos florais, reina a hipocrisia por um dia, que bárbaro sou!, iluminada a ceráceas formas que, por efémeras, não desmentem a compostura de ser socialmente correcto uma vez por ano, na procissão de um rebanho que anda tresmalhado na restante dúzia de meses. Que se danem as sepulturas por 364 dias! Pois… Também sou do rebanho, mas sou uma ovelha ranhosa que se dá ao tresmalho no dia primeiro do mês que já foi nono… Na panóplia de opções, prefiro ausentar-me, numa debandada geral do ser, levando a companhia dos que já companhia me fizeram, relembrando-os numa privada cerimónia, algures num paraíso a que chamam Azibo, onde apascento as recordações a chamas de redescoberta de um mítico chão de onde brotam pedras, sobreiros, cogumelos, castanheiros e outras coisas mais. E onde as agora gélidas águas me aquecem numa orgia de inacabados sentidos, sou capaz de ver o som de um grasnar e ouvir imagens de um sol que se apresta a entregar-se a Morfeu, cheirar a textura da rugosidade das pedras e tocar os aromas que se desprendem da terra, provando a essência de nunca inventados sabores. É tão só um aconchego entre tantos outros que emanam de uma curta estadia pela terra que me esculpiu o ser. Fogueiras outras, que não as da vaidade, umas que aquecem a alma, o coração outras. Moram naquele abraço, num sorriso mais, tantas vezes repetido, na suave sonoridade de palavras traçadas a distinta pronúncia, vozes do povo, vozes da alma, vozes do querer. Residem naquele “capão” que se vai buscar para fazer o “magosto”, nos “stourotes” das castanhas que saltitam no velho assador, nos “bilhós” regados com jeropiga, nas gargalhadas que vão povoando o ambiente com o desfilar de histórias mil vezes repetidas e mil vezes aplaudidas a “risa”. Não cansam, reconfortam, embriagam o espírito sem etílicos vapores. E aliviam o fardo de um Dia de Todos os Santos onde, nos dias que correm, por de todos os santos ser, cabe também um qualquer Dia de São Nunca, padroeiro dos orçamentos, ou, controversas verdades “infurretadas” a inverdade, passou a caber também o Dia de São Pinóquio, incontestado padroeiro e defensor de “boys” ou, instância última, de “jobs” para os ditos… Perdoe-se o Geppetto, que não sabia o que fazia…

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