Bem Vindo às Cousas

Puri, se tchigou às COUSAS, beio pur'um magosto ou um bilhó, pur'um azedo ou um butelo, ou pur um cibinho d'izco d'adobo. Se calha, tamém ai irbanços, tchítcharos, repolgas, um carólo e ua pinga. As COUSAS num le dão c'o colheroto nim c'ua cajata nim cu'as estanazes. Num alomba ua lostra nim um biqueiro nas gâmbias. Sêmos um tantinho 'stoubados, às bezes 'spritados, tchotchos e lapouços. S'aqui bem num fica sim us arraiolos ou u meringalho. Nim apanha almorródias nim galiqueira. « - Andadi, Amigo! Trai ua nabalha, assenta-te nu motcho e incerta ó pão. Falemus e bubemus um copo até canearmos e nus pintcharmus pró lado! Nas COUSAS num se fica cum larota, nim sede nim couractcho d'ideias» SEJA BEM-VINDO AO MUNDO DAS COUSAS. COUSAS MACEDENSES E TRANSMONTANAS, RECORDAÇÕES, UM PEDAÇO DE UM REINO MARAVILHOSO E UMA AMÁLGAMA DE IDEIAS. CONTAMOS COM AS SUAS : cousasdemacedo@gmail.com



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Encantos de Setembro (I)

O encantamento não tem a sua génese na representação de mês de aniversário (esse, já lá vai). Nem resulta da atracção que, artes mágicas o dirão, o número 9 exerce no cavaleiro, cardinal que agora se lhe atribui, ou pelo primo 7, pai que foi da nomenclatura original. A cada ano, o mês que sétimo já foi, alumia o início de um novo trajecto. Estranhas formas de cavalgar a translação... Dizem que o Natal é quando um homem quer... Extrapolei a coisa para a Passagem de Ano e desato, mentalmente, a deglutir as passas e o champanhe dois pares de meses antes da efeméride das doze badaladas do trivial fim do ano. E parto para a decrescente contagem que me conduzirá a nova euforia, lá para finais de Julho, perante a aproximação dos dias que, tradição o diz, me fazem aspirar um pouco de atmosfera quente, tórrida até, de uma terra sem a qual o mês da inveja de Augustus estaria desprovido de um colorido único. Anormalmente, Agosto é o último mês do meu ano. Ao não ser Augustus, ou Julius, resumo-me à insignificância de Cabalarius, jeito não vendo de corromper os equinócios e os solstícios. Mas, a bem da honestidade, não queria ver o pseudónimo perpetuado por uma qualquer nomenclatura de um dos doze. O homónimo já se encarregou, e bem, de o fazer pela via dos acordes, mais o seu cavalo de pau... Mas já estou a divagar, e as divagações gosto de as deixar entregues à irrequietude dos pensamentos... Regressando a Setembro... Mês em que me encarrego de digerir a apimentada delícia de um breve período estival que, por alturas de Agosto, é condimentado, quase invariavelmente, a resquícios de xisto, montes, tradições, família, e regado a... "muntas cousas", por vezes, abusivamente, "cousas muntas". A culpa é "du calôre"! E da irresistível hospitalidade traçada a família e amigos, onde, em cada mesa cabe sempre um "bota lá mais ua pinga", ou é "copetcho q'stá sempre mêo bazio"! Se na mesa espaço não houver, é só mais uma, por vezes vertiginosa, descida até à adega mais próxima. Só a acalmia de Setembro consegue superintender alguns neurónios que ainda permanecem alvoroçados, desregrados que foram pelas partidas do tempo, ausências de horários, despreocupações de colesterol, triglicéridos, ureia e demais aparentes compósitos de parafernália bioquímica. Mas Macedo faz-me incomensuravelmente bem! Ainda que no regresso tenha sido parasitado com um trio de quilos a mais. Alternativa e enganadoramente, talvez a balança tenha sentido a ausência de rotina, desregulando-se propositadamente, em jeito de vingança. Lirismos... De regresso à Terra (o planeta)... Uma estadia na Terra (a mãe) conduz-me à utopia da simplicidade, elevando singelas "cousas" a patamares da excelência. A esquiva Podarcis, olhando-me de soslaio, arquitectando repentinas fugas, não sem antes fazer pose para a eternidade. Ou o par de jovens Delichon, dos beirais as dizem, assustadoramente à beira do precipício. No dia seguinte já por lá não moravam, apenas quiseram legar o registo da sua acrobacia sobre o arame. Mas morava os silêncio das pedras, guardadoras de historias muitas, esquecido pedaço de tégula, jazendo aconchegada por rolados calhaus. Talvez, bem auscultada essa réstia de romana herança, ainda possamos ouvir algum lamento Zoela, ou prece a Aernus. Ofertando-lhe uma flor, quem sabe... Uma das que compõem o jardim regado a suor e carinho, como só ancestrais mãos sabem fazer desabrochar. Cores muitas e formatos tantos, garridas formas de sarapintar a terra castanha, ressequida por abrasador calor. O forno diminui a temperatura quando o satélite surge na sua lunar forma, mas mantém quentes os corpos assados pela canícula. É hora de abreviar o tormento aos sedentos e coloridos seres que rodeiam a albergaria macedense. Aproveita-se a artificial precipitação para refrescar o desnudado tronco, mais habituado à nocturna aragem marítima. "Num corr'um arzinho!", queixa-se a progenitora. "Bá, q'inda bem puri ua trubuada d'Agosto, q'inda há um cibo bi alustrar prós lados da serra", riposto, em carinhosa ironia de quem vê a celeste abóbada pintalgada a constelações. "E frias-te no crutcho! Bem m'ou finto que tchoba!"... E não choveu... Mas choveram sonoridades de Bizet, abafada noite das Eiras, numa simbiose orquestral onde conviveu uma harpa com o brio de uma Senhora que manuseava castanholas como nunca havia visto... Não era a Carmen...

2 comentários:

Vicente disse...

Magistral,meu caro transmontano.
Enquanto o "leio" transporta-me a Alma ao Reino Maravilhoso.
bem haja.
Saudações
José Vicente

Cavaleiro Andante disse...

Um bem haja, mas a si, por fazer companhia às Cousas.

Enche-me de satisfação ter a noção de que um dos objectivos das Cousas é cumprido: transportar Almas ao Reino Maravilhoso.

Obrigado!